Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Feira de Alimentos Orgânicos em Brasília que teve início na terça-feira 14, e vai até a próxima sexta-feira,17, reúne o melhor da produção de alimentos orgânicos na Capital Federal. Debate sobre a CPR Verde, projeto que tem a assinatura do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), está em debate

A Exposição Agropecuária de Brasília (Expoabra 2021) este ano será parte presencial e parte digital. Um dos destaques será a emana do Alimento Orgânico, que este ano reúne produtores, palestrantes em vários módulos, um dos destaques erá o painel que irá discutir o tema: Pagamentos por serviços ambientais: possível caminho para produção orgânica? A palestra será feita pelo jornalista e economista Marcus Vinícius de Faria Felipe e pelo empresário Fernando Ricardo dos Santos Palau.

Convidados pela CPORG-DF (Comissão de Produtores Orgânicos do Distrito Federal), Marcus Vinícius e Fernando Palau vão falar sobre as vantagens da CPR Verde como forma de compensação ambiental.

Marcus Vinícius observa que desde que a cidade de Nova York (EUA) criou a 15 anos um programa para pagar fazendeiros pela proteção e preservação nas nascentes e mananciais d´água que abastecem a metrópole os programas de PSA (Pagamento por Serviço Ambiental) passaram a ser considerados por governos em todo o mundo, e agora esta tendência chega ao Brasil.

"Há vários mecanismos de pagamento para que o proprietário rural mantenha a floresta em pé, os mais conhecidos são os projetos de crédito de carbono, mas o Brasil avançou numa legislação para que a CPR (Cédula de Propriedade Rural), muito utilizada nas transações de commodites (soja, milho, trigo etc), seja utilizada também para pagamento pela manutenção das reservas legais nas fazendas. A chamada CPR Verde foi aprovada recentemente na CCJ do Senado Federal. O relator foi o senador Vanderlan Cardoso e o autor do projeto o senador Alvaro Dias (Podemos-PR)", frisa.

Comissão de Meio Ambiente (CMA) realiza reunião semipresencial com 9 itens na pauta. Entre eles, o PL 1.405/2019, que altera a lei sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional. O projeto prevê a suspensão do certificado de habilitação do comandante da embarcação, no caso de lançamento de lixo plástico nas águas. Bancada: senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO); senador Otto Alencar (PSD-BA); senador Alvaro Dias (Podemos-PR); senador Paulo Rocha (PT-PA). Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
O senador Vanderlan Cardoso, relator do projeto da CPR Verde, leu o parecer, Otto Alencar e Alvaro Dias, autor do projeto que beneficia produtores rurais de todo o país - foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

O palestrante Fernando Paulau salienta que CPR é um instrumento financeiro já aceito e largamente utilizado pelo mercado de capitais conforme a Lei nº 13.986/20 (MP do Agro), permintindo que a contabilização do ativo seja realizada da mesma forma que os demais produtos do agronegócio, tendo as mesmas atratividades e benefícios fiscais.

"O PL 5.173/2019, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado estabelece a CAF e a CPR como mecanismo financeiro para incentivar produtores brasileiros a preservarem as florestas estabelece que os proprietários de terras terão a obrigação de emitir uma Cédula de Produto Rural (CPR), título a ser negociado com investidores do mercado financeiro (bancos, bolsa de valores, investidores)", resume.

Confira a programação da Expoabra

Terça-feira, 14/09 -  14hsAbertura da Semana do Alimento Orgânico do DF

QUARTA-FEIRA, 15/09 -  10h30:

Contribuições das instituições públicas na produção orgânica

14hs:Orgânicos: mais do que alimento, um estilo de vida

15h30:Preparando um prato orgânico com mais sabor e saúde

17hs:A ciência na produção dos Orgânicos

QUINTA-FEIRA 16/09 - 10h30:Compras Governamentais: oportunidades para os Orgânicos

14hs:Garantias nos alimentos orgânicos, conheça todo o processo

15h30s:Melhorando sua produção orgânica através do crédito

17hs:Participação dos jovens na produção orgânica

SEXTA-FEIRA 15/09 - 09hs:Utilizando o controle biológico na produção de orgânicos

10h30:Pagamentos por serviços ambientais: possível caminho para produção orgânica?

]15h30:Aumento da sustentabilidade na produção orgânica: insumos e práticas

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Conheça a CPR Verde: título promete dar renda ao produtor pela preservação ambiental

Relatório divulgado nesta terça-feira (14) pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que 87% dos US$ 540 bilhões dos subsídios anuais destinados ao setor agrícola são “prejudiciais” e acabam por “distorcer preços e causar danos ao meio ambiente e à sociedade”. São incentivos relacionados à importação e exportação de produtos, além de estímulos fiscais ligados à produção de commodities.

No total, são US$ 470 bilhões destinados a atividades que prejudicam a saúde das pessoas, alimentam a crise climática e agravam a desigualdade ao excluir a agricultura familiar, em especial as mulheres. Sem revisões, o nível de subsídios está a caminho de chegar a US$ 1,8 trilhão no ano de 2030, segundo as Nações Unidas.

O documento, intitulado “Uma oportunidade Muti-Bilionária: Reaproveitando o Apoio Agrícola para Transformar os Sistemas Alimentares”, foi elaborado de forma conjunta por Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud) e Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma).

A redefinição dos subsídios, direcionando os recursos a atividades benéficas, poderia “ser um divisor de águas” para o combate à pobreza, erradicação da fome, melhora geral da nutrição e redução do aquecimento global. O relatório indica que o bom uso do dinheiro público deve incluir o apoio à produção de alimentos saudáveis, com práticas que contribuam para a preservação ambiental, além de suporte financeiro a pequenos agricultores.

Os subsídios agrícolas prejudicam a saúde humana ao promover o consumo excessivo de carne em países ricos e o consumo excessivo de alimentos de baixo valor nutricional nos mais pobres. “Se você não está promovendo frutas e legumes, então, em termos relativos, é muito caro para o consumidor comer de forma saudável”, disse o vice-diretor da FAO, Marco Sánchez. “É por isso que 2 bilhões de pessoas no mundo não podem pagar uma dieta saudável.”

