Pai registra queixa na polícia por não conseguir vacinar a filha em Goiânia

paiMoradores da região noroeste de Goiânia reclamam de dificuldades para vacinar os filhos na rede pública de saúde. Após buscar a imunização para a filha de 2 meses por sete vezes, sem sucesso, o professor Alonso Ribeiro, que também é líder comunitário, decidiu registrar um boletim de ocorrência contra a prefeitura para denunciar o problema. “Isso é uma falta de vergonha. A gente está se humilhando em busca de um direito. Por isso que fui até a polícia para pedir ajuda”, explicou.

Nas unidades de saúde não é difícil encontrar pessoas que também não conseguiram atendimento. No Posto de Saúde da Família (PSF) da Vila Mutirão, por volta das 8h30 desta terça-feira (22), alguns moradores já iam embora sem vacinar os filhos. “Eram umas 6h30 e já tinham umas 50 pessoas na fila. Mas eles só dão umas 20 fichas, então, não tem jeito. Minha filha já tem vacinas atrasadas por causa disso”, afirmou o contador Walter Moreira.

A vendedora Tandara Lopes conta que conseguiu a imunização para a filha após três idas ao local. No entanto, teve de chegar cedo. “Eu vim três vezes, da primeira, cheguei às 8h e disseram que não tinha mais. Da outra, também não tive sucesso. Aí hoje saí de casa às 5h e fiquei aqui esperando e só aí consegui por volta das 8h30”, conta.

A pensionista Eunice Dias Pereira também precisou madrugar para vacinar o neto, que tem 11 dias. “Cheguei às 5h, pois já tinha vindo uma vez às 7h e não tinha encontrado mais senhas. Acho isso um absurdo, a gente ter que vir ao posto na madrugada, com a mãe operada”, lamentou.

Uma funcionária do PSF, apenas identificada como Maria Helena, diz que a demanda de pessoas em busca de vacinas é superior ao que pode ser atendida no Cais. Ela afirma que novas salas de vacina precisam ser construídas.

Secretaria
Procurada pela reportagem, a coordenadora de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Grecia Pessoni, explica que o principal problema nessas unidades é a falta de funcionários. No entanto, a situação só deve ser normalizada após o mês de novembro. “Devido a um decreto da prefeitura para reorganização do orçamento, está proibida a contratação de novos servidores até o fim de novembro. Mas a secretaria está tomando medidas para minimizar os transtornos”, disse.

Sem atendimento na Vila Mutirão, muitos pais seguem para o Centro de Atendimento Integral à Saúde (Cais) do Jardim Curitiba, mas lá o problema também existe. Em julho do ano passado, a comunidade chegou a pedir melhorias para a Secretaria Municipal de Saúde. Em janeiro deste ano, a pasta informou que iria construir salas de vacina em dois centros de saúde da região, mas os moradores dizem que nada foi feito.

Alonso diz que esse foi mais um dos motivos que o levou a procurar a polícia.“Vários pais da região noroeste estão fazendo uma peregrinação por toda a região. Ontem [segunda-feira] estive nos Cais do Setor Finsocial e Cândida de Morais, mas não tinha vacina. Já lá na Vila Mutirão, fui sete vezes sem conseguir a vacina”, relatou.

Segundo ele, cada local conta com um tipo de justificativa para a falta de atendimento. “Eles dão duas explicações: a primeira, na Vila Mutirão, é que só existe uma funcionária, que só atende 20 senhas por dia. Em outros locais, nem sempre tem a dose da vacina para o procedimento. Em resumo, na região noroeste as cadernetas de vacina estão quase todas atrasadas”, afirmou Alonso.

A delegada Teresa Daniela Magri diz que nesses casos o melhor a fazer é procurar a Justiça. “Para estar buscando uma ordem judicial para a obrigação do atendimento de imediato. Mas as informações passadas por ele [professor] em uma ocorrência extrapolicial será encaminhada ao órgão competente”, explicou.

Reforço
A coordenadora de Imunização da SMS adianta que uma equipe especial vai reforçar o atendimento. “Foi acordado com o Conselho Municipal de Saúde, em reuniões, para que a gente faça uma equipe volante para que a gente consiga manter o funcionamento de todas as salas. Na Vila Mutirão, a demanda aumentou porque algumas salas ficaram fechadas por falta de funcionários. Então, essa equipe volante vai abrir todas essas salas, uma a cada dia da semana”, disse Grecia.

Ela diz ainda entender que a situação não pode permanecer sem uma solução imediata. “Não tiro a razão da população de reclamar, pois é uma situação constrangedora. Mas o que podemos fazer no momento é utilizar a equipe volante, que vai atender cada unidade da região pelo menos uma vez por semana. Também vamos abrir o atendimento para vacinação na Maternidade Nascer Cidadão para que os pais busquem atendimento”, garantiu.

G1

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