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Das 31 barragens em Minas que estão em emergência, sete ficam no município. Uma delas na iminência de se romper

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Economizar água e energia, ajudar a cuidar dos oceanos, combater a desigualdade, apoiar as mulheres, evitar o desperdício e promover o comércio local estão entre as principais ações sustentáveis

Com a aproximação do ano novo, as pessoas costumam fazer novos planos e traçar metas para melhorar sua vida a partir dos próximos 365 dias. Por isso, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) elaborou um guia com 17 ações sustentáveis para ampliar o debate sobre as maneiras de contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não só durante este período festivo, mas também em todos os dias do novo ano que se aproxima.

Entre as dicas estão a compra de produtos com menos embalagens, a preferência na aquisição de itens produzidos localmente e, no caso de frutos, do mar, saber se foi pescado ou cultivado de forma sustentável. Até mesmo as viagens para as festas podem ser feitas de maneira sustentável. Afinal, a sustentabilidade ultrapassa o cuidado com o meio ambiente e se insere no trabalho, a educação, segurança, saúde, oportunidades iguais e na qualidade de vida.

Confira as 17 ações

1. Coloque os outros em primeiro lugar – ODS 1

Hoje, mais de 700 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza. Muitas não têm sequer acesso a serviços básicos para suprir suas necessidades, como cuidados de saúde, alimentos, educação, água e saneamento básico. Por que não dedicar mais tempo para se voluntariar numa cozinha comunitária para quem não tem comida ou num abrigo para pessoas que não têm onde morar? Com isso, você garantirá que ninguém se sinta excluído neste fim de ano ou no ano novo.

2. Pense na quantidade de comida que consome! – ODS 2

Desperdice menos comida e compre alimentos da estação, de mercados locais e que são produzidos de forma sustentável. Doe itens não perecíveis para locais que oferecem alimentos gratuitos a quem não têm o que comer. Mais de 800 milhões de pessoas não terão nada para comer nesta época do ano, e a pandemia da Covid-19 só agravou essa situação. 

3. Tenha um estilo de vida saudável –  ODS 3

Ter acesso a alimentos nutritivos é fundamental para a saúde de uma pessoa. Isto nos permite crescer, combater doenças e viver de forma produtiva. Nestas festas, coloque alimentos nutrientes no menu e não esqueça de fazer exercícios. Outro recado: combata a tendência de comer demais.

4. Dê de presente ou doe um livro a alguém – ODS 4

Em 2018, quase 20% das crianças e dos jovens ao redor do mundo não frequentavam a escola. Sem uma boa educação, as crianças não somente colocam sua própria subsistência em risco como também a sua chance de contribuir, de forma significativa, para a sociedade. Promova a educação ao doar livros ou material escolar.

5. Apoie outras mulheres! – ODS 5

Mulheres e meninas representam metade da população mundial e metade do potencial global. Mas a desigualdade persiste em todas as partes. Nestas festas, celebrem as mulheres que fazem parte da sua vida. E no novo ano, apoie as mulheres de suas comunidades. Se você é uma menina ou adolescente, termine seus estudos e escolha a carreira dos seus sonhos.

6. Reduza o seu consumo de água – ODS 6

Não existe vida sem água. Precisamos do recurso para beber, para limpar, cozinhar, cultivar alimentos e fazer muito mais. Nessas festas, use menos água ao fechar bem as torneiras ao lavar louças e passe menos tempo no chuveiro!

7. Economize energia – ODS 7

As festas são também a época das luzes. Mas em todo o mundo, uma em cada 10 pessoas precisa de acesso à energia elétrica. Este ano, caso você use luzes em sua decoração, prefira a tecnologia LED ou outras soluções de energia eficientes. Desligue as luzes ao sair dos cômodos da casa e por que não começar a usar painéis solares em 2022?

8. Compre de lojas e empresas com responsabilidade social – ODS 8

Ao comprar presentes, apoie empresas conhecidas por boas condições de trabalho para seus empregados. Por causa da  COVID-19, 1,6 bilhão de trabalhadores estão sob risco de perder o emprego. Apoie a economia local ao comprar de produtores locais.

9. Seja inovador (a) – ODS 9

Pense diferente nessas festas. Práticas e tecnologias inovadoras podem ajudar a desenvolver sociedades inteiras de várias maneiras.

10. Esteja consciente sobre as desigualdades – ODS 10

Nesta estação, procure se informar mais sobre a situação da sua comunidade e busque iniciativas para eliminar as desigualdades. Pense em oportunidades de voluntariado ou participe em ações de doação.

11. Defenda uma cidade sustentável – ODS 11

Os centros urbanos geralmente se reinventam para as festas com luzes e outras decorações para elevar os ânimos de seus moradores. Mas se fosse possível reinventar ainda mais que suas próprias fachadas? Para 2022, defenda o tipo de cidade sustentável na qual você acredita. Fale com vereadores do seu distrito, participe de um mutirão de limpeza ou até mesmo doe uma árvore para sua cidade. 