De acordo com o relatório, 811 milhões de pessoas enfrentaram fome crônica e um entre três habitantes do planeta (2,37 bilhões) não tinha acesso à alimentação adequada durante o ano de 2020.

Subsídios agrícolas e crise climática
O relatório também aponta para a significativa participação do setor agropecuário no agravamento de problemas relacionados ao clima. “A agricultura contribui com um quarto das emissões de gases de efeito estufa, 70% da perda de biodiversidade e 80% do desmatamento”, disse Joy Kim, do Pnuma.

Hoje, os produtores de todo o mundo já sentem os impactos da mudança climática, com regiões sofrendo com o calor extremo, aumento do nível do mar, secas, enchentes e ataques de gafanhotos.

Entre as recomendações para reverter a situação de crise, as agências indicam aos países de renda alta que redirecionarem o apoio hoje dado às indústrias de carnes e de laticínios, que causam 14,5% das emissões de gases. Para os governos dos países de baixa renda, o documento pontua que é necessário rever o apoio financeiro ao uso de pesticidas tóxicos e fertilizantes.

Com informações de Agência ONU e The Guardian

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Agropecuária é responsável por 98,8% do desmatamento no Cerrado, aponta estudo

O Cerrado já perdeu 26,5 milhões de hectares de vegetação nativa de 1985 a 2020 e a agropecuária é responsável por 98,8% do desmatamento. Os dados foram divulgados em pesquisa publicada nesta sexta-feira (10), pelo projeto MapBiomas.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com 198 milhões de hectares, porém, entre 2010 a 2020, a vegetação nativa reduziu cerca de 6 milhões de hectares. O monitoramento mostra que o Mato Grosso foi o estado que mais permitiu a supressão de vegetação nativa e 6,8 milhões de hectares foram desmatados. Em seguida vem Goiás, com 4 milhões hectares suprimidos, e Mato Grosso do Sul, com outros 3,4 milhões de hectares.

“O Cerrado já perdeu 26,5 milhões de hectares. Para se ter ideia do tamanho disso, o estado de São Paulo tem 25 milhões de hectares. É um estado inteiro de vegetação, que sumiu”, afirma o ecólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Dhemerson Conciani a Marilu Cabañas, no Jornal Brasil Atual.

A supressão da vegetação no Cerrado é motivada por três fatores, segundo o pesquisador: agricultura, pastagem e expansão urbana. Entretanto, quase 99% foi de responsabilidade da agropecuária. O estudo aponta que agricultura cresceu 460% no Cerrado desde 1985 e ocupa uma área maior que o estado do Paraná. Outro exemplo citado é a Bahia, que quintuplicou área para cultivo em 36 anos.

Cerrado
O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com 198 milhões de hectares, porém, entre 2010 a 2020, a vegetação nativa reduziu cerca de 6 milhões de hectares

“Quando olhamos para a última década, percebemos que a supressão a vegetação nativa está se concentrando na fronteira agrícola, principalmente no Matopiba (região formada por áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Nesses dez anos, metade do desmatamento foi lá. E a supressão dessa vegetação é basicamente para abertura de pastagem e plantio de soja”, alertou o ecólogo.

Futuro em risco
Quase metade do Cerrado já foi desmatado e apenas 54,5% de seu território ainda é coberto por vegetação nativa, sendo que formações dos tipo savana (30,3%) e floresta (14,3%) são predominantes. A formação campestre representa 7,3% do bioma.

Diante de uma das maiores crises hidrelétricas da história, Dhemerson explica que o Cerrado tem papel fundamental no abastecimento de água no país, já que o bioma é responsável pela nascente de oito bacias hidrográficas. “Além de ser a moradia de povos tradicionais, é o maior produtor de água do país. Portanto, se não conciliarmos a conservação do Cerrado, todos os estados irão perder. São milhares de nascentes que alimentam os grandes rios e isso impacta demais nessa crise hídrica”, afirmou.

Desde o período pré-colonial, o Brasil já perdeu 46% da vegetação nativa e, com a aceleração do desmatamento no Cerrado, o especialista estima que a supressão passará dos 50% em até 30 anos. A partir disso, o ecólogo defende uma nova formulação políticas públicas para buscar a preservação do meio-ambiente.

Uma das medidas consideradas fundamentais pelo especialista é o veto do Marco Temporal. “Quando olhamos para o Cerrado e sua perda de vegetação, só 1,8% aconteceu em terras indígenas. Isso demonstra a importância desses territórios, que funcionam como escudos contra a expansão dessa exploração”, acrescentou.

Fonte: RBA

A próxima ação do Comitê de Prevenção e Combate a Focos de Incêndio na Zona Rural em Goiás já tem data, hora e local marcados: nesta sexta-feira (10), às 9 horas, em Piranhas. O município da Região Oeste do Estado receberá as equipes da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e parceiros para divulgar medidas de enfrentamento ao fogo no período seco do Cerrado. O evento será realizado na sede do Sindicato Rural, localizado no Parque de Exposições Agropecuárias Wilian José dos Santos.

Segundo dados do Corpo de Bombeiros, de janeiro a agosto de 2021, Goiás registrou 6.624 focos de incêndio florestal, sendo 6.454 em vegetação e 170 em cultura agrícola. Para reduzir o avanço do fogo, o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tiago Mendonça, acredita que é necessário um trabalho conjunto. “O fogo descontrolado é ruim para todos, porque degrada o meio ambiente, afeta a produção de água, piora o clima e acaba atingindo também plantações, animais e bens de quem vive no campo”, argumenta.

O superintendente de Engenharia Agrícola e Desenvolvimento Social da Seapa, José Ricardo Caixeta Ramos, cita a realização correta de aceiros como uma das medidas mais importantes para prevenir o alastramento de incêndios e, consequentemente, reduzir prejuízos ambientais, econômicos e sociais. “Nas ações de prevenção, como esta que vamos realizar em Piranhas, nós repassamos orientações, solucionamos dúvidas e articulamos providências que realmente fazem a diferença”, diz.

