Obama diz não ter estratégia contra EI na Síria e envia Kerry para discutir aliança na região

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Em declaração na Casa Branca, presidente dos EUA também responsabilizou Rússia por escalada de violência na Ucrânia

obama“Ainda não temos uma estratégia”, disse o presidente Barack Obama nesta quinta-feira (28/08) em nova declaração sobre o avanço do grupo extremista EI (Estado Islâmico) na Síria e no Iraque. Falando da Casa Branca, o mandatário norte-americano afirmou não ter claros os planos de como atuar na Síria e pediu a seu secretário de Estado, John Kerry, que viaje ao Oriente Médio — sem especificar quais países — para consolidar uma coalizão regional contra os jihadistas.

“O que vi em algumas das informações de imprensa sugere que as pessoas estão se antecipando um pouco ao ponto onde estamos atualmente”, indicou, após frisar que, até o momento, as ações militares dos EUA estão focadas em assegurar que o EI não “tome as rédeas do Iraque”.

Obama disse que pediu que o secretário de Defesa, Chuck Hagel, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Martin Dempsey, preparem uma série de opções militares para combater o EI, e hoje se reunirá com eles e com o resto de seu Conselho de Segurança Nacional. “Temos que assegurar-nos que temos planos claros e os estamos desenvolvendo”, ressaltou.

O líder evitou esclarecer se requereria a aprovação do Congresso para uma eventual operação militar contra o EI na Síria, ao assinalar que “não faz sentido pedir a ação do Congresso antes de saber exatamente o que vamos fazer”.

Oposição síria “moderada”

Perguntado pela possibilidade de que a operação americana contra o EI ajude o líder sírio, Bashar al Assad, a manter-se no poder, Obama ressaltou que “a opinião internacional” é que esse chefe de governo “perdeu toda legitimidade”.

“Não acho que esta seja uma situação na qual tenhamos que escolher entre Assad e o povo que sofre a incrível violência que estamos vendo (com o EI). Seguiremos apoiando à oposição moderada dentro da Síria em parte porque temos que dar ao povo do país uma opção que não seja o EI nem Assad”, opinou.

“E não vejo um cenário no qual Assad seja capaz de levar a paz e a estabilidade a uma região que é majoritariamente sunita”, acrescentou.

Obama iniciou neste mês uma campanha de bombardeios seletivos contra posições do EI no Iraque, a fim de proteger instalações e pessoal americano no país e conter o avanço dos jihadistas, que no final de junho declararam um califado nos territórios sírios e iraquianos sob seu controle.

A decapitação do jornalista americano James Foley, sequestrado e assassinado pelo EI, aumentou a pressão sobre o governo de Obama para combater o grupo jihadista também na Síria, um território onde até agora se mostrou reticente a intervir.

Rússia e Ucrânia

Também hoje, Obama responsabilizou a Rússia pela escalada de violência na Ucrânia e apontou os movimentos de tropas russas denunciados por Kiev como a prova dessa agressão. A reprimenda a Moscou veio em comum acordo com a Alemanha, após Obama ter conversado por telefone com a chanceler Angela Merkel.

Obama evitou falar de “invasão” ao reagir em entrevista coletiva à denúncia do presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que tropas regulares russas com armamento pesado entraram em território ucraniano, e definiu o incidente como uma “continuação” das ações da Rússia nesse país “nos últimos meses”.

“A Rússia violou deliberada e repetidamente a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, e as novas imagens das forças russas dentro da Ucrânia deixaram isso claro para que todo o mundo o veja”, sentenciou Obama. Além disso, Obama anunciou que no próximo mês se reunirá na Casa Branca com o líder ucraniano para analisar a crise.

(*) Com informações da Agência Efe

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