Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Fome no Brasil

Movimentos populares organizam cozinhas comunitárias para amenizar a fome em Curitiba

Redação
26 de agosto de 2021
Marcelino da Silva Lemos, 60 anos, trabalha vendendo pano de prato, balas e doces no sinaleiro / Giorgia Prates / Brasil de Fato

Iniciativas atendem à famílias da capital e da região metropolitana e somam cerca de 1600 refeições diárias

Ana Carolina Caldas, Giorgia Prates e Pedro Carrano

Em Curitiba, no Paraná, as condições de vida da população pioraram com a pandemia e a crise econômica, o que de imediato compromete o pagamento do aluguel e força a busca pelo sonho da moradia própria em áreas de ocupação. 

Apenas em 2020, mais de 10 ocupações foram organizadas na cidade, todas elas com a presença de mais de 200 famílias. Com o crescimento das ocupações, houve também, ao menos, seis execuções de despejo forçado. Entre as que conseguiram se manter, as famílias enfrentam problemas como a questão da sobrevivência, do emprego e, consequentemente, da alimentação. 

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Na ocupação Vila União, localizada no bairro Tatuquara, na periferia extrema de Curitiba, que abriga cerca de 300 famílias, a cozinha comunitária supre, desde o início, a demanda da maioria dos ocupantes por refeições diárias.

No final de julho, o espaço foi revitalizado com apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), tornando-se o espaço Olga Vive, em homenagem à lutadora popular falecida devido à covid-19. 

Aparecida, vendedora e uma das moradoras e cozinheiras do local, afirma que boa parte das famílias depende do café, almoço e jantar preparados diariamente com o trabalho de mulheres da ocupação. 

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“Cerca de 70% dos moradores comem na cozinha. E 30% cozinham na casa deles. Mesmo com fogão, muitos continuam a comer conosco. Eu mesma estou sem fogão porque ainda não trouxe a mudança para cá. Trabalhava com venda de salgados na rua. Tenho ainda o sonho de voltar a vender salgados na rua”, comenta.

Aluguel e fome 

Logo no início da ocupação Nova Guaporé 2, em outubro do ano passado, a reportagem do Brasil de Fato Paraná conversou com o casal Marcelino da Silva Lemos e Jucélia Ribeiro de Oliveira, grávida de sete meses à época. 

Na época, o que os motivou a participar de uma área de ocupação, que hoje abriga 100 famílias, foi o alto custo de vida. Calculavam o preço do aluguel, mais água e luz em torno de R$ 800. 

“Eu fiz 60 anos no domingo e trabalho vendendo pano de prato, balas e doces no sinaleiro. A minha esposa é ‘fichada’, mas está em casa por causa da pandemia. Já eu com 60 anos tenho dificuldades de conseguir um trabalho fichado”, exclama Lemos.

O trabalho na rua, a dificuldade nas vendas e a jornada de trabalho informal e exaustiva tocam justamente no baixo acesso à alimentação necessária. “Tem vezes que a gente chega trançando as pernas de fome. É o que todos que estão aqui é cada qual tentando escapar do aluguel para poder oferecer uma vida um pouco melhor para os filhos”, comenta.

Organização popular

Em menos de um ano, diferentes movimentos populares organizam cozinhas comunitárias que atendem a famílias da capital e da região metropolitana de Curitiba. Uma experiência inicial foi organizada pelo MST e pelo coletivo Marmitas da Terra. Localizada no centro da cidade, a iniciativa produz 1100 refeições em média para distribuir à população em situação de rua e também para as áreas onde estão as ocupações.

Além dessa experiência, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) está investindo em uma campanha para construção de uma cozinha comunitária, que será localizada na ocupação Nova Veneza, no bairro Tatuquara.

Já a União de Moradores/as e Trabalhadores/as (UMT), que agrupa associações de moradores no bairro Novo Mundo, no chamado Bolsão Formosa, já ultrapassou a marca de 10 mil refeições produzidas e servidas há um ano todas, às quintas-feiras. 

A ocupação Vila União, por sua vez, possui cozinha e produção diária de refeições. Semanalmente, as três experiências somam 1600 refeições distribuídas.

Especial Fome no Brasil

Ficha técnica:

Coordenação do projeto: Mariana Pitasse e Rodrigo Chagas | Edição: Kátia Marko, Monyse Ravena, Fredi Vasconcelos, Vanessa Gonzaga, Larissa Costa, Leandro Melito, Mariana Pitasse e Rodrigo Chagas | Reportagem: Eduardo Miranda, Jaqueline Deister, Wallace Oliveira, Ayrton Centeno, Vinícius Sobreira, Lucila Bezerra, Giorgia Prates, Pedro Carrano, Ana Carolina Caldas, Marcelo Gomes, Francisco Barbosa, Pedro Rafael Vilela, Murilo Pajolla, Pedro Stropasolas e Daniel Giovanaz | Identidade visual: Fernando Bertolo | Artes: Michele Gonçalves | Rádio: Camila Salmazio, Geisa Marques, Douglas Matos, Daniel Lamir, Adilson Oliveira, André Paroche e Lua Gatinoni | Audiovisual: Marina Rara, Isa Chedid, Leonardo Rodrigues e Jorge Mendes | Redes sociais: Cris Rodrigues, Larissa Guold, Guilherme Faro Bonan, Joanne Motta e Vitor Shimomura | Coordenação de jornalismo: Rodrigo Durão | Direção CPMídias: Lucio Centeno e Nina Fideles.

Fonte:https://www.brasildefatopr.com.br/

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