Foto de aceiro zona rural Credito Fredox Carvalho
Aceiro: uma das medidas mais importantes para prevenir o alastramento de incêndios e, consequentemente, reduzir prejuízos ambientais, econômicos e sociais (Foto: Fredox Carvalho)



ComitêO Comitê de Prevenção e Combate a Focos de Incêndio na Zona Rural em Goiás teve sua criação aprovada no dia 9 de julho pela Câmara Temática de Estratégia, Competitividade e Políticas Públicas do Agronegócio do Estado de Goiás – O Agro é de Todos. O lançamento oficial foi feito no dia 20 de julho pelo governador Ronaldo Caiado. A partir de julho, o projeto passou a fazer parte do Plano Estratégico Operacional de Atuação Integrada no Combate a Incêndios Florestais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).



O plano federal busca unir esforços com governos estaduais, entidades e empresas para prevenir, reprimir e investigar casos relacionados a queimadas e outros crimes ambientais na Amazônia, Cerrado e Pantanal. A chamada Operação Guardiões do Bioma prevê a participação de seis mil profissionais em ações até novembro, conforme a necessidade e demanda dos Estados, com maior atenção para Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Goiás. Eles vão apurar crimes, monitorar riscos, elaborar, revisar e validar planos, matrizes e protocolos integrados, avaliar resultados e propor medidas corretivas e preventivas.

Próxima parada

De Piranhas, as equipes do Comitê de Prevenção e Combate a Focos de Incêndio na Zona Rural em Goiás seguirão para Porteirão, na Região Sul do Estado. O município sediará ação no dia 16 de setembro (quinta-feira).

Serviço:

Ação de Prevenção e Combate a Focos de Incêndio em Zona Rural
Data: 10 de setembro de 2021 (sexta-feira)
Horário: 9 horas
Local: Sindicato Rural de Piranhas (Parque de Exposições Agropecuárias Wilian José dos Santos)

Entidades que integram o Comitê de Prevenção e Combate a Focos de Incêndio na Zona Rural em Goiás:
Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO)
Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-GO)
Corpo de Bombeiros Militar de Goiás
Enel Distribuição Goiás
Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg)
Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg)
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio)
Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO)
Polícia Civil do Estado de Goiás (PC-GO)
Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO)
Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa)
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad)
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-GO)
Sindicato da Indústria de Fabricação de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaçúcar)
Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg)
Superintendência da Polícia Rodoviária Federal em Goiás (PRF)

Também são parceiros da ação em Piranhas:
Prefeitura Municipal
Sindicato Rural

Fonte: Seapa – Governo de Goiás

Segundo dados, quase 190 mil km² da floresta amazônica queimaram entre 2001 e 2019, ou seja, cerca de 20 mil campos de futebol destruídos pelo fogo em 18 anos. A Sputnik Brasil conversou com analista para saber como prevenir, combater e restaurar áreas florestais prejudicadas por incêndios.

De acordo com estudo publicado ontem no início deste mês de setembro pelarevista Nature, os incêndios que atingiram a Amazônia desde 2001 podem ter afetado 95,5% das espécies de plantas e animais vertebrados conhecidas em todo o bioma.

A pesquisa indica que quase 190 mil km² da floresta amazônica queimaram entre 2001 e 2019 (cerca de 20 mil campos de futebol destruídos pelo fogo em 18 anos) e que a cada novos 10 mil km² de área queimada, até 40 espécies a mais podem ser prejudicadas.
Um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Brando, afirma que os dados, apesar de alarmantes, podem estar subestimados.

"Ainda conhecemos uma parte pequena da biodiversidade da Amazônia. Todo ano temos publicações de artigos identificando espécies novas no bioma", disse Brando citado pelo G1.

Segundo a mídia, um levantamento feito pela ONG MapBiomas que considerava a Amazônia Legal (território que engloba oito estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão) concluiu que uma área maior que a da Inglaterra é queimada todos os anos no Brasil desde 1985. Isso equivale a quase 151 mil km² consumidos anualmente pelo fogo.

A Sputnik Brasil conversou com Warwick Manfrinato, engenheiro agrônomo do Instituto de Estudos Avançados/USP e pesquisador associado da Universidade de São Paulo para entender o porquê do aumento das queimadas no Brasil neste ano, quais recursos o país disponibiliza para combater os incêndios e o que pode ser feito para restaurar áreas atingidas pelo fogo.


Manfrinato diz que o país tem programas de prevenção de fogo nas diferentes jurisdições, o que faz com que cada um tenha algumas particularidades, entretanto, esses programas são coordenados a nível nacional por órgãos como o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA).

"O Brasil é um país de território florestal na sua grande maioria. Metade do território ainda é terra pública, terra do cidadão brasileiro. Quem gere as terras protegidas é o Ministério do Meio Ambiente, as terras indígenas é o Ministério da Justiça, as terras militares é o Ministério da Defesa, também temos as terras devolutas, que ainda não têm uma destinação de propriedade. […] E por último, temos as terras privadas", explicou.


O engenheiro afirma que nas terras privadas é possível encontrar "uma quantidade muito grande de florestas", porém, o proprietário privado "olha para floresta como algo de segunda categoria, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde têm forte atividade agrícola que demandam abertura do espaço florestal".

Na visão do especialista, o robusto gerenciamento que é necessário para esses diferentes "tipos de terras", uma comunicação pouco efetiva entre o governo federal e estadual e a falta de recursos, "produzem uma série de bolas divididas que são complexas" e podem prejudicar a administração de métodos de prevenção de incêndios.


"O fogo é uma coisa estocástica, ele é aleatório, você não sabe onde e quando vai acontecer. O que temos é uma série temporal de incidentes e sinistros [durante o período da seca], mas não sabemos quando alguém 'vai riscar um fósforo'."

Segundo o especialista, a floresta Amazônica e a Mata Atlântica são florestas úmidas, ou seja, quando um fogo começa nessas áreas florestais, o agente impulsor é humano. Uma vez sendo esse o motivo, na questão da prevenção, mais do que olhar para o meio ambiente, é necessário olhar para esse agente.

"Se não for 100%, é algo muito próximo em torno disso: todos os incêndios são causados criminalmente ou acidentalmente. Para lidar com as questões de prevenção, temos que olhar para como o ser humano está atuando, e aí entramos em aspectos culturais."


