Mercado faz campanha especulativa contra Dilma

dilmaO modelo neoliberal, implementado por FHC no Brasil, teve três eixos centrais: flexibilização das leis trabalhistas, privatizações das empresas estatais e abertura da economia para o capital financeiro.

Os governos de Lula e Dilma não reverteram esse modelo econômico, que representaria a proibição das terceirizações, a retomada das empresas privatizadas e a regulamentação do mercado de capitais.

No entanto, esses governos brecaram o aprofundamento do processo que estava em curso, representando um obstáculo para as frações da burguesia, como o rentismo, que defendem o neoliberalismo.

O melhor exemplo dessa leitura é a reportagem da Folha de S. Paulo com a manchete “Queda de Dilma nas pesquisas gera ganho de US$ 4,8 bilhões em ações”.

A matéria reproduz pesquisa que aponta que quanto pior as pesquisas eleitorais para a presidente Dilma Rousseff, mais as ações das empresas estatais Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras, Cemig e Cesp sobem na Bolsa de Valores.

O levantamento, que tem como base o desempenho dos papéis de cinco estatais nos dias da divulgação das últimas 19 pesquisas Ibope e Datafolha, mensura que cada ponto da popularidade da presidente vale US$ 801 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão).

A postura dos acionistas é uma reação ao que consideram intervenções do governo nas empresas estatais, que prejudicam a rentabilidade das suas ações.

O que o mercado classifica “intervenção do governo” é, na verdade, a predominância do interesse público sobre a rentabilidade privada e a soberania nacional diante do capital internacional.

O mercado quer mesmo é que essas empresas sejam privatizadas, dando exclusividade ao capital privado para a exploração desses segmentos da economia.

A existência de empresas sob controle estatal no setor petrolífero, bancário e energético representa um obstáculo para a dinâmica econômica dos oligopólios que controlam esses segmentos.

Já que essas empresas são mistas, com controle estatal mas capital aberto na Bolsa de Valores, o mercado faz pressão para que sejam geridas como se fossem empresas privadas.

Com isso, a rentabilidade de um punhado de acionistas ficaria em primeiro lugar, em prejuízo do povo brasileiro, que é o “acionista” majoritário do Estado brasileiro.

Um parênteses: esse é a forma de gestão do governo do Estado de São Paulo na Sabesp, que deu no que deu: altos lucros para os acionistas, falta de investimentos na empresa e eminência de falta de água para a população.

O que fica claro com o boicote do mercado é que, nessas eleições, Dilma representa maior compromisso com o interesse público e com a soberania nacional.

Aécio Neves e Eduardo Campos, que agradam os acionistas, são porta-vozes das frações da burguesia que querem o neoliberalismo ortodoxo, ou seja, flexibilização das leis trabalhistas, privatizações das empresas estatais e abertura da economia para o capital financeiro.

Cartamaior

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