Motorista bêbado em alta velocidade atinge e mata jovem na 85

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Corpo de Jéssica Queiróz só parou 100m depois da colisão, na Avenida 85.

Uma câmera de segurança registrou o momento em que um motorista alcoolizado atinge e arremessa a gerente de bar Jéssica Correia de Queiróz, de 25 anos, que trafegava em uma motocicleta na Avenida 85, no Setor Bela Vista, em Goiânia. A jovem morreu no local.

O acidente aconteceu na noite de sábado (16). As imagens mostram que o semáforo fica vermelho e os veículos que seguiam na avenida, no sentido do Setor Bueno ao Centro, param. Jéssica, que trafegava na faixa da esquerda, segue lentamente se preparando para parar, pois cinco carros já estavam parados.

Em seguida, o motorista do Hyundai HB 20, o administrador de empresas Hélio Ferreira da Silva, de 44 anos, bate na traseira da moto, arremessando a jovem. O corpo dela se arrastou pela avenida e só parou a cerca de 100 metros do local do acidente, no cruzamento da Avenida 85 com a Rua T-60.

Após atingir Jéssica, o carro, desgovernado, bate na lateral de um Kia Picanto, que estava na faixa do meio. Em seguida, o vídeo mostra que o veículo colide contra a grade da loja do Goiás Esporte Clube, roda e ainda atinge uma árvore.

Embriaguez
Hélio foi levado a um hospital para ser avaliado, mas não precisou ficar internado. O teste do bafômetro realizado na unidade de saúde apontou que Hélio estava embriagado. O exame constatou 1,4 miligramas de álcool por litro de ar expelido. Por isso, o motorista foi indiciado por homicídio doloso, quando há a intenção de matar.

“Ele assumiu a produção do resultado morte ao ingerir bebida alcoólica e assumir a condução do veículo, sabendo que havia comprometimento das suas funções neurológicas e psicológicas. O dolo eventual é porque o resultado da sua conduta era indiferente para ele. Ao beber e dirigir, ele sabia que esse resultado poderia ocorrer”, explicou a titular da Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Trânsito (Dict), Nilda Andrade.

Segundo a delegada esponsável pelo caso, Caroline Paim, o motorista confessou que consumiu bebida alcoólica antes do acidente. Ele relatou que ficou em um bar por mais de 8 horas.

“Ele chorou muito e se mostrou arrependido. Ele disse que começou a ingerir bebida alcoólica as 13h e, por volta das 21h, quando saiu do bar e estava retornando à sua residência, aconteceu o acidente. Ele disse que é dado ao uso de bebida alcoólica somente aos finais de semana, que está se separando da esposa, mas não atribuiu o fato de ele beber a essa situação”, declarou ao G1.

Alta velocidade
De acordo com a delegada, a versão apresentada por Hélio é diferente do constatado pela investigação. “Ele disse que o sinal estava do amarelo para o vermelho e que o veículo que estava a sua frente parou e, para desviar desse veículo, acabou pegando a vítima. Porém, confrontando a fala dele com as imagens, percebemos que não foi isso que aconteceu”, alega Caroline.

Para a polícia, Hélio disse que trafegava a cerca de 50 km/h. No entanto, a delegada acredita que ele estava a 130km/h, mas só a perícia poderá precisar a velocidade. Testemunhas confirmaram que ele estava muito rápido. “Testemunhas disseram que ele tragefava em altíssima velocidade, que ele já veio com o veículo desgovernado desde o início da 85”, relatou a delegada. O inquérito deve ser concluído em dez dias.

Hélio não tinha passagens pela polícia. Ele segue detido na carceragem da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic). O administrador de empresas deve passar por uma audiência de custódia ainda na tarde desta segunda-feira (18) para definir se ele continuará detido.

Procurado pelo G1, o advogado de Hélio da Silva não atendeu às ligações até a publicação desta reportagem.

Cremação
O corpo de Jéssica foi velado no domingo (17), mas a família ainda tenta conseguir autorização para cremar o corpo da jovem. Irmã de Jéssica, Renata Mesquita Correia Queiróz, de 27 anos, diz que foi necessário o pedido judicial liberando a cremação pelo fato da morte da jovem ter ocorrido em função de um acidente de trânsito.

“Além disso, não temos o desejo da Jéssica por escrito. Mas como essa era a vontade dela, estamos levantando toda a documentação necessária e correndo atrás do que for preciso. Temos um prazo de 48 horas para conseguir essa liberação. Caso isso não ocorra, infelizmente, aí teremos que fazer um sepultamento tradicional”, disse a irmã ao G1.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), nesta manhã, e aguarda um parecer sobre o caso.

Tristeza
Renata conta que Jéssica já andava de motocicleta há bastante tempo e sempre respeitava as leis de trânsito. “Isso é tanto verdade que ela estava parada no farol vermelho. A minha irmã morreu sem ao menos perceber. O responsável tem que pagar, pois isso não foi apenas um acidente, foi um homicídio”, ressaltou.

Segundo ela, a filha da vítima, que tem 7 anos, ainda está em choque com a morte repentina da gerente de bar. “Ela não consegue chorar e fica se segurando para que a gente não desabe na frente dela. Ela quer ser forte para cuidar da gente, mas tenho medo do momento em que ela cair em si. Estamos todos arrasados e com uma tristeza imensa”, lamentou.

Outra irmã de Jéssica, Marília Mesquita Correia de Queiroz contou ao G1 que a jovem estava indo para o trabalho quando foi atropelada e morta. “Ela trabalhava como gerente de um bar no Setor Marista e tinha cumprido o expediente da tarde. Aí foi para casa descansar um pouco e, no momento em que retornava para o bar, foi atropelada lá na Avenida 85”, relatou.

G1