Manfrinato elucida que o fogo sempre foi uma prática utilizada para lidar com resíduos no campo da agricultura, por exemplo, "queimar a palha para que a colheita tenha mais sucesso". No entanto, outro fator cultural seria o das pessoas que "gostam de colocar fogo nas coisas de propósito".

"Há o serial killer, que gosta de matar, há gente que gosta de colocar fogo onde não deve, são os chamados arcenistas."


Aumento de áreas incendiadas
Neste ano, foi possível acompanhar uma forte progressão dos focos de incêndio no Brasil, indagado do porquê desse aumento, Manfrinato aponta para a "variabilidade climática e a mudança global do clima".

"A variabilidade climática é que nessa época temos a seca […] a sazonalidade climática cria uma situação onde a precipitação entra em um vale de redução, por exemplo, na região amazônica temos lugares que chovem até três, quatro mil milímetros por ano. Aqui [no Sul] temos de 1.800 a dois mil milímetros por ano, ou seja, fica mal distribuído ao longo do ano."
Manfrinato também chama atenção para o fato de que há diferenças entre uma floresta que já pegou fogo e uma que nunca sofreu um incêndio. "Se temos uma floresta que já pegou fogo em anos anteriores, muitas vezes podemos ter um tronco no local, seco, que vira uma vela e daí ele propaga esse fogo".


Métodos de combate ao fogo
O engenheiro conta que uma forma de prevenção e combate consiste em "onde temos uma situação de muita biomassa seca, pode-se fazer uma espécie de controle, ou seja, passar máquinas, e também executar a prática do aceiro, atividade que compartimentaliza para que se pegar fogo, a partir de um certo ponto, ele não consegue se propagar".

Caso o fogo tenha gerado grande incêndio e não tem mais como controlar, pode-se combater "por terra, entrando com equipes que vão estabelecer os aceiros, que vão tentar entender o comportamento do fogo, para onde ele está indo, que tipo de vento, direção, qualidade está tendo a fim de combatê-lo". Outra forma de vencer o fogo, que é a principal delas, é a água misturada com produtos antifogo.

O especialista também comenta sobre o combate aéreo, entretanto, salienta que esse tipo de combate gera altos custos, e "o setor privado tem tido mais sucesso nessa área".

"A área de combate aéreo de incêndios é uma área altamente tecnificada, e o estado de alerta e prontidão necessários para combate são muito custosos. […] Hoje, o governo brasileiro tem apenas um grande avião para essa ação, que é o Hércules, uma aeronave obsoleta, mas é o único com capacidade para carregar água acima de dez mil litros. O restante são aviões pequenos, que são os chamados 'aviões de pulverização agrícola' adaptados para levar entre mil a quatro mil litros de água. […] Por esse conjunto de elementos, nosso país está muito atrasado nesse tema."

Manfrinato complementa que o Brasil não tem uma indústria de aviação que transforme avião de carga e transporte em aeronaves de combate ao incêndio.

"A Embraer, que é nosso principal ícone da indústria de equipamento aéreo, ela não tem um programa para pegar um avião antigo que já foi retirado da sua atividade primária e preparar esse avião para combater incêndios. Nos EUA e no Canadá existem diversas empresas que fazem isso."

Adicionalmente, o engenheiro diz que, por uma infelicidade, o período de incêndio na América do Norte é o mesmo na América do Sul, o que dificulta uma possível ajuda externa que poderia chegar ao Brasil.

Restauração de áreas florestais pós-incêndio
Para tentar recuperar uma área afetada por incêndios, Manfrinato diz que é necessário um planejamento, mais ligado à biologia, "que consiste, em um primeiro momento, na retirada de materiais que possam causar novos incêndios, e ao mesmo tempo fazer uma recuperação, que não é um processo rápido, pois as árvores são seres vivos que demoram a crescer".

"Essa recuperação também é de alto custo, uma vez que para plantar árvores novamente não podemos apenas plantá-las pela semente, é necessário produzir as mudas, e sendo assim, é preciso ter viveiros, ter uma equipe especializada para isso. […] É muito mais caro recuperar uma floresta do que fazer um o plantio agrícola."
O especialista ressalta que a floresta ela "não rende nada", ela "não tem um retorno, uma lucratividade", portanto, pelo alto custo para recuperação de uma floresta, é mais fácil essa área ser incorporada à atividade agrícola.

"Quando uma fazenda tem um terreno que tem aptidão agrícola, mas está restrita porque a expansão não chegou lá ou porque o fazendeiro tem que seguir o código florestal, quando essa área pega fogo, ele começa a olhar para aquele local não pretendendo que o terreno volte a ser floresta", explicou o engenheiro.


Entretanto, Manfrinato diz que "se a gente realmente tiver florestas como áreas que são incorporadas à atividade econômica como floresta conservada – e aí as convenções de biodiversidade e a convenção do clima têm o papel importante de criar oportunidade para isso – então sim, a gente vai poder ter uma perspectiva em médio e longo prazo em que isso possa ser usado pelo proprietário agrícola".

Informações do Sputnik Brasil

Resultados do Sistema de Monitoramento de Exploração Madeireira (Rede Simex) indicam que a extração na Amazônia continua ocorrendo de forma ilegal em regiões de proteção integral, reservas indígenas e unidades de conservação de uso sustentável.

Os dados mostram também que, somente no período entre agosto de 2019 e julho de 2020, a área total devastada para retirada de madeira foi três vezes maior que a cidade de São Paulo. Foram 464 mil hectares, mais da metade no Mato Grosso, 15,3% no Amazonas e 15% em Rondonia.

Embora a maior parte desse total tenha ocorrido em imóveis rurais cadastrados, mais de 11% do território explorado se encontram em áreas protegidas. Nas terras indígenas, 24 mil hectares foram atingidos. As situações mais críticas foram observadas nos territórios Tenharim Marmelos (AM), com 6 mil hectares, Batelão (MT), com 5.000 hectares, e Aripuanã (MT), com 3.000 hectares.

::PF apreendeu mais madeira ilegal em cinco meses de 2021 do que em 2018, 2019 e 2020::

Em unidades de conservação foram 28 mil hectares devastados. Somente no Parna dos Campos Amazônicos (AM), região de proteção integral onde a exploração é totalmente proibida, o estrago chegou a 9 mil hectares. Foi identificada atividade madeireira também em terras não destinadas, áreas públicas em que a extração não é permitida. 

