MP denuncia delegados por falsidade em investigação de morte de cronista

delegadoO Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) ofereceu denúncia criminal por falsidade ideológica contra os delegados Manoel Borges de Oliveira e Everaldo Vogado da Silva. Segundo a ação, os dois, além do escrivão João Ferreira dos Santos, teriam manipulado um depoimento do açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier, acusado de matar o cronista esportivo Valério Luiz de Oliveira, em julho de 2012, em Goiânia. A atitude teria como intuito, ajudar o empresário Maurício Sampaio, tido no inquérito como mandante do crime.

Ao G1, o delegado Manoel, que hoje chefia o 11º DP de Goiânia, afirmou que é inocente e que está sendo vítima de “perseguição”. “Essa denúncia é um absurdo, improcedente, inconsistente. Estou sendo bode expiatório nessa história. Não tenho culpa de que o Maurício Sampaio tenha saído da cadeia depois que fiz meu trabalho como delegado. Não houve dolo da minha parte”, disse.

A reportagem também tentou contato com o delegado Everaldo, mas as ligações não foram atendidas. O escrivão João Ferreira não foi localizado.

Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o MP cumpriu o seu papel e que a denúncia foi feita com base no inquérito instaurado pela corregedoria da corporação sobre o envolvimento dos servidores no crime.

Falsidade De acordo com a denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Fausto Campos Faquineli, o episódio teria ocorrido depois que Ruy Cruvinel Neto, advogado de Sampaio, procurou o 4º DP de Goiânia para registrar ocorrência de calúnia contra Lorena Nascimento e Silva Oliveira, viúva de Valério. Segundo o defensor, ela acusou seu cliente de tentar subornar o açougueiro. A declaração foi feita em uma entrevista, enquanto Marcus Vinícius estava preso na Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH).

O caso foi registrado por Everaldo, que era delegado ajunto do distrito na época. Porém, conforme a ação, Manoel, que era o delegado titular da delegacia, foi até a DIH para interrogar o açougueiro sem a presença do colega, que presidia o inquérito.

O depoimento do acusado foi colhido por Manoel e registrado por João. Apesar de somente os três estarem presentes, o delegado fez constar no termo de declaração, de forma falsa, segundo o MP, que Everaldo estava presente durante o interrogatório. Além disso, questionou Marcus Vinícius sobre sua participação na morte do cronista. A resposta teria sido manipulada de forma a tentar inocentar Maurício Sampaio.

De acordo com o promotor, Everaldo também foi acusado de falsidade porque assinou o termo redigido pelo escrivão, ratificando as informações dadas, mesmo não estando presente ao depoimento.

O documento foi usado para que a defesa de Maurício Sampaio conseguisse uma habeas corpus para ele. Quase dois meses depois do episódio, Marcus Vinícius foi ouvido pela Gerência de Correições da Polícia Civil e negou conhecer o conteúdo das declarações dadas a Manoel e João.

Apesar de acusar Manoel, o promotor optou por arquivar a denúncia contra ele, no mesmo caso, por corrupção passiva, alegando que não há elementos suficientes para comprovar o delito.

Crime O cronista esportivo Valério Luiz foi assassinado no dia 5 de julho de 2012, quando saía da rádio em que trabalhava, no Setor Serrinha, em Goiânia. O inquérito policial sobre o caso foi entregue ao Poder Judiciário pelos delegados Adriana Ribeiro e Murilo Polati, da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios, em 26 de fevereiro de 2013.

Foram quase oito meses de investigação. O documento aponta que as críticas que a vítima fazia ao Atlético-GO, principalmente as direcionadas ao então vice-presidente do clube, o cartorário Maurício Sampaio, motivaram o assassinato.

Cerca de um mês depois, no dia 27 de março, o Tribunal de Justiça de Goiás recebeu a denúncia do Ministério Público de Goiás. Como no inquérito, cinco pessoas foram indiciadas.

O ex-dirigente do Atlético-GO é considerado mandante do crime. Ele nega. A denúncia aponta também que o comerciante Urbano de Carvalho Malta contratou o cabo Ademá Figueiredo para matar o cronista. Ainda segundo o documento, Marcus Vinícius participou do planejamento do crime e Djalma da Silva foi indiciado por atrapalhar as investigações da polícia.

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