12.  Adote um estilo de vida reciclável – ODS 12

Lembre-se de reduzir o lixo, reutilize sempre que possível e recicle. Compre alimentos e produtos com mínimo de embalagem. Presenteie produtos ambientalmente corretos, embale os presentes também dessa forma e prefira empresas que pensam no meio ambiente.

13.  Seja consciente na forma como se alimenta e como compra – ODS 12

Nessas festas, lembre-se do impacto que a comida que você come tem sobre o planeta. Insira mais cereais e legumes em sua dieta. Eles são nutritivos e consomem menos água na produção. Reduza sua pegada de carbono ao dirigir menos, comprar produtos da estação e não esqueça de levar sua bolsa ao mercado para evitar gastar mais papel e plástico!

14. Seja gentil com os oceanos – ODS14

Prefira o pescado que tenha sido capturado ou cultivado de forma sustentável, como peixes que têm uma etiqueta ecológica. Dispense produtos com excesso de embalagem, que quase sempre termina sendo despejada nos oceanos.

15. Mantenha os parques e os solos limpos – ODS 15

As festas podem gerar muito desperdício. Então, recicle bem o seu lixo. Os componentes químicos, por exemplo, de pilhas e de detergentes podem poluir o solo se depositados ali.

16. Promova inclusão e o respeito aos outros – ODS16

Nesta época do ano, esforce-se para aprender mais de outras tradições e feriados religiosos. Nem todas as pessoas vão celebrar o mesmo feriado que você. Aprender mais sobre outros pode ajudar a cultivar o respeito por pessoas de origens diferentes, religiões, gêneros e orientações sexuais e de opiniões diferentes das suas.

17. Compartilhe o que sabe! – ODS 17

Compartilhe esta lista e apoie às iniciativas locais que promovem o desenvolvimento sustentável.  Nossas ações fazem o nosso futuro então comece agora a fazer a diferença nessas festas.

Assinado por todos os 193 estados-membros das Nações Unidas em 2015, a Agenda 2030 e seus 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) fornecem um guia para todos os países, e todos os setores da sociedade, para que o planeta caminhe para uma forma mais sustentável de desenvolvimento. Com o lema “Sem deixar ninguém para trás”, os ODS abordam o desenvolvimento a partir das dimensões social, econômica e ambiental.

Suas metas propõem soluções de combate à pobreza, alimentação saudável, saúde acessível, educação de qualidade e igualdade de gênero. Além disso, os ODS, que são objetivos integrados e indivisíveis, também abordam temas como acesso à água e saneamento, energia, trabalho e emprego e redução de todas as formas de desigualdade.

São eles:

  1. Erradicação da Pobreza
  2. Fome Zero
  3. Saúde e Bem Estar
  4. Educação de Qualidade
  5. Igualdade de Gênero
  6. Água Potável e Saneamento
  7. Energia Limpa e Acessível
  8. Trabalho Decente e Crescimento Econômico
  9. Industria, Inovação e Infraestrutura
  10. Redução das Desigualdades
  11. Cidades e Comunidades Sustentáveis
  12. Consumo e Produção Responsáveis
  13. Ação Contra a Mudança Global do Clima
  14. Vida na Água
  15. Vida Terrestre
  16. Paz, Justiça e Instituições Eficazes
  17. Parcerias e Meios de Implementação

Ambientalistas e especialistas consideram desastroso o Projeto de Lei (PL) 2.510/2019, que permite legalizar edifícios construídos irregularmente às margens de rios e reservatórios. A legislação foi aprovada neste mês pela Câmara e seguiu para sanção. Na prática, deve promover mais desmatamento ao consolidar ocupações irregulares antigas e nas Áreas de Preservação Permanente (APP).

Pela proposta, também caberá aos municípios a responsabilidade de legislar sobre as regras para construções. “Você não está apenas descentralizando a decisão, você está permitindo que ela fique mais próxima das pressões do setor imobiliário de uso e ocupação dos solos”, critica o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, em entrevista à repórter Dayane Ponte, do Seu Jornal, na TVT. “Então de todas as formas, quando se pensa numa flexibilização da normatização para rios e represas em áreas urbanas, estamos fragilizando a proteção ambiental”, completa. 

Leia mais: Enchentes na Bahia trazem debate sobre ocupação do solo em áreas urbanas

Entidades vão ao STF

A lei também deve alterar o Código Florestal. Segundo o projeto, as prefeituras poderão  regulamentar o tamanho das faixas de preservação, devendo respeitar apenas uma distância mínima de 15 metros. Antes esse limite era determinado a partir da largura do curso d’água. A mudança na medida, portanto, deixa córregos e rios urbanos, que já sofrem com a poluição, ainda mais vulneráveis. Para especialistas, a medida também deve beneficiar diretamente a especulação imobiliária, uma vez que ela flexibiliza regras de preservação em áreas urbanas e retira da ilegalidade milhares de empreendimentos que estão hoje irregulares. 