O problema pode ser ainda maior, porque há falta de informações sobre autorizações para o manejo florestal na maioria dos estados. Essa verificação só é possível no Pará e no Mato Grosso. O levantamento envolveu sete dos nove estados da Amazônia Legal, que concentram quase toda a produção brasileira: Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima,

“A transparência é fundamental para qualificar o debate sobre o setor florestal na Amazônia e para combater a madeira ilegal. Enviamos pedidos de acesso aos dados via LAI, a Lei de Acesso à Informação, e temos dialogado com todos os órgãos estaduais de meio ambiente visando a construção de uma agenda positiva e o compartilhamento de conhecimento”, ressalta Leonardo Sobral, gerente florestal do Imaflora, umas das organizações responsáveis pelo estudo.

::Desmatamento de áreas protegidas cresce 20% na Amazônia; veja as áreas mais afetadas::

A Rede Simex é composta por pesquisadoras e pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e do Instituto Centro de Vida (ICV).

Edição: Vinícius Segalla

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Durante fala emocionada na Comissão de Meio Ambiente (CMA), a líder mundurucu Alessandra Korap descreveu como branca e barrenta a água do Rio Tapajós, curso d’água que nasce em Mato Grosso, banha parte do Pará e desagua no Rio Amazonas, em frente à cidade de Santarém, a cerca de 695 quilômetros de Belém.

Contendo 6% das águas da Bacia Amazônica, a Bacia do Tapajós é mais uma área poluída e assoreada pelos garimpos que crescem vertiginosamente na Amazônia.

Realizada em 25 de agosto, a audiência pública debateu o projeto do marco temporal. O texto determina que índios só podem reivindicar as terras ocupadas por eles até 1988, ano de promulgação da Constituição. O PL 490/2007 altera uma norma que tem quase 50 anos, o Estatuto do Índio (Lei 6.001, de 1973). 

— A Funai não está do lado dos povos indígenas. Eles só querem saber de mineração, de madeira, de deixar o nosso rio sujo. A gente vê o Rio Tapajós, que é o mais lindo do mundo, infelizmente está sujo. Se você vai na beira do rio, principalmente entre Itaituba e Jacareacanga, a água é branca, branquíssima. A gente bota o remo e vê a lama que vem do garimpo — denunciou Alessandra.

A denúncia mobilizou os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Confúcio Moura (MDB-RO), respectivamente presidente e vice da CMA. Confúcio se comprometeu a apoiar a causa dos índios e a “resistir bravamente ao projeto quando ele chegar ao Senado”. 

Wagner disse que ficou “contaminado positivamente” pelas palavras de Alessandra. O senador criticou a aprovação de propostas legislativas diretamente pelos Plenários do Senado e da Câmara, sem o exame aprofundado nas comissões temáticas, e classificou como “fundamental” combater a violência contra os índios. 

— Há uma corrida, uma marcha da insensatez no sentido de aprovar tudo sob o guarda-chuva da epidemia de covid-19. Estamos transformando o Plenário numa grande comissão. [...] Ninguém vive o drama da demarcação sem se envolver emocionalmente e tivemos aqui depoimentos contagiadores da alma.

O senador criticou também a atitude dos que se indiguinam com costumes absurdos no exterior sem se dar conta de que no Brasil querem impor um modelo de desenvolvimento e de vida:

— Desenvolvimento é desenvolvimento ou erniquecimento de alguns? Tudo é terra para mais gado ou mais ouro? Não estou dizendo que esses não sejam valores, mas a isso aí vamos na usura sem limites?

A participação de Alessandra foi seguida do depoimento do líder ianomâmi Davi Kopenawa, de Roraima. De acordo com ele, a mineração é um dos grandes males levados pelos brancos aos territórios dos povos originários, que continuam a ser invadidos e saqueados mais de 500 anos depois do descobrimento do Brasil:

— A sociedade [branca] veio atravessando o mar de canoa grande [caravelas] pra invadir o Brasil. Eu queria dizer o nome do homem que pisou as nossas terras, olhou e cresceram os olhos. O nome dele é Pedro Alvares Cabral. O povo indígena já estava aqui morando, vivendo, cuidando da terra para a neta, criando nossos filhos. O índio não é destruidor, não precisa desmatar muito como o branco faz. A natureza já criou muitas arvores boas e variadas. Eu pensava que o homem [branco] era inteligente, mas ele é inteligente pra outras coisas: destruir a terra, sujar a água, matar peixe e matar o povo indígena. Isso não pode ser assim, não!

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Líderes Alessandra Korap e Davi Kopenawa em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente (fotos: Pedro França/Agência Senado)

Cinco dias antes do debate, a CMA havia sido palco de outra discussão sobre os efeitos danosos da exploração de recursos naturais. Coordenada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), a audiência analisou a Política Nacional sobre Mudanças Climáticas (PNMC) e serviu para instruir o relatório que será levado à 26ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP26), em Glasgow, na Escócia.  Na cúpula, que termina em 12 de novembro, serão firmados os próximos passos para a implementação do Acordo de Paris, o mais importante compromisso multilateral para o clima em anos recentes.

Para avaliar a política climática sob responsabilidade do governo federal, identificar falhas e omissões e propor recomendações, a senadora convidou estudiosos e ambientalistas a analisarem a atuação do Poder Executivo na prevenção e controle de desmatamentos e queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. O resultado foi um conjunto de observações negativas, que traçam um cenário de devastação ecológica no rastro da desarticulação de atividades como o monitoramento e a fiscalização ambiental, além da repressão a desmatadores, grileiros, incendiários e garimpeiros.

Segundo o pesquisador do Instituto Socioambiental Antonio Oviedo, a mineração na Amazônia Legal degradou 39,6 mil hectares de terras públicas e privadas, sendo 8,7 mil (22%) somente em áreas indígenas, de 2017 a 2021. A destruição atingiu 20,9 mil hectares em unidades de conservação federal e 9,5 mil em terras fora de áreas de proteção. Os dados são do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Deter dá suporte ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos ligados ao tema na fiscalização e no controle do desmatamento e da degradação florestal.

