Pesquisa revela que jovens em Goiás estão investindo mais em educação

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jovenO jovem goiano, entre 15 e 24 anos, se preocupa cada vez mais com a educação. Esta é a conclusão da pesquisa feita pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), que analisou o perfil da população nessa faixa etária entre 2002 e 2012. De acordo com o estudo, alguns dos motivos para essa maior dedicação aos estudos são a internet e a grande exigência do mercado de trabalho por mão de obra qualificada. Porém, especialistas mostram que esse crescimento nos índices de escolaridade ainda está longe do ideal.

G1 Goiás publica esta semana uma série de reportagens sobre o perfil do jovem no estado.

Em 2002, de acordo com o levantamento, 19,5% da população jovem possuía ensino médio completo, passando para 23,3% em 2012. Os jovens com ensino superior passaram de 8,6% em 2002 para 13,4% em 2012. Para a professora e pesquisadora do Grupo Juventude e Educação, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) Cláudia Valente Cavalcante, a melhoria nos indicadores é relativa. “Houve um aumento nos números de jovens no ensino médio, mas o estado ainda está abaixo da média nacional, que é de 29%, segundo o último Censo Escolar”, aponta.

Para a pesquisadora, o grande desafio para que os índices melhorem ainda mais e atinjam os níveis nacionais é evitar que haja a evasão escolar. Atualmente, 40% da população do estado na faixa etária analisada pela pesquisa está fora da sala de aula, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação.

Uma série de fatores seria responsável por esse abandono no ensino médio, acredita Cavalcante. Primeiramente, ao se observar as camadas mais baixas da população, é possível perceber que os jovens começam a trabalhar para ajudar na renda familiar e, devido à carga horária, acaba não concluindo os estudos. Além desse fator, a escola não acompanha as mudanças sociais que estão presentes no dia a dia dos alunos.

“É necessário que as escolas entendam os processos informais de aprendizados. Hoje, os jovens são capazes de aprender fora da escola, com uma lógica de estudo e aprendizado mais flexível, como por exemplo, na internet”, destaca. Ainda segundo a professora, é necessário que haja uma reestruturação pedagógica no ensino básico, para estimular o jovem a continuar nas salas de aula.

Dedicação
A estudante Ana Flávia da Rocha Lopes, de 17 anos, está no grupo dos que buscam se dedicar aos estudos para, no futuro, conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. Cursando o segundo ano do ensino médio, a jovem não pretende parar de estudar tão cedo. “Eu tenho me esforçado muito para entrar na faculdade. Se não entrar de primeira, vou continuar tentando. E penso em não parar depois que sair da faculdade, porque ainda posso fazer uma pós-graduação”, disse.

Ana Flávia afirma que a preocupação com os estudos é pensando no futuro profissional. “O mercado de trabalho procura profissionais com curso superior e também foca na qualificação de quem ocupa os principais cargos”, relata.

Para a estudante, até mesmo quem não finalizou os estudos está percebendo a necessidade de se voltar às salas de aula em busca de formação. Porém, ela acredita que só há uma maneira de se diminuir a evasão escolar: “A educação básica é falha. Quando o jovem chega no vestibular, às vezes, não está preparado para o vestibular e não consegue entrar na universidade. É necessário um maior incentivo nas escolas e melhorar a alfabetização”.

Qualificação
O superintendente do ensino médio da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Pereira dos Santos, também aponta que a evasão escolar é preocupante e que, muitas vezes, o jovem acha que o ensino médio não o ajudará de maneira efetiva no mercado de trabalho.

“O próprio crescimento do país colabora para a volta dos alunos para a escola”, relata o superintendente. Isso se dá quando percebem que a falta de qualificação pode comprometer suas chances no mercado de trabalho. Esse reflexo é apontado na pesquisa, que afirma que a escolarização da população está interligada de maneira intrínseca com a formalização da economia goiana, que exige mais qualificação de seus funcionários.

Santos acredita que a tendência para os próximos anos é de que esses indicadores continuem melhorando, principalmente em relação à quantidade de alunos que chegam às universidades. “A entrada em um curso superior está mais democrática. Isso estimula o jovem a tentar ingressar em uma faculdade. E ele também percebe na prática, que se ele não tiver uma formação maior, ele vai estar sujeito a baixos salários, e ele não vai querer essa realidade”, disse o superintendente.

Ensino superior
Outro dado que chama a atenção na pesquisa é o crescimento do número de jovens com diploma de uma universidade. Em dez anos, houve um aumento de 4,8% no índice, alcançando 13,4% da população entre 16 e 24 anos. Ainda segundo o estudo, essa melhora no índice está diretamente ligada à maior oferta de vagas universidades e também à democratização do método de ingresso, como por exemplo, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Jayme Diogo Araújo, de 24 anos, está inserido nessa fatia de jovens goianos graduados antes dos 24 anos. Mesmo já tendo concluído o ensino superior, o estudante ainda mantém uma grande preocupação com os estudos. Formou-se em Publicidade e Propaganda em 2012, aos 22 anos, e seis meses depois, já havia ingressado em Master in Business Administration (MBA) em Comunicação e Mídias Digitais. Atualmente, junto com o curso, também faz uma pós-graduação em didática e gestão educacional. “Isso, fora o curso de inglês e diversos seminários e cursos que já fiz em outros estados”, reforça.

Além desse motivo, Jayme acredita que a maior exigência do mercado de trabalho por mão de obra especializada é outro fator que força o jovem a se manter na sala de aula e buscando cada vez mais informações. “Hoje em dia, quem não faz faculdade quase é considerado de outro mundo”, compara.

Para o estudante, a crescente preocupação dos jovens com os estudos apontada pela pesquisa se deve, principalmente, pelas exigências do mercado de trabalho. Segundo Jayme, aqueles que entram sem uma qualificação apropriada percebem que estão em desvantagem e também acabam procurando fazer novos cursos.

E até mesmo as próprias empresas observam a necessidade de investir em seus empregados. “Muitas companhias, hoje em dia, dão incentivos para que façam cursos, tanto técnicos quanto de graduação. Também há uma facilidade em se negociar mudanças de horário devido a essa qualificação”, aponta.

G1