“É realmente trágico que em um momento em que o mundo inteiro discute mudanças climáticas e aumento de eventos cada vez mais extremos, os legisladores brasileiros mudem a legislação, permitindo a ocupação em áreas de maior risco. Isso é absolutamente inaceitável, inconsequente e inacreditável o que está acontecendo. Tudo para beneficiar meia dúzia de especuladores que vão ganhar dinheiro em detrimento dos moradores da cidade”, lamenta o coordenador do conselho consultivo da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), Wigold Schaffer. 

O PL aguarda agora a sanção presidencial. Mas as entidades envolvidas com a preservação do meio ambiente já anunciaram que vão questionar a constitucionalidade da medida no Supremo Tribunal Federal (STF).

da RBA

A Promotoria de Justiça de Brotas instaurou (SP) um inquérito civil para apurar os maus-tratos praticados contra búfalos em uma fazenda situada no município, que fica no interior do estado de São Paulo.

O pedido de investigação considera as denúncias de abandono de animais, que teriam passado fome e sede até morrer, o que matou dezenas deles. A portaria também busca identificar possíveis danos ambientais e ao curso hídrico do local.

Segundo testemunhas, o proprietário do local, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, perdeu o interesse nos animais porque acabou com o pasto para plantar soja. Ele nega as denúncias e diz que os animais que morreram no local estavam velhos. A defesa dele afirma também que os búfalos que morreram representam 3% do total dos animais e que boa parte das mortes foi impulsionada pela seca que afetou a região.

Para apurar se apresentará denúncias, o Ministério Público de São Paulo vai aguardar o resultado de inquéritos da Polícia Civil e Ambiental, que investigam o proprietário da fazenda.

Na semana passada, o proprietário sofreu uma derrota na Justiça de São Paulo, que concedeu a guarda dos 1.056 búfalos e 72 cavalos da fazenda à ONG (organização não governamental) Sos O Bicho Vai Pegar, considerando as denúncias de maus-tratos. 

A decisão, da juíza Marcela Machado Martiniano (leia na íntegra), também determina que o proprietário do imóvel se abstenha de intervir nas ações da ONG. "O cuidado compartilhado com a parte autora anteriormente determinado não resultou frutífero, suscitando conflitos", escreveu Martiniano.

A decisão, da também proibiu Souza de intervir no trabalho da ONG, sob pena de multa diária de R$ 20.000,00. Ele também foi multado em R$ 2,1 milhões pela Polícia Militar Ambiental e chegou a ser preso. O fazendeiro foi libertado após pagar fiança.

do R-7

A agricultora Elena Lugaresi da Rosa, de 57 anos, conseguiu, na Justiça, vencer o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi aposentada por invalidez.

Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de Florianópolis (SC), reconheceu, em abril deste ano, que a produtora rural desenvolveu um Linfoma Não Hodgkin (LNH) a partir do contato com agrotóxicos que utilizava em sua produção de milho.

“Ainda que o laudo pericial realizado tenha concluído pela aptidão laboral da parte autora, a confirmação da existência da moléstia incapacitante referida na exordial (linfoma não-Hodgkin, grandes células, folicular), corroborada pela documentação clínica que preconiza a não exposição da segurada a agrotóxicos, potencialmente cancerígenos, associada às suas condições pessoais demonstra a efetiva incapacidade para o exercício da atividade profissional, o que enseja, indubitavelmente, a concessão de auxílio por incapacidade temporária”, determina o desembargador Paulo Afonso Bru Vaz, em sua decisão.

Desde abril, Rosa, que é de Palmitos (SC), recebe R$ 1.100 de aposentadoria. O TRF-4 determinou, também, que Rosa receba uma indenização retroativa a março de 2015, período em que desenvolveu o câncer. O valor já foi saldado pelo INSS. A agricultora foi tratada até junho de 2019 com quimioterapia e está curada da doença.

Por mais de duas décadas, Rosa utiliza o glifosato em sua produção de milho, com apoio de um pulverizador costal, no formato de uma mochila. “Ah, por mais que use alguma proteção, a gente sempre respirava aquilo. Na época de passar na plantação, o cheiro era terrível. Então, começaram a surgir manchas na pele e eu sentia muita dor no corpo, era o câncer.”

A agricultora foi tratada no Sistema Único de Saúde (SUS). “Hoje, eu estou muito bem, recuperada do câncer e sem sinais de que vá voltar, graças a Deus. Essa aposentadoria tem me ajudado demais, agora planto minha horta aqui no fundo de casa, onde tem o suficiente para a minha alimentação”, explica Rosa, que em sua produção, para consumo próprio, não utiliza mais agrotóxico. “Esse veneno quase me matou.”

Daniel Carlos Tomiello, advogado da agricultora, celebrou a decisão. “Com laudo parcialmente favorável e com recomendação de afastamento do labor, ela não obteve resultado positivo em primeiro grau, pelo que recorremos ao TRF-4. No Tribunal, sua incapacidade foi reconhecida e ela foi aposentada por invalidez. O nosso entendimento foi recebido pelo Tribunal, que confirmou a incapacidade para o labor rural, pois tinha recomendações médicas para evitar manter contato com agrotóxicos e/ou substâncias potencialmente cancerígenas.”