Um problema ambiental normalmente não aparece sozinho; muitas vezes ocorre em paralelo ou em associação a outros. O desmatamento em terras indígenas da Amazônia Legal, por exemplo, alcançou 1,6 milhão de hectares entre 2009 e 2018, conforme dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também operado pelo Inpe. Oviedo chamou a atenção da CMA para a aceleração da prática nos dois primeiros anos do atual governo (2019-2020): 44,9 mil hectares desmatados por ano, aumento de 100% em relação à média observada entre 2009 e 2018, de 22,4 mil hectares/ano.

Já as queimadas na região cresceram de 587,8 mil focos em 2018 para 1,1 milhão em 2020, segundo dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Só de janeiro a agosto deste ano, os focos atingiram 337,8 mil, com crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2020.

— O desmatamento, em especial na Amazônia, puxa o crescimento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa prejudiciais ao clima. São 968 milhões toneladas de dióxido de carbono, 44% do total das emissões do país — disse o pesquisador.

Oviedo cobrou “ações de fiscalização e controle que sejam capazes de fazer cessar os ilícitos e, assim, resguardar os povos indígenas e populações tradicionais”. Entre essas medidas estão a retirada de invasores e a retomada dos processos de demarcação das terras indígenas, além do “imediato cancelamento de Cadastros Ambientais Rurais (CAR) sobrepostos a essas áreas”.

O pesquisador também defendeu a rejeição de dois projetos que, segundo ele, facilitam o desmatamento na Amazônia Legal. O PL 2.159/2021, em tramitação no Senado, muda as normas do licenciamento ambiental; E o PL 191/2020, em debate na Câmara, estabelece as condições específicas para a realização da pesquisa e da lavra de recursos minerais e hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) e para o aproveitamento de recursos hídricos destinados à geração de energia elétrica em terras indígenas. O texto institui indenização aos índios pela restrição do usufruto de suas terras.

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Confúcio Moura, Jaques Wagner e Eliziane Gama estão preocupados com a degradação do meio ambiente (fotos: Pedro França/Agência Senado, Geraldo Magela/Agência Senado e Edílson Rodrigues/Agência Senado)

Em evidência por causa dos 6 mil índios que acompanham em Brasília o julgamento do marco temporal pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a questão da exploração dos recursos minerais em terras indígenas ganhou mais amplitude na última semana de agosto, quando foram divulgados dados inéditos pela organização de pesquisa MapBiomas. Analisando imagens de satélites da Nasa com o auxílio de inteligência artificial, os pesquisadores constataram que a área ocupada pela mineração no Brasil cresceu mais de 6 vezes entre 1985 e 2020: de 31 mil hectares em 1985 para um total de 206 mil hectares no ano passado. E boa parte desse crescimento se deu mediante a expansão na Floresta Amazônica.

Em 2020, três em cada quatro hectares minerados no Brasil se localizavam na região. A Amazônia concentra 72,5 % (149.393 hectares) de toda a área de mineração, incluindo a industrial e o garimpo, sendo que 101.100 hectares (67,6%) referem-se a garimpos.

Os dados também mostram que a quase totalidade do garimpo do Brasil (93,7%) concentra-se na Amazônia. No caso da mineração industrial, o bioma responde por praticamente metade (49,2%) da área ocupada por essa atividade no país.

A atividade garimpeira superou a área associada à mineração industrial em 2020: 107.800 contra 98.300 hectares, respectivamente. Enquanto o crescimento da mineração industrial se deu de forma gradual e contínua, a um ritmo de 2,2 mil hectares por ano entre 1985 e 2020, no caso do garimpo a situação foi bem diferente: o avanço, que era baixo entre 1985 e 2009, em torno de 1,5 mil hectares por ano, quadruplicou para 6,5 mil hectares por ano a partir de 2010.

Há uma outra diferença entre a mineração industrial e o garimpo, de acordo com os estudiosos do tema: embora não deixe de oferecer danos, como se viu nos acidentes em Mariana e Brumadinho (MG), a primeira está mais sujeita à fiscalização, em contraponto ao alto grau de informalidade da procura desenfreada por ouro, o mineral mais ambicionado pelos aventureiros. Enquanto a produção de ferro (25,4%) e alumínio (25,3%) respondem por metade da área de mineração industrial, 86,1% da área garimpada está relacionada à extração de ouro.

“Existe uma mensagem clara no governo estimulando essa atividade. Hoje nós temos garimpeiros que atuam na ilegalidade e que acreditam que o Estado não vai puni-los e que, mais do que isso, vai legalizar essa atividade hoje”, disse durante o evento virtual do MapBiomas o procurador da República Gustavo Kenner Alcântara.

 “O fato é o enfraquecimento mesmo dessas instituições como o IBAMA, até como a Agência Nacional de Mineração. Eles não têm recursos pra fazer as operações de fiscalização e ir em campo combater esse tipo de crime. A gente já sabe onde acontece esses crimes”, disse Larissa Rodrigues, do Instituto Escolhas.

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Garimpo na terra ianomâmi e protesto de mulheres mundurucu contra a atividade ilegal (fotos: Bruno Kelly/Amazônia Real e Movimento Iperegayu)

"Pela primeira vez, a evolução das áreas mineradas é apresentada para a sociedade, mostrando a expansão de todo o território brasileiro desde 1985. Trata-se de dados inéditos que permitem compreender as diferentes dinâmicas das áreas de mineração industrial e garimpo e suas relações, por exemplo, com os preços das commodities, com as unidades de conservação e terras indígenas", afirmou Pedro Walfir, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador do Mapeamento de Mineração no MapBiomas.

Segundo ele, agora já se pode apontar quais são as lavras permitidas e quais são as não autorizadas:

"As que ocorrem dentro de terras indígenas e em unidades de conservação e áreas de proteção integral são, por princípio, ilegais".

Os dados dos satélites confirmam a razão das queixas dos líderes indígenas na Comissão de Meio Ambiente. De 2010 a 2020, a área ocupada pelo garimpo dentro de terras indígenas cresceu 495%. Nas unidades de conservação, o crescimento foi de 301%. Em 2020, metade da área nacional do garimpo estava em unidades de conservação (40,7%) ou em terras indígenas (9,3%). Conforme o MapBiomas, as maiores áreas de garimpo em terras indígenas estão em território caiapó (7.602 hectares) e mundurucu (1.592 hectares), no Pará, e ianomâmi (414 hectares), no Amazonas e em Roraima.

