MP denuncia suposto serial killer por morte de jovem baleada em semáforo

Juliana Neubia foi morta no carro em que estava com namorado e amiga.

juliana2O Ministério Público de Goiás (MP-GO) ofereceu denúncia, nesta segunda-feira (9), contra o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, pela morte de Juliana Neubia Dias, de 22 anos. A jovem foi baleada no rosto quando estava parada dentro do carro, em um semáfaro do setor Jardim América, emGoiânia.

Essa é a sexta denúncia contra o suspeito, que é apontado pela Polícia Civil como serial killer responsável por uma série de assassinato contra mulheres. Preso em outubro do ano passado, ele confessou ter matado 29 pessoas desde 2011.

Para o promotor de Justiça Maurício Gonçalves de Camargo, autor da denúncia, Tiago deve responder por homicídio duplamente qualificado. Segundo a acusação, “o crime foi praticado por motivo torpe, decorrente da satisfação mórbida de prazer que o denunciado nutria ao matar pessoas, escolhendo suas vítimas aleatoriamente, fato por ele próprio confessado”. Além disso, o homicídio foi cometido com meios que impossibilitaram a defesa da vítima.

A denúncia está embasada na confissão do acusado e também no exame de microbalística, que apontou que a bala retirada do corpo da vítima saiu da arma apreendida com o suposto serial killer.

Juliana Neubia Dias foi morta a tiros no dia 25 de julho, quando estava em um Fiat Palio com o namorado, parada em um semáforo na Avenida Mutirão. De acordo com relatos do companheiro da vítima à Polícia Militar, o suspeito parou ao lado do carro e efetuou diversos disparos. Um deles atingiu o rosto da garota. O rapaz e uma amiga que também estavam no carro não se feriram.

Tiago já responde na Justiça pelos homicídios de Rosirene Gualberto da Silva, 29, Ana Lídia Gomes de Sousa, 14, Wanessa Oliveira Felipe, 22, Ana Maria Victor Duarte, 27 e Isadora Cândido, 15, além de dois roubos a uma agência lotérica na capital. Ele aguarda julgamento preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana.

Avaliação psiquiátrica
No último dia 6, Tiago foi submetido a uma avaliação psiquiátrica. De acordo com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), a análise foi feita pela Junta Médica Oficial do órgão, a pedido dos juízes Eduardo Pio Mascarenhas, Placidina Pires e Wilton Muller Salomão, que presidem os processos contra o suspeito por crimes de homicídio, assalto e porte ilegal de armas.

De acordo com o TJ-GO, o resultado do procedimento, que levou cerca de suas horas, deve ficar pronto dentro de um mês. Tiago ainda fará outra avaliação psicodiagnóstica, com duração prevista de três dias, que deverá ser realizada por três psicólogos.

Em janeiro, o vigilante teve a audiência de instrução sobre a morte de Rosirene Gualberto, de 29 anos. Esta foi a primeira oitiva em relação à série de homicídios da qual é acusado. Na ocasião, ele declarou que foi “obrigado” a matar a jovem por um “sentimento demoníaco”. “Uma voz me perturbava para fazer isso, eu tentava não ouvir, mas era mais forte do que eu e acabou acontecendo”, disse na ocasião o suposto serial killer.

Prisão
Quando foi preso, no dia 14 de outubro de 2014, em Goiânia, Tiago confessou à Polícia Civil ter matado 39 pessoas desde 2011. Entretanto, segundo informou o delegado Murilo Polati, o vigilante prestou novos depoimentos na companhia de advogados e reduziu o número de confissões para 29. Além dos crimes investigados pela força-tarefa da polícia, ele também confessou  assassinatos de homossexuais e moradores de rua.

Na ocasião, o vigilante ficou em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) por oito dias. No local, segundo revelou o delegado Eduardo Prado, o suspeito afirmou aos policiais que “estava com vontade de matar”.

Depois, em outubro, Tiago foi transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional. Durante a transferência, mesmo escoltado por 20 policiais, ele conseguiu agredir um fotógrafo com um chute no abdômen antes de ser colocado no carro da polícia. No dia seguinte, o delegado Murilo Polati afirmou, durante entrevista coletiva, que o vigilante voltou a fazer ameaças de morte, desta vez, para os detentos do Núcleo de Custódia.

Atualmente, a unidade informou que o jovem não tem apresentado sinais de agressividade e passa a maior parte do tempo lendo na própria cela, onde fica sozinho. “Desde a chegada dele ao Complexo Prisional, não manifestou nenhum comportamento anormal. Ele está com a rotina normal: banho de sol, alimentação, está sendo acompanhado por psicólogos e não manifestou nenhum comportamento agressivo”, relatou o gerente regional prisional, Leandro Ezequiel.

G1

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