Edição: Leandro Melito

Produtores rurais poderão aderir, de forma digital, a uma proposta de regularização ambiental e passar a ser monitorados a distância no cumprimento das exigências do Código Florestal Brasileiro. Isso será possível por meio do Módulo de Regularização Ambiental do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), lançado hoje (21) pelo Serviço Florestal Brasileiro, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.ebcebc

Por meio da ferramenta, o produtor rural declarará de que forma cumprirá as normas ambientais: por meio da recomposição da vegetação nativa, da compensação de reservas legais ou da conversão de sanções administrativas emitidas até 2008.

Com base na opção escolhida, o Módulo de Regularização Ambiental (MRA) encaminhará uma proposta de regularização ambiental, que deverá ser apresentada ao órgão ambiental competente para a assinatura dos Termos de Compromissos.

Tecnologia de sensoriamento remoto

Com a adesão do produtor formalizada, o MRA passará a monitorar o cumprimento das declarações por meio da tecnologia de sensoriamento remoto. O produtor terá auxílio da plataforma WebAmbiente, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que fornece orientações técnicas e estratégias para a adesão ao plano de regularização ambiental, como a escolha de variedades de árvores para recompor a vegetação.

“Nos encontramos em um momento decisivo da implementação desta lei [do Código Florestal] e precisaremos de união entre todos os elos para seguir um caminho de bom senso e de equilíbrio garantindo que os desafios sociais, econômicos e ambientais sejam abordados de forma integrada, assim como a legislação prevê”, destacou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no lançamento da ferramenta.

Também presente à cerimônia, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, disse que a iniciativa é importante para mostrar o compromisso dos produtores rurais com o meio ambiente. “É uma ferramenta importante para darmos mais um passo na direção de mostrar que o produtor rural está preocupado com a sua regularização e compensação de áreas e faz isso de forma muito eficiente”, declarou.

Interesse

Instituído pelo Código Florestal Brasileiro, em 2012, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) atualmente registra mais de 7,7 milhões de propriedades rurais. Segundo o diretor de Regularização Ambiental do Serviço Florestal, João Adrien, 58% dos produtores que aderiram ao Cadastro Ambiental Rural manifestaram interesse em entrar no PRA.

Em maio deste ano, o Serviço Florestal lançou a ferramenta da Análise Dinamizada do CAR, para que os estados possam analisar e qualificar as bases locais de cadastros de forma mais rápida e segura. Os cadastros inscritos no Sistema de Cadastro Ambiental Rural passaram a ser analisados por lotes, em vez de serem examinados individualmente pelas equipes dos órgãos ambientais estaduais.

Edição: Kleber Sampaio, da Agência Brasil

Seapa receberá representantes de 21 órgãos públicos, entidades e empresas para alinhar ações focadas na produção agropecuária sustentável. “Queremos que 2022 seja o ano do grande salto dos bioinsumos no Estado e no País”, diz secretário Tiago Mendonça. Goiás foi o primeiro Estado brasileiro a criar Lei Estadual de Bioinsumos

 AAAA Bioinsumos

Os bioinsumos ou insumos biológicos são produtos de base vegetal, animal ou microbiana, destinados ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento agropecuários, e também nos sistemas de produção aquáticos ou de florestas plantadas

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), realiza nesta terça-feira (14), a partir das 14 horas, uma reunião especial sobre o Programa Estadual de Bioinsumos. O encontro contará com a participação de entidades representativas de segmentos agropecuários, secretarias e agências estaduais, e instituições locais e nacionais de pesquisa, assistência técnica e crédito rural.

“O objetivo da reunião é discutir a estratégia geral do programa, compartilhar ações em andamento e incentivar a cooperação técnica entre os participantes, de forma a impulsionar a utilização dos insumos biológicos em Goiás e no Brasil. Queremos que 2022 seja o ano do grande salto dos bioinsumos no Estado e no País”, diz o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tiago Mendonça.

Goiás foi a primeira unidade federativa a criar uma Lei Estadual de Bioinsumos. A Lei nº 21.005, de 14 de maio de 2021, teve “a finalidade de ampliar e fortalecer a adoção de práticas para a evolução do setor agropecuário, com a expansão da produção, do desenvolvimento e da utilização de bioinsumos e sistemas de produção sustentáveis”. O texto legal está servindo de modelo para outros Estados e o Distrito Federal.

Bioinsumos
Os bioinsumos ou insumos biológicos são produtos de base vegetal, animal ou microbiana, destinados ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento agropecuários, e também nos sistemas de produção aquáticos ou de florestas plantadas. São capazes de interferir positivamente no crescimento, no desenvolvimento e nos mecanismos de resposta de animais, plantas, microrganismos e substâncias derivadas. Entre os benefícios proporcionados pelos bioinsumos estão: diminuição do impacto ambiental da atividade, produção de alimentos mais saudáveis e redução da dependência de fertilizantes e defensivos importados.