Entre as dez unidades de conservação com maior atividade garimpeira, oito ficam no Pará. As três maiores são a Unidade de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós (34.740 hectares), a Floresta Nacional (Flona) do Amaná (4.150 hectares) e o Parque Nacional (Parna) do Rio Novo (1.752 hectares). E todos os dez municípios com maior área garimpada ficam no sul do Pará e norte de Mato Grosso, com Itaituba, Jacareacanga e São Félix do Xingu nas três primeiras posições.

"Os produtos da mineração são fundamentais para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. Esperamos que estes dados contribuam para a definição de estratégias para acabar com as atividades ilegais e estabelecer uma mineração em bases sustentáveis respeitando as áreas protegidas e o direito dos povos indígenas e atendendo os mais elevados padrões de cuidado com a biodiversidade, solo e a água", afirmou Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.

Veja trechos da audiência pública da Comissão de Meio Ambiente com as lideranças indígenas Alessandra Korap e Davi Kopenawa

https://youtube.com/watch?v=JE0awCSs11E%3Fenablejsapi%3D1%26rel%3D0%26showinfo%3D0%26controls%3D1

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Fonte: Agência Senado

As áreas de garimpo aumentaram 10 vezes, entre 1985 e 2020, enquanto a mineração industrial cresceu 4,7 vezes no período

Entre 1985 e 2020, a área ocupada pela mineração no Brasil, incluindo a atividade industrial e o garimpo, aumentou seis vezes, passando de 31 mil hectares para 206 mil hectares de área minerada. Os dados, inéditos, foram divulgados pelo projeto MapBiomas e indicam um crescimento acelerado das áreas de garimpo, que aumentaram 10 vezes, enquanto a mineração industrial cresceu 4,7 vezes no período. Em 1985, dois terços da área ocupada pela atividade era mineração industrial e um terço garimpo. Hoje, há mais áreas de garimpo do que de mineração industrial. O garimpo ultrapassa 50% da área minerada no País. 

De acordo com o pesquisador do MapBiomas Pedro Walfir, esse aumento da área minerada está muito relacionado com os preços das commodities minerais no mercado internacional. Antes os preços eram muito estáveis, mais a partir de 2000 os preços do ouro e do minério de ferro tiveram aumentos expressivos, acentuando-se ainda mais a partir de 2008.  

Das áreas mineradas no País, 72% estão na Amazônia, 14,7% na Mata Atlântica e 9,9% no Cerrado. No caso da mineração industrial, a Amazônia lidera, com 48 mil hectares, vindo depois a Mata Atlântica, com 29 mil hectares, seguida do Cerrado, com 15 mil hectares. Já no caso do garimpo, a Amazônia tem 93% da atividade, enquanto a Mata Atlântica tem 1% e o Cerrado 4,7%. A explicação para o crescimento na Amazônia, segundo o pesquisador, é que o bioma contém as grandes províncias minerais. A Mata Atlântica, por sua vez, possui o Cráton São Francisco. Isso explica o fato de o Pará e Minas Gerais serem os dois principais produtores minerais do País. 

Um dado crítico mostra que 9,3% das áreas de garimpo estão dentro de terras indígenas, embora apenas 11 das mais de 500 áreas indígenas apresentem atividade garimpeira. Nos últimos 10 anos, houve um crescimento de 495% de área de garimpo em terras indígenas. O território dos Kayapó é o mais minerado, com mais de 7.600 hectares, seguido pelos Munduruku, com 1.592 hectares e Yanomami, com 414 hectares. Um total de 40,7% das áreas de garimpo estão em Unidades de Conservação, com um crescimento de 301% nos últimos 10 anos, alcançando 42 mil hectares em 2020. A maior área está na APA do Tapajós, com 34,7 mil hectares. 

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Dos 10 municípios com maior área minerada, 9 estão no estado do Pará e apenas um no Mato Grosso. Itaituba, no Pará, é o município com a maior área minerada, com quase 45 mil hectares, seguido por Jacareacanga, também no Pará, com 9.450 hectares, Parauapebas (PA), com 7.558 hectares, Oriximiná (PA), 6.278 hectares e São Félix do Xingu (6.212 hectares). 

Em termos de substâncias minerais, do ponto de vista industrial a substância mais lavrada é o minério de ferro, com 25,4%, vindo a seguir o alumínio (bauxita), com 25,3%, as rochas ornamentais, com 13,5%, estanho (9,1%), o calcário (8,7%), minerais de classe 2 – brita e areia (7,1%) e o ouro (6,0%). Já no garimpo, o ouro predomina, com 86,1% das áreas mineradas, seguido pelo estanho, com 8,4%.
 

Fonte: Brasil 61

O 'Programa Sementes', no Acre, desenvolve manejo, coleta e a comercialização sustentável para preservar a mata nativa

“A nossa casa é rodeada de árvores, de plantas. Árvores para nós são a nossa proteção”. As palavras são de Francisco Piyãko, uma das lideranças do povo Ashaninka, comunidade indígena de origem peruana que ocupa o território brasileiro no extremo-oeste do Acre, coladinho com a fronteira do Peru. 

Há séculos o povo dele cuida da floresta e cultiva o hábito de manejar as sementes, de modo que espécies belíssimas jamais desapareceram. “Está na nossa cultura essa relação com a semente que é muito forte e finda que, quando a gente apresenta ele lá fora, sobre a ideia, a intenção desse projeto nosso, ele é muito admirado’”, conta Piyãko.

A ideia é coletar sementes e distribuir para onde estiverem precisando 

Desde 2017, a tradição secular do povo Ashaninka do rio Amônia ganhou um reforço institucional, com apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Acre, foi criado o 'Programa Sementes', um método oficial que estabelece um plano de manejo, coleta e comercialização.

A própria comunidade faz o mapeamento, a coleta e a seleção por meio da cooperativa Ayõpare. O destino destas sementes são espaços onde há iniciativas de reflorestamento em todo Brasil.

