Moradores enchem as sacolas com mangas dos 350 mil pés da cidade

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Em todo o Distrito Federal, é possível encontrar o alimento em diferentes variedades. Uma verdadeira fartura de mangas ao alcance das mãos

magasBoa parte das árvores frutíferas da capital costuma estar carregada nesta época do ano. O espetáculo de alegria para os brasilienses conta com frutas como jacas, acerolas, amoras, abacates e jabuticabas, que podem ser retiradas diretamente do pé. No entanto, as que mais chamam a atenção da população são as mangueiras. Diariamente, quem passeia pela cidade pode retornar para a casa com as sacolas cheias. Em todo o Distrito Federal, é possível encontrar o alimento em diferentes variedades. Uma verdadeira fartura de mangas ao alcance das mãos.

Apesar de ter origem na Índia, o fruto mais parece ter surgido em Brasília, onde podemos encontrar mangueiras em quase todos os lugares: nos parques, nas entrequadras, nas vias do Lago Sul e Lago Norte, e até nos eixos. A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) estima que existam, em média, 350 mil árvores da espécie no DF. Nas quadras do Plano Piloto, 7% dos jardins são mangueiras, como revela o diretor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), Rômulo Ervilha. “Além do plantio executado pela Novacap durante esses mais de 50 anos, muitos moradores também plantaram mangueiras”, explica.

O Chefe do DPJ conta que a Novacap planta em torno de 3 mil mudas por ano. “Todas as mangueiras na área urbana de Brasília são originárias de mudas ‘pé-franco’, ou seja, não são enxertadas; porque se visa a perenidade e o aspecto majestoso de sua copa. O crescimento é bastante rápido. Dependendo do tamanho da muda, podemos ter árvores de até 5 metros de altura em 5 anos”, ressalta. Muitas também são cultivadas pela população. “Moradores podem plantar, desde que acompanhados pela Novacap. Plantios em local inadequado, às vezes, trazem problemas relacionados à rede de água e à energia elétrica, entre outros”, completa Ervilha.

Professor e pesquisador de Fruticultura da Universidade de Brasília (UnB), Alberto Pinto disse que trabalha com manga há mais de 35 anos. Aposentado da Embrapa, ele explica que existem variedades incontáveis de mangueiras na capital. “São muitas. Temos desde manga coquinho e espada até palmer, tommy e rosa, que são as preferidas do mercado consumidor.” Segundo Alberto, a grande variedade em Brasília se dá pelo fato do cruzamento aberto das espécies. “O polén de um fruto caído no chão se cruza naturalmente com o de outro fruto, produzindo um novo híbrido que é diferente da planta-mãe e resulta em uma nova espécie”, afirma.

Alberto acrescentou que a manga é um alimento rico em vitamina A, e, quando colhido diretamente do pé, traz benefícios para a saúde. “É mais saudável, menos contaminado por agrotóxicos”, destaca. De acordo com Alberto, a frutificação das mangas ocorre em épocas diferentes. “A produção de árvores frutíferas de cruzamento aberto costuma ser entre outubro e dezembro. Algumas mangueiras continuam dando fruto até janeiro. Já as mangas de mangueiras industriais são produzidas durante todo o ano”, garante o professor.

Correiobraziliense