Maioria dos jovens de GO trabalha e cursa até o ensino médio, diz estudo

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esudoO perfil do jovem goiano foi traçado em uma pesquisa do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), embasado em dados colhidos entre 2002 e 2012. Atualmente, a população que compõe a faixa etária de 15 a 24 anos é de quase 950 mil pessoas. O levantamento aponta que a maioria delas trabalha e estudou até o ensino médio.

G1 Goiás publica esta semana uma série de reportagens sobre o perfil do jovem no estado.

Um dos cientistas sociais que desenvolveu o projeto, Murilo Macedo conta que a pesquisa foi elaborada em um mês, com base em dados provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa), do Ministério da Saúde.

“O objetivo é traçar um perfil para orientar eventuais pesquisas públicas, deixar os dados mais concisos para a sociedade geral e a academia, que ele possa orientar outros tipos de ações e políticas públicas que tenham esse público como alvo”, disse o cientista social em entrevista ao G1.

Segundo a pesquisa, a população total de Goiás aumentou 17,7% no decorrer da década, totalizando 6.295.982 pessoas em 2012. Em contrapartida, a quantidade de jovens diminuiu no mesmo período e passou de 950.365 pessoas em 2002 para 946.364 dez anos depois. Assim, a participação de jovens no total da população goiana também reduziu de 17,8% para 15% em termos relativos.

Para o psicólogo Sam Cyrous, essa redução pode prejudicar as transformações sociais. “Os grandes agentes de transformações profundas na história são jovens. Se a gente diminui o percentual de juventude, corre o risco de não conseguirmos promover as grandes mudanças sociais que são necessárias. Se a massa crítica não estiver direcionada, tudo se mantém igual”, disse em entrevista ao G1.

A estudante de administração Priscylla Pereira da Silva, 21 anos, acredita que os jovens goianos estão empenhados em promover mudanças, principalmente no que se refere ao combate às desigualdades sociais. Para ela, as pessoas estão mais “desinibidas” e encorajadas a conquistar seus objetivos.

Migração
Em busca de uma vida melhor, o ajudante de obra Ricardo Araújo da Silva, 24 anos, se mudou de Barra da Corda, no Maranhão, para Goiânia, em 2012.“Lá, o que tem é gente jovem desempregado. O salário é baixo. Tudo era muito difícil. Tinha dia que só tinha arroz branco, passava vontade de comer as coisas. Hoje, graças a Deus, não passo mais por isso, o básico eu como”, disse o jovem ao G1.

Como ele, 4,7 mil maranhenses se mudaram para o estado. Segundo a pesquisa, nos dez anos analisados, Goiás apresentou saldo positivo de migrações, ou seja, mais jovens entraram do que saíram do território goiano. A maioria dos que escolheram viver em Goiás nasceu no Maranhão.

Ricardo concluiu o ensino médio, mas quer continuar com os estudos para sair da área em que trabalha, pois, segundo ele, o serviço é “pesado”. Além disso, o jovem sonha em trocar a motocicleta por um carro. Com um salário aproximado de R$ 1,3 mil por mês, ele ainda ajuda a mãe, que não tem outros filhos: “Mando pouco dinheiro, mas para comer ajuda”. Ele tem 18 irmãos por parte de pai.

Após dois anos na capital, Ricardo não pensa em voltar para o Maranhão. “Compensou muito ter vindo. Fui prá lá semana passada e minha irmã veio comigo. Não tenho vontade de voltar a morar lá, quero ficar mais um tempo aqui pela oportunidade de ter trabalho, poder comer melhor e me vestir melhor”, afirma.

Emprego e educação
Como Ricardo, 40% dos jovens somente trabalham, segundo a pesquisa. O levantamento aponta ainda que 19,9% das pessoas nessa faixa etária trabalham e estudam.

Com o aumento de empregos formais, há a necessidade de mão de obra qualificada. Em 2002, 19,5% da população jovem possuía ensino médio, passando para 23,3% em 2012. Os jovens com ensino superior passaram de 8,6% em 2002 para 13,4% em 2012. Os demais níveis de escolaridade não apresentaram alteração significativa. Para o psicólogo, esse aumento na quantia de jovens escolarizados representa um “crescimento inferior ao necessário”.

Priscylla conta que a maioria das pessoas com quem convive acredita que o estudo não é fundamental. “As mulheres se preocupam mais. Nenhum dos meus colegas de ensino médio deu continuidade aos estudos. Muitos querem curtir a vida, não têm responsabilidade. Tem outros que têm que trabalhar e deixam para estudar mais tarde. Eu sempre tive vontade de estudar e segui os conselhos dos meus pais, mas a maioria não é assim”, disse a estudante de administração.

Acesso à informação
De acordo com a pesquisa, houve redução da quantia de jovens que nem estudam nem trabalham, de 14,6 % em 2002 para 12,9% dez anos depois. No entanto, segundo o psicólogo Sam Cyrous, esse valor vai contra a conjuntura mundial e deve aumentar nos próximos anos. “Há uma doença profunda na sociedade, a facilidade do acesso à informação faz com que esta seja uma geração passiva sem o esforço real para conseguir muita coisa”, acredita.

A informação se tornou acessível com a internet. De acordo com a pesquisa, em uma década, o índice de jovens de Goiás que possui computador com internet passou de 8,1% em 2002 para 47,4% em 2012.

Para a estudante de administração, os conteúdos virtuais ajudam muito, mas vários jovens não sabem filtrá-los. “A internet é a minha biblioteca. Lá, tenho várias fontes que sempre abrem para novas possibilidades, mas tem que saber selecionar”, disse Priscylla.

G1