Marcos Palmeira: “Sacanagem é sempre bom”

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marcosRaul é um cara que vê sua vida afundar em dois tempos. O emprego como jornalista cultural em um grande jornal fica para trás após uma passada de perna na redação. O casamento com a mulher da sua vida também, depois de várias tentativas dela de ver o marido amadurecer. O dinheiro acaba, a esperança também… Até que uma luz surge no fim do túnel, e ele decide transformar uma fantasia em realidade.

O personagem da série “A Segunda Vez”, que estreia dia 11 de agosto no Multishow, é doido por pornografia. “Tenho a mentalidade de um garoto de 14 anos”, ele diz no primeiro episódio. A tal luz no fim do túnel justamente se dá entre mulheres esculturais e muito sexo. Raul, interpretado por Marcos Palmeira, vira um tipo de cafetão de luxo, o protetor das garotas de programa.

“Ele curte uma sacanagem, mas ao mesmo tempo não pega nenhuma das meninas. Ele não faz pensando em se dar bem. ‘Oba, vou comer essas mulheres todas!’ Não. Ele faz porque tem uma coisa de afeto por elas. Ele começa a querer cuidar delas e vê que elas podem se dar bem melhor do que elas se dão”, disse o ator ao iG.

No elenco, Priscila Sol vive Ariela, a mulher de Raul, e Letícia Persiles, Monique Alfradique,Nathalia RodriguesGabriella Grecco e Eline Porto completam o paraíso. “Ele não olha para elas e vê aquela coisa da puta no sentido mais pejorativo da palavra. Ele enxerga como uma profissão, são meninas atrás de uma oportunidade. O Raul quer proteger essas meninas e valorizar seu trabalho. E segue louco para voltar para a mulher dele, só pensa nisso”, garantiu Palmeira.

Hoje com 50 anos, o ator assumiu, em termos, que já teve uma fase à la Raul quando moleque, de só pensar em mulheres e sexo. “Acho que todo mundo (já passou por isso). É humano. Dentro da gente somos muito mais novos do que a gente é. É a vida que cobra muito, mas a gente gostaria de preservar algo mais infantil. Mas acho que sim. E uma sacanagem é sempre bom, não faz mal para ninguém, né (risos)?”, levantou a questão.

O texto foi adaptado do livro “A Segunda Vez Que Te Conheci”, de Marcelo Rubens Paiva, e foi lá que Palmeira criou base para a inconsequência de Raul. Se nossa inconsciência já é naturalmente infantil, a realidade de Raul também é.

“Ele é um cara com um estilo meio antigo, ainda bebe uísque, cheira cocaína, fuma… É outra época. Eu nem sou esse cara, não tenho a ver com ele, mas mergulhei naquilo que estava proposto no texto. Com essa qualidade, você não precisa buscar fora muita coisa”, falou.

Palmeira continuou: “Ele tem esse lado meio adolescente, de ir vivendo dia a dia. É uma das cobranças da mulher, até. Ela fala que ele não amadureceu, que ele não cresce, que ele não teve um filho… Ele é bem inconsequente”. Se ele vai amadurecer? “Esse é que é o mistério. O cara vai tomando tanta porrada… Até que ponto esse cara vai aguentar? E vai indo, vai indo, quando ele vê ele está envolvido com submundo, com bandidagem…”, respondeu, deixando no ar.

Cenas quentes, muito quentes

A faixa de horário permite cenas mais ousadas, assim como o público alvo do produto. Portanto, “A Segunda Vez” usa e abusa de câmera na mão para captar, em recortes, momentos íntimos dos protagonistas. Bate um nervoso? Claro, nunca é alegria pura. Mas Palmeira acha que conseguiu transformar o ambiente mais light para suas companheiras de aventura.

“Talvez pelo fato de ter mais experiência, eu deixava as meninas muito à vontade para que elas tivessem a maior liberdade possível para se expor. É muito ruim quando uma atriz faz a cena e tenta esconder o seio com o braço, ou joga o cabelo… Isso é muito chato, porque a gente não é assim em casa. Eu sou o oposto, como ator sempre fui muito liberado nesse sentido. Cena de sexo não é aquela coisa ‘ah, que legal, vamos fazer’. Não é, claro. Demanda uma concentração, cuidado, atenção, e a atriz está sempre mais fragilizada, porque a mulher está sempre mais exposta. O homem se defende mais, até pelo próprio universo machista mesmo”.

Sobre aquela história de se “animar” no set, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. “Ah, não… Aí não dá. Acho que não ajuda. Se eu for fazer uma cena sensual com alguém e ficar com tesão, vou ficar constrangido. E daí como é que eu vou fazer? Agora, em uma novela são 10 meses, se eu sou um cara solteiro, a atriz também é e a gente tem muita cena junto, possivelmente nós vamos namorar. Isso acontece, por isso temos várias histórias do tipo por aí. Mas voltando à questão, não é esse o problema. E nem existe o risco, porque é muita gente (no set), é luz, é gente falando no seu ouvindo… Aliás, acho que quanto menos tiver esse tipo de envolvimento, mais à vontade a gente fica”, disse.

“O Rebu” x “A Segunda Vez”

A única coisa que Palmeira lamenta é não poder assistir à série e a “O Rebu” ao mesmo tempo. Os horários das produções são bem próximos, e o jeito é gravar um e conferir depois.

“E ainda bem que eu não estou fazendo os dois ao mesmo tempo (risos). Isso, para mim, é uma experiência nova, estar em dois veículos, com trabalhos extremamente opostos, no mesmo horário… São propostas distintas, mas também um pouco parecidas na linguagem… Vamos ver. Espero que o público identifique essa diferença”.

IG