Mercosul quer ser instrumento efetivo contra a crise

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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que o Mercosul decidiu se tornar um instrumento efetivo para enfrentar as dificuldades econômicas atuais enfrentados pelos países que integram o bloco.

Dilma disse ainda que a prioridade do Mercosul será a conquista de novos mercados, em discurso durante o brinde no almoço em homenagem aos chefes de Estado do bloco, em Brasília.

A presidente também anunciou a decisão de que a Bolívia, até então país associado do Mercosul, passará a fazer parte do bloco sul-americano como país membro e que os processos para que isso ocorra serão acelerados.

(Por Bruno Marfinati)

Abaixo, reportagem, publicada pelo Blog do Planalto:

Mercosul avançará na relação com outros blocos econômicos, afirma Dilma

O Mercosul é uma das ferramentas mais importantes para superar os efeitos da crise mundial sobre os países da região. Prova disso é que o comércio intra-regional cresceu mais de 12 vezes desde a criação do bloco, enquanto o comércio mundial multiplicou-se apenas por cinco, disse a presidenta Dilma Rousseff nesta sexta-feira (17), ao abrir a sessão plenária da 48ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Palácio de Itamaraty, em Brasília.

Além do mais, ressaltou, essas importações são de alto valor agregado, o que gera maior nível de emprego e renda nos países. “Oitenta por cento das exportações brasileiras originárias do bloco são de bens industrializados”.

Todos sabem, no entanto, disse, que nos últimos anos houve uma desaceleração econômica internacional e que é preciso ampliar as relações de desenvolvimento em todas as áreas. “A crise tem se mostrado persistente. A recuperação das economias avançadas ainda é frágil e as perspectivas do crescimento global continuam incertas, lembrou. Por essa razão muito de nossos países encontram-se empenhados em reformas domésticas”.

Iniciativas durante mandato brasileiro

E por isso, também, é importante buscar acordos comerciais fora da região. “Durante a presidência brasileira do Mercosul, trabalhamos, com os demais países, no aperfeiçoamento da oferta do bloco para a União Europeia. E definimos, com o lado europeu, o objetivo de proceder a troca de ofertas no último trimestre deste ano, na relação que tivemos em Bruxelas, nos meses passados”.

Foram realizadas também importantes reuniões com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), com o Líbano, a Tunísia, a Coréia e o Japão. “Apresentamos à Aliança do Pacífico proposta para aprofundamento do diálogo entre os dois blocos”, agregou.

Estou certa, disse a presidenta, de que a busca por novos mercados continuará a ser prioridade do Mercosul durante a presidência pro tempore do Paraguai, que agora assume o bloco, “e que todos seguiremos comprometidos em obter resultados concretos no mais breve prazo”.

Avanços do Mercosul devem prosseguir

Dilma Rousseff instou o bloco a continuar fomentando intercâmbio intrazona, retomando a fluidez das trocas entre sócios do Mercosul. “A crise não pode ser razão para criarmos barreiras comerciais entre nós. Ela deve reforçar a integração”, citou.

A importância da união do Mercado Comum do Sul fica clara, quando se verifica que os países da região engajaram-se, nos últimos anos, na execução de políticas econômicas focadas no combate à pobreza, na melhor distribuição de renda, na promoção do emprego, dos ganhos salariais. Com isso, lembrou Dilma Rousseff, foi possível evitar que os efeitos mais nocivos da crise econômica e financeira global contaminasse as economias locais.

Ainda no campo econômico, acrescentou a presidenta, o bloco continuará empenhados em consolidar a união aduaneira, ao mesmo tempo em que, devido às novas condições econômicas mundiais, as regras do Mercosul se mantenham flexíveis e reservem a cada Estado-parte o espaço necessário para a adoção de políticas próprias adequadas às circunstâncias.

“[O escritor] Eduardo Galeano, que há pouco nos deixou, escreveu, que a pobreza não está escrita nos astros. Não era um destino imutável e que a solidariedade, sim, está escrita em nossa alma”, enfatizou. “Suas palavras devem ter inspirado a ação de nossos governos, na busca de melhores condições de vida, para os nossos povos”.

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