Luciana Constantino | Agência FAPESP – De forma inédita e com base em um dos maiores bancos de dados disponíveis sobre florestas tropicais no mundo, estudo publicado hoje (10/12) na revista Science mostra que a regeneração florestal recupera cerca de 80% do estoque de carbono, da fertilidade do solo e da diversidade de árvores em até 20 anos.

A pesquisa concluiu que a regeneração natural é uma solução de baixo custo para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e contribuir com a conservação da biodiversidade. Esses resultados decorrem de um processo de regeneração em áreas degradadas e não apenas da passagem do tempo nesses locais.

"É possível recuperar florestas tropicais por meio de processos naturais em tempo condizente com expectativas humanas. Porém, mesmo assim, é muito mais rápido destruir do que recuperar. Os resultados devem ser vistos com otimismo, mas também com responsabilidade", diz à Agência FAPESP Pedro Brancalion, professor do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).

Brancalion e o pesquisador Frans Bongers, da Wageningen University (Países Baixos), estão entre os autores do artigo e também coordenam o projeto "Compreendendo florestas restauradas para o benefício das pessoas e da natureza - NewFor", que tem o apoio da FAPESP no âmbito do Programa BIOTA.

"Outro ponto interessante do trabalho foi definir uma espécie de 'ordem cronológica' da recuperação das diversas funções das florestas tropicais, oferecendo subsídios para contribuir com projetos de restauração e de desenvolvimento sustentável previstos para a próxima década", completa Brancalion, que também coordena o Laboratório de Silvicultura Tropical na Esalq-USP e é vice-coordenador do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.

Em junho deste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Década da Restauração dos Ecossistemas (2021-2030) com o objetivo de inspirar e apoiar governos, empresas, organizações e sociedade civil para desenvolver iniciativas que revertam a degradação e protejam o meio ambiente.

Além disso, no mês passado, ao final da COP-26, a Conferência do Clima da ONU, os quase 200 países presentes assinaram um acordo para tentar garantir o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global a 1,5° C. Estabeleceram a necessidade de neutralizar as emissões de CO2 até 2050, com compensação por reflorestamento e tecnologias de captura de carbono da atmosfera, mercado que também foi regulamentado.

"Saber em qual velocidade as florestas se recuperam é importante, por exemplo, para avaliar a viabilidade de investimentos em projetos de sequestro de carbono por meio da recuperação de áreas devastadas. É preciso entender a dinâmica de recuperação de cada função da floresta para que se possa balizar melhor as metas, tomar decisões mais corretas e, dependendo da situação, entender e monitorar quando uma floresta está em trajetória de recuperação aquém do esperado ou necessário para atingir certo objetivo", explica o professor.

O artigo publicado na Science é resultado do trabalho de uma equipe internacional, a 2ndFOR, que envolve mais de cem pesquisadores de 18 países, incluindo o Brasil. A 2ndFOR é coordenada pelos professores Lourens Poorter, autor correspondente do artigo, Bongers, Masha van der Sande, todos da Wageningen University, e Catarina Jakovac, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O grupo analisou 12 atributos florestais de 77 locais, incluindo mais de 2.200 parcelas de florestas da América Central e do Sul, entre elas a Amazônia, e da África Ocidental. São apresentados quatro grupos de características da floresta relacionadas ao solo (densidade aparente, carbono e nitrogênio); ao funcionamento do ecossistema (espécies de árvore fixadoras de nitrogênio, densidade da madeira e área foliar específica); à estrutura da mata (biomassa acima do solo, diâmetro máximo das árvores e heterogeneidade estrutural) e à diversidade e composição de espécies.

Os cientistas concluíram que as florestas tropicais e seus solos são altamente resilientes, pois todos os atributos se recuperam em até 120 anos (ou 12 décadas) quando comparados com florestas conservadas.

Em geral, a recuperação mais rápida é a do solo (fertilidade), em menos de dez anos, e a do funcionamento do ecossistema, menos de 25 anos. Em seguida, em tempo intermediário, vem a recuperação da estrutura e diversidade da floresta, que ocorre entre 25 e 60 anos, enquanto as mais lentas são a retomada da biomassa acima do solo e da composição de espécies, que demoram mais de 120 anos.

"Um ponto importante é que a floresta tropical consegue recuperar o número de espécies de árvores, mas nem sempre a mesma composição [conjunto de espécies]. Nem todas as espécies presentes em matas conservadas recolonizam florestas regeneradas, algumas são mais sensíveis e podem desaparecer", alerta Brancalion.

Desmatamento

Para o professor Poorter, além de ser essencial impedir o avanço do desmatamento, é preciso olhar para o potencial de recuperação das florestas secundárias (que crescem em áreas já devastadas) para atingir as metas de restauração de ecossistemas. "Elas fornecem benefícios globais para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas e para a conservação da biodiversidade, além de muitos outros serviços para a população local, como água, energia, madeira e produtos florestais não madeireiros”, disse o pesquisador, em entrevista para divulgar o trabalho.

