Panama Papers: líderes citados em supostos esquemas de sonegação negam irregularidades

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Segundo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, vazamento de informações tem o objetivo de desestabilizar a situação na Rússia

Líderes citados nos “Panama Papers” negaram, durante o domingo (03/04) e nesta segunda-feira (04/04), envolvimento com as denúncias apresentadas nos documentos vazados do escritório de advocacia Mossak Fonseca, do Panamá. As informações, divulgadas no final de semana, revelam como o escritório teria auxiliado clientes a evitar sanções e o pagamento de impostos e a lavar dinheiro.

Segundo a BBC, os documentos mostram ligações com 72 chefes de Estado atualmente no poder ou que já ocuparam o cargo.

Na Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o vazamento pretende desestabilizar a situação no país. “Embora Putin não figure de fato, para nós está claro que o alvo principal desta filtragem é nosso presidente, sobretudo perto das eleições parlamentares e das presidenciais em dois anos, e a estabilidade política em nosso país”, afirmou Peskov.

Os documentos ligariam Vladimir Putin a um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que envolve o banco russo Rossiya e várias pessoas próximas ao presidente. De acordo com a BBC, os fundos eram passados a empresas em paraísos fiscais em nome de pessoas próximas ao dirigente russo, como o músico Sergei Roldugin, um de seus melhores amigos.

Peskov classificou a investigação de “pouco profissional e qualificada” e acusou o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), que divulgou as informações, de ser uma fachada para “antigos membros do Departamento de Estado (dos Estados Unidos), a CIA e outros serviços especiais”.

Islândia

Na Islândia, o premiê do país, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, tem enfrentado pressões para deixar o cargo. Ele é acusado de esconder milhões de dólares em investimentos aplicados em bancos por meio de empresas offshore.

Documentos mostram que ele e sua mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir, compraram a empresa Wintris em 2007. No entanto, segundo as informações, não declarou sua participação na empresa quando assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2009 e vendeu 50% da companhia para a esposa por US$ 1 (R$ 3,6) depois de oito meses.

O premiê nega as acusações e diz que não infringiu nenhuma regra. Diz também que ele e a esposa não se beneficiaram financeiramente das decisões tomadas à frente do cargo.

Argentina

Na Argentina, por meio de comunicado oficial, a presidência informa que o mandatário do país, Mauricio Macri, “nunca teve nem tem” participação no capital da empresa Fleg Trading Ltd, nas Bahamas.

“Perante as consultas jornalísticas sobre a existência de uma sociedade denominada Fleg Trading Ltd, que estaria registrada em jurisdição das Bahamas, a presidência da Nação informa que o senhor Mauricio Macri nunca teve, nem tem, uma participação no capital dessa sociedade”, informou o comunicado.

Segundo o texto oficial, a “sociedade, que tinha como objeto participar de outras sociedades não financeiras como investidora ou holding no Brasil, era vinculada ao grupo empresarial familiar e, portanto, o senhor Macri fora designado ocasionalmente como diretor, sem participação acionaria”. O comunicado informa que a empresa consta na “Declaração Jurada de seu pai, Franco Macri”.

Brasil

No Brasil, os documentos revelam 107 novas offshore ligadas a pessoas citadas na Operação Lava Jato. No país, a prática não é ilegal se tiver sido declarada à Receita Federal. Aparecem entre os envolvidos o Presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB-AL) e o ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Ao jornal El País, Cunha negou, por meio de sua assessoria de imprensa, ser proprietário de qualquer empresa offshore. “O presidente Eduardo Cunha desmente, com veemência, estas informações”, afirmou, em nota.

Os documentos citam também o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, os presidentes chinês, Xi Jinping, sírio, Bashar al-Assad, além de personalidades como o ator Jackie Chan, o jogador argentino de futebol Lionel Messi e o cineasta espanhol Pedro Almodovar.

Pedro e o irmão, Agustín Almodóvar, aparecem como representantes da sociedade Glen Valley Corporation registrada nas Ilhas Virgens britânicas entre 1991 e 1994.

Em um comunicado divulgado à imprensa, o irmão do diretor informou que era o único responsável pela gestão. “Pedro e eu dividimos as tarefas e obrigações de uma forma muito clara. Eu tomei conta de todos os assuntos referentes à gestão da empresa, e ele se dedicou a todos os aspectos criativos”, disse.

Segundo o jornal espanhol Sport, Messi entrará com processo judicial contra o Comitê de Jornalistas e o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que divulgaram as informações. O jogador do Barcelona e o seu pai estariam envolvidos na compra da empresa Mega Star Entreprises, com sede no Panamá.

Bashar al-Assad, Xi Jinping, Hosni Mubarak e Jackie Chan não comentaram o caso até o momento.

Os dados foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e compartilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Segundo o diretor do Consórcio de Jornalistas, Gerard Ryle, os documentos tratam do cotidiano de negócios do Mossack Fonseca nas últimas quatro décadas. “Acredito que o vazamento será o maior golpe que o mundo de empresas offshore já sofreu por conta da dimensão dos documentos”, afirmou.

O escritório Mossack Fonseca diz que opera há 40 anos legalmente e que nunca foi acusado de nenhum crime e que sempre seguiu protocolos internacionais para evitar que suas consultorias sejam usadas para fins de evasão fiscal e lavagem de dinheiro.