Paulo André: No futebol, Globo só pensa em seus próprios interesses

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globoA Globo, fazendo o papel da CBF, recebeu o Bom Senso hoje para “discutir” os problemas do futebol brasileiro. Escudando a entidade para distrair os interessados no tema, ela está a defender única e exclusivamente seus próprios interesses.

A parceria Globo/CBF, numa tática de intimidação, “controla” (financeiramente) seus 47 membros que ditam os rumos do futebol no Brasil – 20 clubes da série A e 27 Federações Estaduais – e joga no melhor estilo chinês, “bárbaros contra bárbaros”, ou seja, clubes versus jogadores versus torcedores, fazendo uma cortina de fumaça para desviar o foco da “incompetência” de uma e da real intenção da outra – a manutenção do poder.

Ao se tornar “amigável mediadora”, dispersa a confusão em “suas fronteiras” (mudança de calendário, horário dos jogos, democratização do estatuto da CBF, fortalecimento da marca dos clubes, divisão mais justa dos direitos de transmissão, medidas que visem o aumento da torcida nos estádios, fair-play financeiro e etc) para que os “invasores” – clubes, atletas, torcedores, novas ideias – se “matem” em um impossível acordo entre as partes.

Assim como o futebol praticado atualmente em nosso país, esses dirigentes apostam alto na retranca e seguram o jogo para conquistar a manutenção do modelo atual, apesar de comprovadamente fracassado.

Se perdemos dentro de campo para a Alemanha do futebol coletivo, de troca de passes e de infiltrações, devemos utilizar essa mesma tática fora das quatro linhas para romper a barreira que nos impede de modernizar a estrutura do futebol nacional. Para tanto é necessário dar voz à coletividade, aos principais atores – Atletas, torcedores, técnicos, cientistas, estudiosos, clubes, CBF e a própria TV, mas esta última, não como mediadora e sim, na importante posição de detentora dos direitos de transmissão -.

O debate precisa ser ampliado e com uma mediação isenta, preocupada em reformar a legislação, a regulamentação e as relações do esporte nacional para que essas mudanças contemplem não apenas benefícios à algumas partes, mas à todas as dimensões do futebol brasileiro. Defender o esporte, fortalecer o campeonato e a marca dos clubes e oferecer o um produto melhor e mais acessível a todos os consumidores/torcedores deveria ser o objetivo final da CBF.

Viomundo