Relatório publicado no início do ano pelo Global Forest Watch (com dados da Universidade de Maryland) revelou que os trópicos perderam 12,2 milhões de hectares de vegetação em 2020, sendo o Brasil o primeiro colocado. Desse total, 4,2 milhões de hectares (área equivalente à dos Países Baixos) foram em florestas primárias tropicais úmidas, importantes para o armazenamento de carbono e para a biodiversidade.

O documento apontou ainda que as emissões de CO2 resultantes da perda de florestas primárias equivalem às emissões anuais de 570 milhões de automóveis.

Atualmente, mais da metade das florestas tropicais do mundo não são antigas, das quais uma grande parte é secundária – na América Latina tropical, elas cobrem até 28% da área terrestre.

Em novembro, o mesmo grupo de pesquisadores já havia publicado na PNAS outro artigo, Functional recovery of secondary tropical forests, mostrando a recuperação funcional (características que determinam como as plantas se comportam, incluindo espessura da folha e densidade da madeira) das florestas tropicais secundárias.

O trabalho apontou que florestas secas e úmidas diferem em sua composição funcional em estágios iniciais de sucessão (como é chamado o processo de regeneração) e seguem caminhos diferentes ao longo do tempo. À medida que envelhecem, contudo, tornam-se mais semelhantes em relação às características funcionais.

O artigo Multidimensional tropical forest recovery pode ser lido em science.org/doi/10.1126/science.abh3629.
 

Na Revista"Nature", pesquisadores afirmam que país precisa ter plano de seca para evitar alta da energia e perda de safras

Laís Modelli DW

O Brasil tem a maior quantidade de água doce do mundo. Dois terços do Rio Amazonas, no Norte brasileiro, por exemplo, já seriam capazes de suprir a demanda mundial de água. Apesar disso, o país enfrenta a terceira crise hídrica em 20 anos e a maior já registrada em 91 anos, por causa, principalmente, da má gestão do recurso natural.

Um alerta para o problema foi publicado em um artigo de opinião na revista Nature nesta quarta-feira (8), assinado por três pesquisadores e endossado por outros 95 cientistas de diversas instituições nacionais e internacionais, entre eles Carlos Nobre e Paulo Artaxo.

:: Crianças discutem causas e consequências da crise hídrica no Radinho BdF ::

Intitulado O Brasil está em crise hídrica - é necessário um plano de seca, o texto alerta que, se o país não investir em pesquisa, monitoramento do solo e em novas fontes de energia renováveis, futuras crises hídricas encarecerão ainda mais o valor da energia e poderão comprometer a segurança alimentar do país e do mundo.

"A crise hídrica no Brasil é uma crise mundial", diz trecho do documento, lembrando que o país produz quase 15% da carne bovina do mundo, cultiva mais de um terço das safras de açúcar e é responsável por um terço das exportações de café, além de outros produtos globalmente importantes, como soja. "O Brasil precisa tratar a água como uma prioridade de segurança nacional", afirmam os cientistas.

"Vivemos uma grave crise hídrica causada, por um lado, pela seca e pelas mudanças climáticas, mas, por outro, pela falta de gestão da água no país", afirma Augusto Getirana, pesquisador do Laboratório de Ciências Hidrológicas do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, um dos autores do artigo de opinião.

:: A crise hídrica, a questão alimentar e o flagelo da fome ::

Segundo os cientistas, o país não faz monitoramento da umidade do solo, não tem um plano de gestão da água e não tem dados para prever a ocorrência de futuras secas e crises hídricas.

"O Brasil precisa mudar a forma como trata a água. Ela é um bem abundante aqui, mas usada de forma pouco produtiva", diz a pesquisadora Renata Libonati dos Santos, do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, que também assina o artigo.

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A pior crise hídrica em 91 anos ameaça a produção de energia e de alimentos e reflete os impactos ambientais do agronegócio / Reprodução

O texto publicado na Nature sugere quatro pontos:

1.    Otimizar o uso da água para que atividades essenciais não fiquem à mercê de chuvas
2.    Diversificar fontes de energia
3.    Criar um plano de secas  
4.    Acabar com desmatamento na Amazônia

A seguir, detalhes sobre cada um dos pontos.

Otimizar o uso da água

O artigo aponta que, apesar da produção agrícola ser responsável por um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, nem metade da agricultura é irrigada.

"Apenas 13% da nossa agricultura é irrigada. Isso quer dizer que todo o resto da produção nacional depende das chuvas. Esse é só um dos exemplos que demonstra como o país precisa otimizar o uso da água", explica Getirana.

O documento destaca que o Brasil encontra-se sobre grandes aquíferos - recursos valiosos, e subutilizados. "O setor agrícola deve construir resiliência climática usando essas águas subterrâneas, especialmente durante secas hidrológicas extremas", diz o texto.

:: Conheça os 5 fatores por trás do discurso da "crise hídrica" que atinge todo o país ::

Porém, a exploração das águas subterrâneas pela agricultura precisa ser feita de forma sustentável, para evitar o esgotamento do recurso natural. Para isso, o governo precisa investir em monitoramento do solo e pesquisas.

