Novo Ford Ka transforma modelo anterior em peça de museu

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Esqueça os modelos anteriores do Ka que a Ford vendeu no Brasil até hoje. O novo veículo, agora na segunda geração de verdade, vai mudar a imagem da marca entre os compactos. O primeiro carro era até interessante na época em que foi lançado, em 1997, e introduziu um novo conceito de design diferenciado. Já a segunda linha (de 2008), uma adaptação “pouco inspirada” da primeira série, foi um acidente de percurso em termos de desenho e acabamento, mas necessária para transformar um modelo nascido como urbano em um popular mais aceitável, embora sem versão 4 portas.

Agora a Ford decidiu desenvolver um carro verdadeiramente moderno e voltado aos anseios do novo consumidor de automóveis compactos, que não compra mais com tanta frequencia modelos “pelados”. Chevrolet CeltaVolkswagen Gol e até mesmo o Ka anterior, que antes eram protagonistas do TOP 10 de vendas no Brasil graças às versões baratas, viraram meros coadjuvantes do segmento justamente por não oferecem nada de especial ou novo.

O Ka agora tem tudo de novo e vários itens especiais para conforto e economia de combustível. Desde a versão de entrada SE, o carro já traz de série ar condicionado e direção com assistência elétrica, que é muito mais eficiente que o antigo sistema hidráulico. Já na segunda variante, a SEL top de linha, a marca acrescentou itens como faróis de neblina, sistema multimídia Sync e controle eletrônico de estabilidade, equipamento de segurança que nenhum outro compacto nacional possui.

O visual também foi acertado. Segundo João Marcos Ramos, diretor de design da Ford do Brasil, o desenho do novo Ka foi criado com a intenção de ter personalidade, mas sem “fru fru”. A parte estética do carro foi alinhada a identidade global da marca, por isso, sob certos ângulos, o lançamento parece até um “mini-Focus”. “O Ka tem aparência de carro superior e o design dele não cansa”, contou Ramos, durante a apresentação do produto a imprensa.

Enquanto o Ka anterior apresentava resultados desastrosos em crash-test, o novo modelo, segundo a montadora, deve atingir pelo menos quatro estrelas (de cinco possíveis) no rigoroso teste do Latin NCAP, que testa aponta o nível de segurança dos veículos a partir de colisões frontais. A fabricante explica que o novo modelo tem carroceria com estrutura reforçada construída com com aço de alta resistência, além de conta com reforços no assoalho e longarinas. Mesmo com tantas peças metálicas, o carro consegue ser leve: pesa apenas 997 kg (vazio).

Por dentro do novo Ka

O interior do novo Ka parece uma versão diminuída da cabine do New Fiesta, em todos os detalhes. A parte central do painel combina dois tons de cores e inclui a série de botões verticais do sistema Sync (na versão SEL) – a versão SE não tem esses botões, mas possui um suporte para celular onde ficaria a tela da central multimídia. Já a posição de dirigir é típica dos carros da Ford, envolvendo o condutor. O volante repete o acabamento do painel, em duas tonalidades, e tem boa pegada e o painel com fundo branco tem até indicador de troca de marcha – que pode ser desligado.

Comparado às versões anteriores do Ka, o novo modelo ganhou mais espaço interno, apesar de suas dimensões terem aumentado pouco – o novo Ka tem 3,88 metros comprimento contra 3,83 m do antigo. Além de oferecer mais conforto no banco traseiro, essa pequena “esticada” na carroceria não elevou a capacidade do porta-malas, que caiu de 263 litros para 257 l.

O interior também oferece boa praticidade ao vir com 21 porta-objetos. Eles estão nas portas, no console e no painel. Tem até um compartimento secreto para guardar “cacarecos” mais especiais. Ele fica localizado entre as dobradiças da porta ao lado do motorista e só pode ser acessado com veículo aberto.

Outro recurso inédito no novo Ka é um sistema que chama o SAMU caso o veículo se envolva em algum acidente onde haja ativação de airbag. Esse recurso será aplicado em todos os carros nacionais da Ford de forma gradual.

Motor três cilindros

Depois de Hyundai e VW, agora foi a vez da Ford estrear seu motor 1.0 12V de três cilindros em um carro nacional. Esse novo bloco que equipa o Ka 2015 é uma variação do premiado propulsor 1.0 EcoBoost, que na Europa é oferecido com turbocompressor, chegando a render até 140 cv. No Brasil, porém, ele é aspirado e rende 85 cv e até 10,7 kgfm de torque, número obtidos com etanol – com gasolina o rendimento vai a 80 cv e 10,1 kgfm.

Com 85 cv, o Ford Ka passa a ser o compacto 1.0 mais potente do mercado, superando o VW up! com 82 cv. Seguindo a tendência, o modelo eliminou o tanquinho auxiliar de gasolina para partidas a frio ao receber um sistema que preaquece o etanol antes da ignição. Esse motor também é o único da categoria equipado com duplo comando variável de admissão e escape, recurso que melhora o fluxo de gases no interior do motor e assim melhora o rendimento e consumo.

O novo Ka pode ser o carro 1.0 mais potente do mercado, mas isso não significa que ele tem desempenho fora do comum em termos dinâmicos. É lento em arrancadas e retomadas como todo carro 1.0, mas em velocidade constante de cruzeiro (como na estrada) o modelo se aproveita do escalonamento mais longo das marchas, especialmente a quarta e quinta, para poupar combustível. Segundo números do Inmetro, o modelo roda na cidade 8,9 km/l com etanol ou 13 km/l com gasolina e na estrada os números sobem para 10,4 km/l e 15,1 km/l, pela ordem de combustível.

Pode ser lento (a marca não divulga números de performance), mas é tão gostoso de dirigir quanto um New Fiesta ou Focus. A direção é precisa e a suspensa firme oferece boa estabilidade. Ficou faltando apenas freios a disco nas rodas traseiras.

Mercado

Desta vez a Ford quer fazer bonito no segmento de compactos e quem sabe até virar referência. O plano da marca é vender mais de 10 mil unidades do novo Ka por mês e líder a categoria no varejo, título que vem variando nos últimos meses entre VW Gol e Chevrolet Onix. Os preços do carro, porém, não são nada parecidos com os da geração passada. A versão SE parte de R$ 35.390e a opção SE Plus, que traz sistema Sync e vidros traseiros elétricos, custa R$ 37.390. Por fim, o modelo top de linha saí por R$ 39.990. O carro chega às lojas da segunda metade de setembro.

Talvez sejam valores altos para um carro tão pequeno e com características populares, mas o mercado brasileiro vem mostrando que esse tipo de produto tem espaço.

IG