Mulheres são maioria entre eleitores nos dez maiores colégios de Goiás

0
64

Total de eleitoras está estável no estado, mas elas representam 51,89%.

mulheresO número de mulheres eleitoras em Goiás permanece estável neste ano, na comparação com as últimas eleições. De acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), as mulheres aptas a votar passaram de 2.178.817 em 2012 (51,63%) para 2.247.863 em 2014 (51,89%), o que representa 69.046 novas eleitoras do sexo feminino. Já o total de homens passou de 2.040.355 no último pleito (48,35%) para 2.083.040 neste ano (48,10%).

Nos dez maiores colégios eleitorais do estado, o percentual feminino é maior que o masculino. Em Goiânia, que ocupa a primeira posição no número de eleitores, são 509.409 mulheres contra 422.676 homens, o que representa 86.733 – ou 9,1% – mais eleitoras do sexo feminino. Situação semelhante ocorre em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, onde elas são 137.819 e eles, 119.548, ou seja 7% a mais.

Em Anápolis, o terceiro maior colégio eleitoral do estado, as mulheres aptas a votar somam 132.103 contra 115.088 de homens, uma diferença de 6,8%. Em Rio Verde, no sudoeste do estado, elas são 60.901 e eles, 57.646 (confira abaixo a tabela com as dez cidades com mais eleitores).

De acordo com o professor Sílvio Costa, que ministra a disciplina de Sociologia e Teoria Política na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), apesar das diferenças, o sexo do eleitor não é determinante para a escolha de um determinado candidato. “Não podemos fazer uma generalização do voto, pois o que muda o teor dele não é sexo do eleitor, mas o contexto social em que ele vive, o grau de instrução e o nível de informação de cada um. Não existe voto feminino ou masculino, existe a escolha de acordo com as necessidades ou interesses de cada um”, afirmou em entrevista ao G1.

Segundo Costa, questões sociais fizeram com que as mulheres fossem vistas como subalternas aos homens ao longo da história e isso gera uma ideia errada de que elas não entendem de política. “O fato de gerar filhos e, na maioria das vezes, ter a responsabilidade em criá-los, fez com que elas ficassem longe da vida em sociedade e fizessem toda a ligação através dos maridos”, explicou.

No entanto, a partir de 1933, as mulheres obtiveram o direito de votar e, desde então, a participação feminina cresce a cada ano. “Hoje, a inserção das mulheres no mercado de trabalho, com altos níveis de escolaridade, faz com que elas tenham espaço na política e ocupem, inclusive, altos cargos”, destacou.

O professor enfatizou que, em termos de voto, não é possível fazer distinção entre homens e mulheres. “Não podemos dizer que elas são mais influenciáveis ou vice-versa. A sociedade é dividida em partes, em partidos, e isso por si só já faz com que as pessoas tenham posições e opiniões diferentes. Mas o eleitor acaba escolhendo seu candidato de acordo com a sua realidade e ela muda de acordo com a inserção social de cada um”.

Já em relação às candidaturas, o professor alerta que esse ainda é um cenário majoritariamente masculino. “Caso a lei de cotas, que determina um percentual de mulheres entre os candidatos homens, não fosse criada, o número de candidatas com certeza não chegaria a 1%. E por mais que muitos partidos políticos respeitem o percentual determinado, isso ainda não representa de fato direitos iguais para ambos os sexos, já que a maioria das mulheres se candidata apenas para deixar a questão legal. A disputa, verdadeiramente, ainda acontece entre homens”, destacou.

O que elas pensam?
A aposentada Vera Lúcia Costa, 62 anos, que mora em Goiânia, diz que o fato de ser mulher não a afeta na hora de escolher um candidato. “Acho que esse é um momento importante, em que podemos demonstrar nossos desejos. Mesmo sendo mulher, busco um candidato pelas suas qualidades e não pelo sexo. Acho que todas as pessoas têm a mesma capacidade de governar e fazer o que é direito, da mesma forma que muitos se corrompem. Por isso, precisamos pensar na sociedade como um todo”, disse ao G1.

Vera Lúcia diz que fica feliz quando uma mulher assume um cargo expressivo, mas o que importa é o resultado que ela conseguirá obter na função. “Acho que elas são mais sensíveis do que eles e que podem olhar para algumas questões que só o público feminino conhece, por isso é importante que se elejam. Mas isso não exime a responsabilidade de que elas também pensem nos homens. E isso se aplica a eles também”, destacou.

A empresária Mariusa Dias Souto, 36 anos, diz que faz questão de votar em todas as eleições e que a escolha do candidato é feita de acordo com o caráter. “Se ele é homem ou mulher, independe. Analiso se a pessoa terá capacidade de fazer tudo aquilo que promete nas eleições. Neste ano, por exemplo, estou usando o critério da confiança para definir em quem vou votar”, afirmou.

Para as eleitoras mais jovens, que começam a trilhar agora os caminhos profissionais, a importância do voto já começa a tomar dimensão. “É algo muito sério e a gente nem sempre dá a atenção que deveria. Não adianta fazer manifestação, ir para a rua, se na hora de votar apenas faz aquilo que os outros estão fazendo. É preciso analisar o candidato, seja homem ou mulher”, disse a operadora de caixa Rayanne Moraes da Silva, 19 anos.

A auxiliar de produção Andrezza Pereira da Silva, também de 19 anos, que se diz indecisa nessas eleições, já começa a exercer seu papel como eleitora saturada com a forma com que os candidatos se apresentam. “Existe muita gente que só fala e depois some. Por isso acho importante conhecer um pouco mais sobre o histórico da pessoa em que vai votar, pois nem todos têm caráter de berço. Isso se aplica a homens e mulheres”, ressaltou a jovem.

G1