“O Lobo Atrás da Porta” mostra crime e triângulo amoroso em subúrbio do Rio

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cinemaO espaço é o que primeiro chama a atenção em “O Lobo Atrás da Porta”, filme do diretor Fernando Coimbra que estreia nesta quinta-feira (5). Tantas vezes retratado no cinema, o Rio de Janeiro parece muito diferente: em vez das favelas e das praias da zona sul, vemos a estação Oswaldo Cruz do trem e as casas de Marechal Hermes.

O foco, aqui, é o subúrbio e a classe média, uma escolha que por si só distancia “O Lobo Atrás da Porta” de muitos dos estereótipos do cinema brasileiro. O filme também foge ao padrão por ser um thriller de suspense, gênero pouco explorado pela produção nacional.

A fotografia de Lula Carvalho e a trilha sonora de Ricardo Cruz ajudam a construir o clima de tensão, enquanto o roteiro, escrito pelo próprio Coimbra, se recusa a apresentar os personagens logo de cara, entregando aos poucos as peças do quebra-cabeça.

No filme, Bernardo (Milhem Cortaz) e Rosa (Leandra Leal) se conhecem em uma estação de trem, voltando para casa após um dia qualquer de trabalho. Apaixonados, mantêm uma relação amorosa apesar de ele ser casado e ter uma filha com Sylvia (Fabíula Nascimento).

Quando a criança é sequestrada, Bernardo, Rosa e Sylvia têm de prestar depoimento, e é pela narração de cada um – principalmente dos amantes – que a história se constrói: a primeira conversa, os encontros secretos, as brigas e os sonhos que terminariam por levá-los àquela delegacia.

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Os depoimentos servem bem à narrativa porque transformam “O Lobo Atrás da Porta” em um filme de versões. Apesar de ser um thriller, importa menos o que aconteceu, e mais o modo como cada personagem conta sua história.

Para o espectador, é difícil saber quem fala a verdade e fácil mudar de julgamento – em mais de uma ocasião, quem parece vítima logo se transforma em vilão e vice-versa.

Coimbra se esforça para evitar que o julgamento venha do filme. Em última instância, argumenta que mesmo atos cruéis estão relacionados à condição humana; que, como indica o título, todos possuem um lado obscuro, um instinto que pode se manifestar em tragédia.

É uma pena que a energia das primeiras cenas de “O Lobo Atrás da Porta” diminua conforme a ação deixe a delegacia e os depoimentos passem a ser encenados em flashbacks. A estrutura mais convencional tira força da história, mas o interesse se mantém sobretudo graças ao ótimo elenco, com boas interpretações do trio principal – Leal, Cortaz e Nascimento – e também de Juliano Cazarré, no papel de investigador.

Notícia postada em  

  • 5 de junho de 2014
  • Da Redação