Por isso, além de otimizar o seu uso, os cientistas também afirmam que é preciso gerir melhor os recursos que o país tem.

Um estudo sobre a perda de água potável durante a distribuição à população, publicado neste ano pelo Instituto Trata Brasil, revelou que são desperdiçadas diariamente 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada, ou sete vezes o volume do Sistema Cantareira – maior conjunto de reservatórios para abastecimento do estado de São Paulo. Essa quantidade de água potável desperdiçada seria suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros em um ano.

"O Brasil tem água, mas ela precisa ser bem gerida por meio de políticas públicas", diz Getirana.

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Reservatório da Usina Hidrelétrica Paraibuna é um dos reguladores das vazões do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo fornecimento de água para cidades do Vale do Paraíba e do Estado do Rio de Janeiro / Reprodução/Cesp

Diversificar a fonte de geração de energia

Este ano, muitas cidades enfrentam um racionamento de água iminente e reservatórios importantes atingiram menos de 20% da capacidade, lembra o artigo.

Diante da seca e sem investir em outras fontes renováveis de energia, o Brasil teve que voltar a queimar combustíveis fósseis - um dos principais vilões do efeito estufa.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o país produziu 13,2% da eletricidade do país em julho de 2021 a partir de termelétricas, o maior volume de sua história. Além de poluente, este tipo de energia também é mais cara e elevou em 130% a conta de luz do brasileiro.

"Em um cenário de mudanças climáticas e aumento das secas, não podemos basear a economia de um país inteiro em apenas uma matriz energética, no caso, a água", afirma Getirana.

No artigo publicado na Nature, os cientistas sugerem como alternativa às hidrelétricas que o país amplie a capacidade de energia eólica e solar.

Plano de secas e investimento em monitoramento

Nos últimos 20 anos, o Brasil passou por três grandes secas: o apagão de 2001, a crise hídrica de 2014 e a atual crise de 2021. O artigo afirma que, apesar do passado recente, pouco mudou na gestão da seca no país, mostrando que o problema vai além de um governo ou outro.

"A falta de gestão da água é um problema de Estado", diz Getirana.

"Durante décadas, houve uma falha governamental em reconhecer a seca como uma questão de segurança nacional e internacional", diz trecho do documento.

Porém, para que um plano nacional de secas seja elaborado, o Brasil precisa monitorar a umidade dos solos, ser capaz de rastrear a variabilidade e a disponibilidade da água subterrânea em todo o país e investir em pesquisa científica.

"O Brasil monitora água subterrânea em 409 locais em todo o país; para colocar isso em perspectiva, as redes norte-americana e indiana têm mais de 16 mil e 22 mil pontos de monitoramento, respectivamente. Não há sistemas nacionais para rastrear a umidade do solo no Brasil, e o monitoramento do uso da água é irregular", diz outro trecho do artigo.

Após a crise hídrica de 2014, a Agência Nacional de Águas (ANA) criou o Monitor das Secas, mas a plataforma online não faz previsão das secas, apenas mostra a situação atual, e com defasagem de um mês.

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Acabar com o desmatamento

Libonati dos Santos explica que a Amazônia está ligada a todo o fluxo de água no Brasil. "O desmatamento da floresta tem alterado esse fluxo, deixando as regiões Sudeste e Centro-Oeste mais secas", diz a pesquisadora da UFRJ.

Isso acontece por causa de um fenômeno chamado de rios voadores, em que a umidade proveniente da transpiração das árvores da Amazônia é carregada pelas nuvens para outras regiões do país e até para algumas cidades da América do Sul – como uma bomba de água que abastece o Centro-oeste e o Sudeste do Brasil, região mais afetada pela atual crise hídrica.

Uma pesquisa da Fapesp mostrou que uma única árvore grande na Amazônia, com copa de 20 metros de diâmetro, pode bombear do solo mil litros de água por dia. Por isso, o desmatamento da floresta está relacionado com as secas em todo o país.

Um dos efeitos do acumulado de desmatamento nos últimos anos pode ser a atual seca que afeta parte do Brasil. Mapas do Monitor das Secas mostram como a atual seca migrou do Nordeste, em 2014, para o Centro-Oeste e Sudeste este ano.

Desde 2019, a Amazônia vem registrando recordes de desmatamento mês após mês. Dados do Imazon mostraram que entre agosto de 2020 e julho de 2021, o desmatamento na Amazônia foi o maior em dez anos: foram devastados 10.476 km² no período, taxa 57% maior que no período anterior, que já havia sido recorde.

Secas mais frequentes

Getirana ressalta que as crises hídricas estão ocorrendo em um menor intervalo de tempo: enquanto que 13 anos separaram o apagão de 2001 e a crise hídrica de 2014 e 2015, na crise atual bastaram apenas seis anos.

"Além de já estarem mais frequentes, o relatório da ONU sobre as mudanças climáticas alertou este ano que as secas ocorrerão com mais frequência na América do Sul devido às mudanças climáticas. Precisamos nos preparar hoje com políticas públicas", diz o cientista.

