Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Olimpíadas

O dedo de Lula nas medalhas de Tóquio

Redação
8 de agosto de 2021

O Brasil deixa os Jogos Olímpicos de Tóquio com a melhor campanha na história do megaevento esportivo. O país conquistou 21 medalhas nos 19 dias de competições, em 13 modalidades diferentes, com sete ouros, seis pratas e oito bronzes. Um resultado que significa a 12ª colocação no quadro de medalhas, tanto na contagem de ouros quanto no total de pódios. Até então, a melhor campanha registrada havia sido em casa, no Rio, em 2016, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes.

Em comum a 19 dos 21 pódios do país (90,45), a presença do Bolsa Atleta, programa de patrocínio individual do Governo Federal Brasileiro. A conexão entre os medalhistas e os repasses federais só não esteve presente no ouro do bicampeonato olímpico do futebol, porque o masculino não integra o Bolsa Atleta, e na prata de Rayssa Leal no skate street, porque a jovem de 13 anos ainda não tem idade suficiente para integrar o programa, que é de 14 anos.Ana Marcela: imbatível nas maratonas aquáticas. Uma das quatro mulheres medalhistas de ouro na delegação nacional. Foto: Breno Barros/ rededoesporte.gov.br

Ao todo, são seis ouros, cinco pratas e oito bronzes com a presença de atletas contemplados pelo programa executado pela Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania e intensa presença feminina, com três desses seis ouros, conquistados por quatro medalhistas: Ana Marcela Cunha (maratonas aquáticas), Martine Grael e Kahena Kunze (vela) e Rebeca Andrade (ginástica artística). As mulheres totalizaram nove pódios (quatro pratas e dois bronzes) no Time Brasil. Ao todo, conquistaram 42,3% das medalhas do país, superando os 41,2% de Pequim 2008.

A campanha dos bolsistas seria suficiente para transformar a “Nação Bolsa Atleta” na 15ª no quadro de medalhas, à frente de todos os países da América do Sul (com exceção do Brasil) e de países como Coreia do Sul, Noruega, Suécia, Bélgica e Jamaica (país com grande tradição nas provas de velocidade do atletismo).

Programa criado por Lula

O programa Bolsa Atleta foi criado no dia 25 de julho de 2005, o ex-presidente Lula lançou o Programa Bolsa Atleta, considerado o maior programa de patrocínio individual direto do mundo. Nas Olimpíadas de Tóquio, no Japão, 16 anos depois, 242 competidores brasileiros são bolsistas integrantes do programa. Eles representam 80% dos 302 atletas que compõem a delegação do Brasil nos jogos, de acordo com a própria Agência Brasil, site de notícias do governo federal.

Em 18 das 33 modalidades de que o Brasil participa, 100% dos atletas recebem a bolsa. O acesso direto do esportista ao benefício – sem intermediação de clubes ou associações – permite maior flexibilidade de uso. São 12 parcelas, renováveis, recebidas diretamente em conta de pessoa física na Caixa Econômica. Os valores variam entre R$ 370, para atletas de base, e R$ 15 mil, para medalhistas olímpicos.

Como afirmou Lula durante a cerimônia de lançamento do programa: “Muitas vezes o esporte foi tratado como gasto, não como investimento. Graças à compreensão do Governo Federal passou a ser tratado como política pública”.

“Precisamos fazer com que o povo brasileiro entenda que é papel do Estado dar condições para que todas as pessoas, independentemente da sua origem social, independentemente da sua cor, do seu credo religioso ou da sua opção partidária, que todas as pessoas sejam colocadas no mesmo banco de oportunidades”, completou Lula.

Entre 2005 e 2015 foram concedidas 43 mil bolsas para 17 mil atletas brasileiros. O programa garante condições mínimas para que eles se dediquem ao treinamento e competições locais, sul-americanas, pan-americanas, mundiais, olímpicas e paraolímpicas.

Investimento

Segundo um levantamento da área técnica do Ministério da Cidadania, no ciclo entre os Jogos Rio 2016 e Tóquio 2021, o grupo de medalhistas das modalidades individuais e em dupla, responsável por 19 das 21 medalhas, recebeu R$ 8,3 milhões de forma direta, via Bolsa Atleta.  Quando se leva em conta a relação histórica dos esportistas com o programa, desde 2005, o montante investido sobe para R$ 12,7 milhões.

A delegação brasileira como um todo em Tóquio contou com 302 titulares, inscritos em 35 modalidades. Desses 302, 242 são atualmente integrantes do Bolsa Atleta, ou 80% da delegação. Se o futebol masculino, que não integra o programa, for retirado da conta, o percentual sobe para 86%. Em 19 das 35 modalidades com representantes nacionais em Tóquio, 100% dos atletas pertencem ao Bolsa Atleta.

