Mães brasilienses de regiões carentes têm dificuldade em conseguir empregos

Além de ganharem menos que os homens, ser mãe também é um empecilho profissional para a mulher, aponta estudo

maeA distorção salarial entre homens e mulheres é uma realidade brasileira, e no Distrito Federal não é diferente. Porém, a situação fica ainda mais desequilibrada quando os trabalhadores vivem em regiões mais carentes. No Plano Piloto, uma mulher ganha cerca de 20% menos que um homem. Na Estrutural, a diferença dobra e vai para quase 40%. Os dados mostram que, além do gênero, a questão social determina a composição salarial das mulheres. Os dados pertencem à pesquisa O trabalho feminino no Distrito Federal: determinantes da participação no mercado e do salário das mulheres, da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).

A maioria das mulheres que moram em Brasília ganha salários entre R$ 500 e R$ 750. Para os homens, a maior porcentagem de trabalhadores recebe entre R$ 750 a R$ 1 mil. Apenas 7,71% das mulheres ganham mais de R$ 6 mil e elas vivem, principalmente, no Lago Sul e no Sudoeste. Entre os homens, a fatia é maior: 10,60% deles ganham mais de R$ 6 mil. Eles também moram no Lago Sul e no Sudoeste. “A sociedade ainda tende a atribuir os cuidados domésticos à mulher e isso pesa nos indicadores”, comenta Jamila Zgiet, uma das responsáveis pela pesquisa. “Essa cultura patriarcal influencia em outros aspectos. Quando as mulheres saem de casa, elas acabam trabalhando em funções relacionadas aos cuidados. Tanto que a maioria delas está empregada como doméstica, ou na área de saúde e de educação, que são atividades menos valorizadas no mercado.”

Outra questão preocupante que a pesquisa comprova é que a maternidade ainda é um empecilho para as empresas contratantes. Se as crianças tiverem menos de 3 anos, diminui a probabilidade de participação no mercado de trabalho em 36,15%. À medida que os filhos vão crescendo, a chance ainda é pequena, mas sobe para 11,66%. “Essa história de que filhos atrapalham a mãe no trabalho é a mentira do século. Não há estudo que prove que o desempenho da mulher é inferior porque ela é mãe. Ao contrário, as mulheres estão fazendo um esforço sobrenatural para cuidar do emprego e dos filhos bem, com reflexos até na saúde”, analisa Débora Barem, professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em recursos humanos.

Correiobraziliense

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