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Passou praticamente despercebida a publicação dos resultados do Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em alimentos (PNCRC) por meio da Portaria do Ministério da Agricultura SDA 448, em 17 de novembro. O programa analisa a presença de metais pesados, micotoxinas, MDT (Morfolina, Dietanolamina e Trietanolamina), salmonella, e resíduos de agrotóxicos em uma ampla gama de alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros, inclusive alguns produzidos no exterior.

Entre os alimentos analisados estão abacaxi, alface, alho, amêndoa, amêndoa de cacau, amendoim, arroz, avelã, banana, batata, beterraba, café, castanha de caju, castanha do Brasil, cebola, cenoura, cevada malteada, cítricos, farinha de trigo, feijão, goiaba, kiwi, maçã, mamão, manga, melão, milho, morango, pera, pimenta do reino, pimentão, soja, tomate, trigo e uva.

Os resultados da análise, preliminar, aponta para um grave problema de contaminação – o que muito provavelmente explica a tentativa do Ministério da Agricultura de escondê-los. Foram detectados contaminantes em praticamente todos os alimentos analisados.

E mais do que isso: contaminantes combinados entre si. Ou seja, agrotóxicos misturados com outros agrotóxicos e com metais pesados. E a mistura de tudo com tudo o mais.

Metais pesados e agrotóxicos

Essas combinações, aliás, incluem metais pesados acima do limite estipulado pela legislação – ou sem conformidade com ela. É o caso do alho, tanto o nacional, como o importado – da China e da Espanha –, cujas amostras analisadas apresentaram contaminação por chumbo. Ou mesmo do arroz, com 74 das 75 amostras apresentando contaminação por arsênio.

O chumbo afeta o sistema nervoso central, os rins, o fígado, o sangue, o aparelho digestivo e os órgãos sexuais. Nas crianças, causa dano maior no sistema nervoso, ainda em processo de desenvolvimento. A exposição a longo prazo pode causar déficit intelectual.

Já o arsênio, dependendo do tempo de exposição, causa diferentes efeitos tóxicos. A exposição de curto prazo está associada à conjuntivite, hiperqueratose, hiperpigmentaç´ão, doenças cardiovasculares, distúrbios no sistema nervoso central e vascular periférico. E a exposição prolongada pode levar ao aparecimento de diversos tipos de câncer, como de pele, pulmão, próstata, bexiga, rim e fígado.

 “Mas se observarmos os resultados para os resíduos de agrotóxicos, a situação parece ser ainda mais dramática, pois a presença de substâncias altamente tóxicas além do limite permitido está disseminada em toda a gama de produtos analisados. Um detalhe a mais é que os resultados do PNCRC detectaram algo que já é sabido, mas nem sempre facilmente documentável, que é o uso de agrotóxicos que não são permitidos para determinadas culturas”, disse o professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski.

Agrotóxicos banidos

Exemplo, segundo ele, é o “famigerado Fipronil” que foi encontrado no tomate. “Mas além do Fipronil, muitos outros agrotóxicos foram aplicados em culturas para as quais não possuem aprovação, demonstrando que essa prática está disseminada, representando não apenas uma violação da lei, mas também grave risco à saúde humana. Temos substâncias que são potencialmente causadoras de doenças graves, como o inseticida Acefato, banido na União Europeia por causar, entre outras coisas, a perda da fertilidade masculina, e por causar a morte de aves e espécies marinhas, como anfíbios e peixes.”

Outro exemplo de “não conformidade” com a legislação foram as micotoxinas – substâncias produzidas por fungos e que provocam efeitos tóxicos – que foram detectadas em um grande número de amostras analisadas. “A presença dessas substâncias nos alimentos consumidos por seres humanos tem sido associada a uma série de doenças, e vem ganhando mais atenção recentemente por ter um caráter muitas vezes subliminar”, disse Pedlowski.

Autor do Blog do Pedlowski, o pesquisador também edita o Observatório dos Agrotóxicos. Segundo o monitoramento, desde o início do governo de Jair Bolsonaro, já são 1.507 novas liberações de agroquímicos de diferentes tipos. Algumas destas substâncias estão proibidas há mais de 20 anos nos países europeus justamente pelos males causados à saúde e ao meio ambiente.

Cumulativos

“Em outras palavras, não estamos comendo alimentos contaminados com ‘isto ou aquilo’, mas com ‘tudo aquilo’. O problema é que os efeitos combinados (os chamados efeitos sinérgicos) podem não aparecer imediatamente em função das baixas concentrações, mas isto não significa que não haja um efeito cumulativo, como no caso dos metais pesados e dos agrotóxicos”, disse.

Para o pesquisador da Uenf, os resultados globais do PNCRC deveriam estar sendo amplamente divulgados para levar à reação por parte de organizações que representam os interesses dos consumidores, bem como para orientar a ação de grupos de pesquisa e de organizações não-governamentais. “Afinal, o quadro que emerge dos resultados publicados em relativa surdina pelo governo Bolsonaro não é nada bom.”

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