“O Governo Federal é o maior apoiador do esporte de alto rendimento no Brasil, com R$ 745 milhões investidos todos os anos por meio do Bolsa Atleta, da Lei de Incentivo ao Esporte e da Lei das Loterias. Seguiremos com essa postura de parceria e investimento”

João Roma, ministro da Cidadania

“O Governo Federal é o maior apoiador do esporte de alto rendimento no Brasil, com R$ 745 milhões investidos todos os anos por meio do Bolsa Atleta, da Lei de Incentivo ao Esporte e da Lei das Loterias. Seguiremos com essa postura de parceria e investimento”, ressaltou o ministro da Cidadania, João Roma, que foi o representante do Governo Federal na cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio.

Ineditismos

A campanha nacional teve uma série de ineditismos. Na ginástica artística, uma das 19 modalidades da delegação nacional em que 100% dos integrantes eram bolsistas, Rebeca Andrade conquistou as duas primeiras medalhas femininas do esporte, com uma prata no individual geral e um ouro no salto. Outro pódio sem precedentes no esporte nacional foi a medalha de bronze na dupla do tênis feminino, conquistada por Laura Pigossi e Luisa Stefani.

No boxe, o Brasil protagonizou a melhor campanha de sua história, com um ouro, uma prata e um bronze, superando até a previsão do treinador chefe da equipe, Matheus Alves, que esperava que o país chegasse a uma final e conquistasse um bronze.

O título olímpico veio dos punhos de Hebert Conceição, que aplicou um dos nocautes mais impressionantes dos Jogos, o primeiro em uma final desde a edição de 1980, para virar uma luta que parecia perdida contra o ucraniano Oleksandr Khyzhniak, até então imbatível entre os médios. Além de Hebert, Beatriz Ferreira ficou com a prata e Abner Teixeira levou o bronze. Os três integram o Bolsa Atleta.

“Com 15 anos comecei a receber o Bolsa Atleta e era a minha única e principal fonte de renda. Eu passei a conseguir focar só nos treinamentos. O programa apoia, mata a fome e alimenta o sonho de muitos jovens brasileiros e isso é importante”, comentou Hebert.Isaquias Queiroz: ouro no C1 1.000m e quatro medalhas olímpicas conquistadas em duas edições dos Jogos. Foto: Breno Barros/ rededoesporte.gov.br

“Com 15 anos eu comecei a receber o Bolsa Atleta e era a minha única e principal fonte de renda. Eu passei a conseguir focar só nos treinamentos. O programa apoia, mata a fome e alimenta o sonho de muitos jovens brasileiros e isso é importante”

Hebert Conceição, ouro no boxe na categoria dos médios

Já no Estádio Olímpico de Tóquio, Alison dos Santos brilhou na prova mais rápida da história dos 400m com barreiras já realizada. Para se ter uma ideia, os três atletas que subiram ao pódio seriam campeões olímpicos em qualquer uma das edições da prova realizadas antes de Tóquio. Alison ficou com o bronze e bateu o recorde sul-americano pela sexta vez em 2021. Na mesma noite, Thiago Braz voltou a brilhar no salto com vara. O campeão olímpico dos Jogos Rio 2016 acrescentou um bronze à sua coleção. Ambos integram a categoria Pódio. 

Tradição mantida

O judô manteve a tradição de subir ao pódio em todas as edições de Jogos Olímpicos de forma ininterrupta desde 1984. Os protagonistas em Tóquio foram Daniel Cargnin, bronze na categoria -66kg, e Mayra Aguiar. A bicampeã mundial chegou ao terceiro bronze olímpico seguido na categoria -78kg. Daniel e Mayra também são da categoria Pódio do Bolsa Atleta.

“O apoio para o atleta, não só de alto rendimento, é essencial. Isso incentiva muito a pessoa a continuar. Eu entrei muito cedo no Bolsa Atleta, ainda na categoria Estudantil, depois passei para a Nacional, depois para a Pódio. Eu vivi uma evolução, sabe? É uma coisa que sempre me ajudou a me manter no judô. O alto rendimento é difícil, mas com esse apoio eu me sentia tranquilo para treinar, ter um plano de saúde bom. Isso tudo desencadeia coisas positivas para um atleta chegar lá”, afirmou Cargnin.

Novidades no pódio

Nas modalidades recém incluídas no programa olímpico e, por consequência, no Bolsa Atleta, o país brilhou nas pistas de skate e nas ondas. No surfe, Ítalo Ferreira conquistou o ouro na competição disputada na praia de Tsugaraki, em Ichimoya, a 100km de Tóquio. Nas pistas de street e park na região de Ariake, foram três pódios no skate, com as pratas de Rayssa Leal e Kelvin Hoefler, no street, e de Pedro Barros, na categoria park.Pedro Barros, prata no skate park, uma das modalidades estreantes no programa de Tóquio. Foto: Breno Barros/ rededoesporte.gov.br

“Pelo menos para mim, o Bolsa Atleta foi crucial nesses últimos cinco anos. Depois da Olimpíada do Rio, perdi absolutamente todos os patrocínios e não tive o contrato com o clube renovado. Hoje sou medalhista olímpico, mas já passei por situações onde num domingo você nada uma final olímpica e na segunda não tem mais nada entrando. O Bolsa Atleta segura a gente nesses momentos. É o que te dá tranquilidade. Você tem o lastro do Governo Federal do Brasil te incentivando e te empurrando para frente”

Bruno Fratus, bronze nos 50m livre da natação

Águas douradas

Na canoagem, Isaquias Queiroz mostrou porque é um dos atletas mais respeitados na categoria C1 1.000m. O campeão mundial ganhou com sobras a competição em Tóquio e chegou a quatro medalhas em sua coleção olímpica: um ouro, duas pratas e um bronze.

