‘Não tinha desavença’, diz irmão de jovem morta por motociclista em GO

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Natural de Formoso, vítima se mudou para capital em busca ‘uma vida melhor’.
Caso é um dos 15 homicídios contra mulheres investigados pela Polícia Civil.

janainaA família de Janaína Nicácio de Souza, de 24 anos, que foi assassinada em um bar de Goiânia, luta para que o crime seja esclarecido. A execução da jovem é um dos 15 homicídios contra mulheres na capital investigados pela força-tarefa da Polícia Civil de Goiás. Irmão da vítima, o instalador de cortinas Jean Carlos Nicácio de Souza, 28 anos, conta que ela não “tinha desavença com ninguém”. “Não tem motivo, ela era alegre, gente boa, sempre queria ajudar todo mundo. Era uma ótima pessoa”, disse ao G1 o irmão mais velho de Janaína.

Natural de Formoso, no norte goiano, Janaína se mudou para a capital aos 14 anos. “Ela veio em busca de uma vida melhor e para poder ajudar meus pais”, conta Jean Nicácio. Casada há quase dez anos, a vítima era mãe de dois filhos, de 10 e 7 anos, e concluiu o ensino médio.

O instalador de cortinas conta que a família ficou “transtornada” com a morte de Janaína. Ele relata que tinha um bom relacionamento com a irmã: “Sempre fomos muito unidos, nos dávamos bem, nos víamos no final de semana, íamos um à casa do outro”.

Assassinato
O crime ocorreu na noite de 8 de maio deste ano, em um bar do Setor Jardim América, em Goiânia. Janaína estava com um amigo no local, mas estava sozinha quando foi alvejada, pois o colega havia ido ao banheiro.

Conforme a polícia, o motociclista se aproximou sem tirar o capacete e atirou nas costas da jovem, que morreu no estabelecimento. No boletim de ocorrência, consta que o amigo da vítima voltava do banheiro no momento em que a jovem foi baleada. Ele chegou a ver o suspeito, mas não foi atingido.

Jean Carlos disse que a família não tem informações sobre quem era o homem que estava com a irmã no bar. Para o instalador de cortinas, o fato de Janaína ter sido a única pessoa alvejada levanta a suspeita de que ela era o alvo do criminoso: “Ele [suspeito] já chegou atirando nela. Só atirou nela num bar lotado de gente”.

O irmão mais velho de Janaína não descarta que ela tenha sido vítima do suposto assassino em série. Entretanto, ele também suspeita que o crime possa ter sido premeditado, tanto pelo fato de ela ter sido a única baleada no bar quanto por ela trabalhar em uma boate, o que era desconhecido pela família até então.

“Ela falava que trabalhava três vezes por semana como diarista. Depois [do crime], disseram que ela também trabalhava em uma boate do Setor Campinas. Nem o marido dela sabia. Então, acredito que alguém pode ter mandado matá-la por causa do trabalho nesse lugar”, disse Jean Carlos.

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Os familiares de Janaína esperam que o criminoso seja identificado e condenado. “A gente sempre vai atrás de informações na polícia sobre o caso, mas nada até agora. O que a gente mais quer é que essa pessoa que fez isso vá para a cadeia”, afirma.

Força-tarefa
A força-tarefa da Polícia Civil investiga 15 assassinatos de mulheres, a execução de um homem e a tentativa de homicídio de uma jovem. Participam do grupo de investigação 16 delegados, sendo os nove da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), três que atuam em outras delegacias e mais três do interior do estado. Além deles, 30 agentes e dez escrivães também integram a equipe.

Segundo as investigações, os crimes tiveram dinâmica semelhante. Porém, as motocicletas usadas são de marcas e cilindradas diferentes, além das descrições físicas dos suspeitos não serem as mesmas.

No último dia 8, foi divulgada a prisão do primeiro suspeito de participar dos homicídios envolvendo mulheres na capital. No dia 9, a Polícia Militar prendeu um homem de 27 anos por roubo a panificadoras, mas, devido às características de sua motocicleta e de sua fisionomia, ele pode estar envolvido nos homicídios. A Polícia Civil informou que, por enquanto, o homem não é suspeito de cometer nenhuma morte, mas vai investigar. Mesmo assim, ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por receptação.

Série de assassinatos
O primeiro crime da série de assassinatos contra mulheres em Goiânia ocorreu em 18 de janeiro, quando Bárbara Luiza Ribeiro Costa, de 14 anos, foi executada por homens em uma motocicleta, no Setor Lorena Park, na capital. Na época, a polícia informou que eles roubaram o celular da vítima e fugiram.

Pela ordem cronológica, o assassinato de Janaína foi o sexto a ocorrer. A vítima mais recente foi Ana Lídia Gomes, 14 anos, em um ponto de ônibus no Setor Conjunto Morada Nova, no último dia 2 de agosto. Por causa das semelhanças dos crimes, o assassinato de Ana Lídia aumentou a desconfiança da população de que um assassino em série está agindo em Goiânia.

Desde maio, quando surgiu a possibilidade de que exista um “serial killer” na capital, após uma mensagem de voz compartilhada pelo aplicativo de celular Whatsapp, a Polícia Civil tratava o caso como um boato. No último dia 3 deste mês, a corporação voltou a afirmar que não crê na possibilidade de que um assassino em série esteja agindo em Goiânia, mas admitiu, pela primeira vez, que não descarta a hipótese.

G1