NSAC adia discussão sobre mudança na lista de substâncias proibidas

Comissão alega falta de informação sobre jurisdição do órgão em primeira reunião após exame positivo de Jon Jones e promete comitê de estudo

comissaA reunião da Comissão Atlética do Estado de Nevada (NSAC) desta segunda-feira foi aguardada com bastante expectativa por incluir, em um de seus itens, uma discussão e “possível ação” sobre o programa de exames antidoping fora do período de competição da entidade. A inclusão do item foi motivada pelo resultado positivo de Jon Jones, atual campeão dos pesos-meio-pesados do UFC, para a substância benzoilecgonina, principal metabólico da cocaína, em exame realizado cerca de um mês antes de sua luta contra Daniel Cormier. O debate, todavia, ocupou apenas cerca de 15 minutos das cerca de duas horas de reunião da entidade, e pouco evoluiu: os comissários, alegando desconhecimento sobre a jurisdição da NSAC na área, adiaram a discussão e a tomada de qualquer decisão acerca do assunto.

O item sobre o programa antidoping era o 15º da programação da reunião, que atraiu diversos jornalistas da mídia especializada em MMA, e foi precedido por uma longa discussão sobre se Marc Goddard, experiente árbitro britânico que atua no UFC desde 2008, deveria receber uma licença para arbitrar lutas em Las Vegas. Mesmo com a presença de Marc Ratner, vice-presidente de assuntos regulatórios do UFC e ex-comissário em Nevada, para apoiá-lo, Goddard foi intensamente questionado pelos comissários e recebeu apenas uma licença para uma luta, que deve servir como oportunidade de avaliação para a entidade.

Quando a programação moveu para o item da discussão do programa antidoping, a comissária Pat Lundvall, responsável pelo estudo que avaliou a adoção de parte do código da Agência Mundial Antidoping (Wada) em 2007, afirmou que, na época, a NSAC adotou apenas a lista de substâncias proibidas pela agência, o que estava dentro de sua jurisdição. Ela advertiu que mudar quais substâncias eram proibidas dentro ou fora do período de competição talvez não estaria dentro da jurisdição do órgão, e que a questão precisava ser estudada. Chairman da comissão, Francisco Aguilar disse em seguida que sua intenção com a inclusão do item não era agir imediatamente, mas iniciar a discussão do assunto, e abriu as portas para a formação de um comitê de estudo para determinar se a NSAC poderia, de fato, se separar do código da Wada e mudar a lista de substâncias proibidas dentro e fora do período de competição. Em cerca de 15 minutos, a discussão estava encerrada e a programação seguiu aos itens seguintes.

Apesar do exame positivo para uso de cocaína em 4 de dezembro de 2014, Jon Jones não foi punido pela NSAC porque a benzoilecgonina não aparece na lista de substâncias proibidas fora de competição pela Wada, apenas para o período de competição, discriminado como até 12 horas antes do início da luta. Jones lutou em 3 de janeiro passado e derrotou Daniel Cormier por decisão unânime no evento principal do UFC 182, em Las Vegas. O resultado do exame foi divulgadoapenas dois dias depois do combate, em 5 de janeiro, e o campeão dos pesos-meio-pesados anunciou no mesmo dia que estava entrando numa clínica de reabilitação para dependentes químicos. O caso gerou polêmica sobre o que deveria ser considerado como período de competição para exames antidoping, já que os camps de treinamento no MMA podem durar até três meses, e sobre se Jones deveria ter recebido permissão para lutar após usar uma droga recreativa e ter quebrado o código de conduta para atletas do UFC. O presidente da companhia, Dana White, alegou que o contrato do campeão lhe garantia o direito de lutar e impedia o cancelamento do combate, sem especificar as cláusulas que o detiam.

A programação da reunião da NSAC desta segunda também previa o julgamento de um recurso do peso-galo Francisco Rivera pela anulação de sua derrota para Urijah Faber no UFC 181, em 6 de dezembro passado, quando sofreu um cutucão no olho pouco antes de ser finalizado. Todavia, a comissão pediu que representantes da equipe de Faber e o árbitro da luta, Mário Yamasaki, estivessem presentes à audiência para testemunhar, e a discussão também foi adiada. Já a lutadora Ashlee Evans-Smith, pega no exame antidoping no mesmo evento por uso de diurético, foi suspensa temporariamente e recebeu uma garantia de que poderia defender seu caso numa próxima reunião da comissão.

Canal Combate

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