Em outras águas o Brasil também teve destaque. Na natação, Bruno Fratus chegou ao bronze que almejou em três edições de Jogos Olímpicos na prova mais rápida da modalidade, os 50m livre. Fernando Scheffer, por sua vez, renovou a tradição construída por Gustavo Borges e conquistou a terceira colocação nos 200m livre.

“Pelo menos para mim, o Bolsa Atleta foi crucial nesses últimos cinco anos. Depois da Olimpíada do Rio, perdi absolutamente todos os patrocínios e não tive o contrato com o clube renovado. Hoje sou medalhista olímpico, ok, mas já passei por situações onde num domingo você nada uma final olímpica e na segunda não tem mais nada entrando. O Bolsa Atleta segura a gente nesses momentos. É o que te dá tranquilidade. Você tem o lastro do Governo Federal do Brasil te incentivando e te empurrando para frente”, disse Fratus.

E, em mais uma demonstração de força feminina na delegação nacional, Martine Grael e Kahena Kunze entraram para o seleto grupo de bicampeãs olímpicas ao conquistarem o título da categoria 49er FX pela segunda vez consecutiva. Para completar, Ana Marcela Cunha adicionou ao seu currículo praticamente irretocável nas provas em águas abertas o título olímpico nos 10km das maratonas aquáticas. A atleta baiana é integrante do Bolsa Atleta há quase dez anos. 

Vôlei de prata

A última medalha brasileira veio no vôlei feminino. A seleção foi superada pelos Estados Unidos na final por 3 sets a 0 e ficou com a prata. No masculino, a equipe perdeu a disputa do bronze no tiebreak para a Argentina e ficou fora do pódio olímpico pela primeira vez desde 2004, nos Jogos de Atenas. No vôlei de praia, outra modalidade tradicional do país, as quatro duplas nacionais não chegaram ao pódio, interrompendo uma tradição que se mantinha desde 1996, em Atlanta.  

Com o resultado, o Brasil sai de Tóquio com 11 medalhas olímpicas na história do vôlei de quadra. São cinco ouros (conquistados pela seleção masculina em Barcelona 1992, Atenas 2004 e Rio 2016 e pela seleção feminina em Pequim 2008 e Londres 2012). Adicionalmente, o país ostenta quatro pratas (equipe masculina nas edições de Los Angeles 1984, Pequim 2008 e Londres 2012, além do vice-campeonato feminino em Tóquio) e dois bronzes (com as mulheres em Atlanta 1996 e Sydney 2000). Dezesseis dos 24 jogadores convocados (entre os homens e as mulheres) para o vôlei são contemplados pelo Bolsa Atleta.

A campanha também foi superlativa porque foi apenas a segunda vez que um país apresenta melhora de resultados após ter sediado os Jogos na edição anterior. Antes, somente a Grã-Bretanha havia alcançado tal feito: abrigou o evento em Londres 2012 e obteve desempenho superior no Rio 2016. 

Premiação

O Comitê Olímpico do Brasil anunciou que vai oferecer aos medalhistas olímpicos as maiores premiações em dinheiro já distribuídas pela entidade: são R$ 250 mil aos campeões em provas individuais, R$ 500 mil para duplas e R$ 750 aos esportes coletivos. Em cada categoria, os vice-campeões vão receber 60% deste valor e os medalhistas de bronze, 40%. 

Sem casos de Covid

A Missão do Brasil em Tóquio também foi bem sucedida nos protocolos sanitários assumidos por atletas, treinadores e oficiais. Nenhum caso positivo foi registrado na delegação brasileira durante os Jogos. E, mesmo com boa parte dos integrantes vacinada, os cuidados com a saúde seguiram sendo os mesmos: testagem diária obrigatória e monitoramento dos riscos pela equipe médica, entre outras medidas.

“E o nosso protocolo também seguirá com o monitoramento por 14 dias no retorno ao Brasil. Vamos monitorar a nossa delegação e ver se há algum sintoma porque, querendo ou não, todos vão enfrentar uma viagem de mais de 24 horas para voltar ao Brasil”, explicou a infectologista Beatriz Perondi, que integrou a Missão brasileira pela primeira vez e é especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, além de coordenadora da área de situações extremas do Hospital de Clínicas de São Paulo.

Com informações da rededoesporte.gov.br

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