:: Guardiãs e guardiões de sementes crioulas partilham grãos como forma de resistência :: 

“A gente vai na mata, escolhe a matriz, dependendo da espécie pode ser mogno, cedro ou copaíba. então, a gente vai lá, faz o trabalho de monitoramento, coordenar as espécies e espera ela chegar no ponto certo de produzir”, conta o agente florestal José Valdeci Piyãko.

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Francisco Piyãko é uma das lideranças do povo Ashaninka / Reprodução

A escolha das árvores é criteriosa, sempre espécies saudáveis e em boa forma. Até o momento, o projeto já selecionou 855 matrizes, de 12 espécies diferentes

O trabalho exige esforço e muita técnica. Algumas coletas, por exemplo, demandam a perícia de um alpinista para alcançar as sementes no alto de uma árvore. Outras precisam de uma verdadeira expedição; tudo isso em nome da qualidade genética e da preservação da natureza.

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“O objetivo maior nosso é fazer com que nós tenhamos uma estratégia de proteger essa matriz, manter essa floresta de pé e intacta, coletar sementes e distribuir essa semente para onde estiver precisando”, afirma Francisco Piyãko. 

A recompensa dessa iniciativa, se é que podemos falar em recompensa, é manter belezas como estas intactas e preservadas da destruição, porque onde há semente há renascimentos.

Edição: Douglas Matos

Por meio de parceria entre Seapa e Senar Goiás, um distrito e dois povoados receberam qualificações para produção de doces artesanais, hortas, leite e derivados. Ao lado de órgãos do Governo de Goiás, entidades e empresas, equipes percorreram oito municípios em mais de 300 quilômetros na Expedição Desafiando Limites

O Caminho de Cora Coralina é uma trilha de longo curso que soma mais de 300 quilômetros de extensão. A trajeto inclui oito municípios, oito povoados e três unidades de conservação ambiental. Os municípios incluídos no trajeto são: Corumbá, Cocalzinho de Goiás, Pirenópolis, São Francisco, Jaraguá, Itaguari, Itaberaí e cidade de Goiás

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) marcou presença durante a Expedição Desafiando Limites, que percorreu o Caminho de Cora Coralina mostrando as belezas do Cerrado e levando benefícios à população da região durante todo o trajeto. Balanço totaliza oito mil atendimentos realizados em oito dias de jornada.Ao lado de vários órgãos do Governo de Goiás, da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Enel e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás), os parceiros levaram benefícios aos moradores da região, entre orientações, cursos e a distribuição de 1,5 mil cestas básicas.

Cursos

A Seapa e o Senar Goiás contribuíram com a iniciativa oferecendo cursos para produção de doces artesanais, produção de leite e derivados (queijos e iogurtes) e cultivo de hortas. Os treinamentos ocorreram em Calcilândia, distrito da Cidade de Goiás, e nos povoados de Radiolândia e Palestina, próximos a Pirenópolis e Jaraguá, respectivamente. Mais de 30 pessoas foram capacitadas.

“Esses cursos são muito importantes, porque representam oportunidade de melhoria de vida para populações que muitas vezes ficam à margem do desenvolvimento. Estamos resgatando essas pessoas e dando a todos a chance de prosperar, isso é devolver Goiás aos goianos”, lembra o secretário Tiago Mendonça, citando o mote do governador Ronaldo Caiado.

No sábado, Caiado percorreu os últimos oito quilômetros da trilha, do antigo Arraial do Ferreiro até a Cidade de Goiás. “É um percurso que encanta. Significa resgatar a história, mostrar como nossos antepassados viveram e ter orgulho”, disse Caiado. Embaixador do trajeto, o ultramaratonista Márcio Villar também se mostrou arrebatado pela experiência: “Já fiz vários percursos no mundo e nunca vi nenhum igual a esse. Em nenhum caminho no mundo se tem essa segurança e beleza”.

Oportunidades

A assessora da Seapa, Jéssica Fernandes, acompanhou todo o trajeto da expedição. “Poder participar desta expedição foi incrível, um marco tanto para a minha vida pessoal quanto profissional. Pude ver que o turismo rural já é uma realidade no nosso Estado e também constatar a força no agronegócio goiano”, testemunha ela.

Para Jéssica, o Caminho de Cora Coralina vai proporcionar que o turismo rural continue crescendo com qualidade. “O percurso é riquíssimo em belezas naturais e em oportunidades, recomendo que as pessoas conheçam Goiás e façam o Caminho de Cora Coralina”, conclama.

O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, antecipou que, a partir de 2022, a expedição será em julho, na semana que antecede a transferência da capital para a Cidade de Goiás. “Além de não ter chuva, é mais fresco e no período de férias”, argumentou. A intenção é estabelecer parcerias com empresas especializadas em turismo para ampliar o suporte aos caminhantes.

Já o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, revelou que o sucesso do Caminho de Cora despertou interesse de outros municípios na criação de seus próprios roteiros turísticos. “Temos pelo menos 10 pedidos para criação de novos caminhos”, citou, exemplificando que pretende oferecer consultoria e apoio para criação do Caminho das Emas e do Caminho dos Veadeiros. “Os resultados para o desenvolvimento econômico e social são fantásticos”, comentou.

Trajeto
O Caminho de Cora Coralina é uma trilha de longo curso que soma mais de 300 quilômetros de extensão. A trajeto inclui oito municípios, oito povoados e três unidades de conservação ambiental. Além das paisagens exuberantes, a “única trilha de poesias do mundo” oferece ao peregrino frases e poemas da escritora Cora Coralina, um dos nomes mais conhecidos da literatura goiana. Os municípios incluídos no trajeto são: Corumbá, Cocalzinho de Goiás, Pirenópolis, São Francisco, Jaraguá, Itaguari, Itaberaí e Cidade de Goiás.

Participaram da Expedição Desafiando Limites:
Organização das Voluntárias de Goiás (OVG)
Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa)
Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater)
Secretaria de Estado da Retomada
Secretaria de Estado da Cultura (Secult)
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds)
Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad)
Secretaria de Estado da Saúde
GoiásFomento
Goiás Telecom
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás)
Sebrae
Enel

Comunicação Setorial da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) – Governo de Goiás

Fonte:

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