MP pede arquivamento de inquérito sobre sumiço de menino em Goiás

Emivaldo Brayan, 4, foi visto pela última vez no dia 4 de março, em Indiara.

emirvalO Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) pediu o arquivamento do inquérito policial que investigou o desaparecimento do menino Emivaldo Bryan, de 4 anos, que sumiu da própria casa no dia 4 de março deste ano. O padrasto do garoto, o motorista Luiz Paulo da Costa, chegou a ser indiciado pela polícia por homicídio e ocultação de cadáver. No entanto, segundo o promotor de Justiça Milton Marcolino, não existem provas suficientes que o incriminem e não há como sustentar a denúncia.

De acordo com o promotor, que analisou o inquérito por 30 dias e também fez oitiva dos familiares de Emivaldo, a Polícia Civil conduziu as investigações por sete meses, mas o corpo do menino não foi encontrado, assim como nenhum outro vestígio de que ele tenha sido assassinado.

“Neste caso não temos a materialidade do crime e muito menos os indícios de autoria. O corpo da criança não foi achado, muito menos vestígios ou qualquer tipo de prova que indique que esse menino tenha sido morto. Por exemplo, a perícia feita na casa e no carro da família sequer encontrou uma gota de sangue”, explicou.

Emivaldo foi visto pela última vez na noite do dia 4 de março, enquanto dormia na casa da família em Indiara, no sul do estado. Logo após o desaparecimento, a mãe da criança, a empregada doméstica Silmara Borges da Silva, disse que procurou pelo filho, mas não o encontrou. Já o padrasto relatou que percebeu que a porta da casa estava semiaberta. O Corpo de Bombeiros fez buscas na região por três dias, sem sucesso.

Segundo o promotor, durante as investigações, a polícia fez escutas telefônicas e na própria casa dos familiares do menino, mas nenhuma prova foi detectada. “Foras feitas inúmeras escutas ao longo dos sete meses e, nesse período, nem a mãe nem o padrasto fizeram qualquer afirmação que levasse a crer que eles eram autores de um homicídio. Além disso, foi instalada uma escuta dentro da casa da Silmara e da sogra [mãe de Luiz Paulo] e absolutamente nada foi obtido”, explicou.

Detector de mentiras
Em julho passado, o padrasto e a mãe do garoto foram submetidos a uma entrevista com um detector de mentiras. Segundo o delegado responsável pelo caso, Queops Barreto, o teste revelou que o homem mentia ao afirmar que tinha um bom relacionamento com Emivaldo, que nunca havia batido na criança e que não sabia o que havia acontecido com ela. Já a participação da mãe no crime foi descartada.

“O resultado dessa entrevista foi de encontro com outros elementos da investigação, como um laudo psicológico, que apontou que ele é dissimulado e instintivo, além do depoimento de testemunhas, que disseram que ele brigava com o menino”, afirmou o delegado na época.

Porém, de acordo com o promotor, o resultado do detector de mentiras não serve como base para a acusação. “Esse detector, no nosso sistema jurídico, não tem valor probante. Ele serve como um indicativo para que a polícia continue as investigações e adote alguns procedimentos. Então ele não tem valor. Se tivesse, seria muito fácil, pois a gente o aplicaria em todos os casos e teríamos um resultado muito mais rápido”, explicou.

Marcolino ressaltou que fez o pedido de arquivamento do inquérito à Justiça e que o caso passará a ser tratado como de uma criança desaparecida. “Promovemos o inquérito e, pela nossa experiência, provavelmente ele será arquivado. Muitas pessoas acham que essa medida é uma injustiça, mas seria uma injustiça ainda maior se nós promovêssemos uma ação penal contra um inocente e o mandássemos para a cadeia”, concluiu.

Segundo o promotor, agora o MP-GO aguarda o posicionamento do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), o que ainda não tem prazo para acontecer.

Desaparecimento
O desaparecimento de Emivaldo foi percebido pela irmã dele, Jussiane Passos da Silva, de 6 anos, que dormia no mesmo quarto. “Amanheceu o dia, eu não esperava ter essa noticia: ‘Mãe, o Emivaldo não está na cama’. Falei, se ele não estiver na cama, ou está no sofá deitado lá, ou está brincando com o cachorrinho. Fui ao quarto, procurei na sala, dentro dos guarda-roupas, procurei em tudo e não achei”, disse a mãe das crianças na época do sumiço.

Na madrugada do dia em que o menino desapareceu, o padrasto de Emivaldo alegou que encontrou a porta da residência semiaberta. “Topei a porta meio aberta, mas pensei que ela [a esposa] tinha esquecido na hora de dormir. Então, encostei e saí”, afirmou. A única coisa que a família sentiu falta após o desaparecimento foi de um dos controles que abrem o portão da casa.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e procurou pelo menino por três dias. Segundo a corporação, uma área de pelo menos cinco alqueires próximo a casa onde a criança morava com a família foi vistoriada, mas nada foi encontrado. A polícia também não encontrou nenhuma pista sobre o paradeiro do garoto.

No dia 6 de março passado, a mãe e o padrasto de Emivaldo prestaram novo depoimento. De acordo com o delegado, no dia do interrogatório, ele convocou os parentes para esclarecer algumas dúvidas que surgiram ao longo da investigação. Na porta da delegacia, Silmara brigou com os pais. Em busca de notícias sobre o neto, os avós de Emivaldo foram até a delegacia. Lá, eles pegaram a outra neta no colo. Silmara tentou pegar a criança de volta e acabou trocando tapas e empurrões com os pais.

Após uma briga na Justiça, a avó materna de Jussiane, a auxiliar de cozinha Sirlene Borges, ficou provisoriamente com a guarda da neta.

G1

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