Mãe e padrasto de menino que sumiu passam por detector de mentiras

detectorA mãe e o padrasto do menino Emivaldo Brayan, 4 anos, que está desaparecido desde março, foram submetidos a uma entrevista com um detector de mentiras. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Quéops Barreto, o aparelho foi emprestado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. “É uma ferramenta moderna, tecnológica, que vai nos ajudar na tentativa de descobrir alguma contradição dos elementos do inquérito”, afirmou. O laudo com o resultado deve ficar pronto em 30 dias.

O menino foi visto pela última vez na noite do dia 4 de março, enquanto dormia na casa da família em Indiara, no sul de Goiás. Logo após o desaparecimento, a mãe da criança, Silmara Borges da Silva, disse que procurou pelo filho, mas não o encontrou. Já o padrasto, o motorista Luiz Paulo da Costa, relatou que percebeu que a porta da casa estava semiaberta. O Corpo de Bombeiros fez buscas na região por três dias, sem sucesso.

A análise com o detector de mentiras foi realizada com a mãe e o padrasto do garoto na manhã desta quinta-feira (31). O delegado diz que o resultado pode ajudar a esclarecer, de fato, como a criança sumiu. “Havia alguns pontos contraditórios, principalmente entre os suspeitos [mãe e padrasto] e os avós da criança, mas com esses testes esperamos desvendar a verdade. Ainda há várias linhas de investigação e a polícia está terminando todas as possibilidades de diligências. Tanto que conseguimos esse aparelho lá do Rio Grande do Sul”, destacou.

Uma das divergências citadas por Quéops é a afirmação da avó materna, a auxiliar de cozinha Sirlene Borges, de 39 anos, de que o neto foi dado para adoção. “Eles [filha e genro] estão muito tranquilos e minha filha falou que o marido não dava certo de morar com ela por causa do menino. Ela disse para outras pessoas que ele nunca gostou do menino”, contou ao G1.

Questionado se existe algum indício da participação da mãe e do padrasto no desaparecimento, o delegado apenas ressaltou que a apuração continua. Os dois prestaram depoimentos, mas não chegaram a ser presos. “Ainda estamos investigando o caso e não posso revelar nada para não atrapalhar os trabalhos. Mas ainda não há previsão de conclusão do inquérito”, disse.

G1 tentou entrar em contato com a mãe e o padrasto de Emivaldo nesta manhã, mas eles não atenderam às ligações. A advogada que defende o casal, Rosângela Magalhães, também não foi localizada para comentar o assunto.

Detector de mentiras
Perito de veracidade do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, Demétrio Peixoto explicou que o detector de mentiras pode obter 95% de certeza se uma pessoa respondeu a verdade.

“O aparelho consiste em um software israelense, instalado em um notebook, que é codificado. A partir daí, com login e senha, estamos aptos a operar. É um software que, de grosso modo, se resume em análise de estresse vocal. Ou seja, os israelenses conseguiram, através de estudos, identificar quais alterações das frequências vocais levam aos conflitos lógicos e cognitivos e, aí, levando até a mentira”, disse.

Segundo ele, durante a entrevista, cada resposta já aponta um indicativo. No entanto, o laudo com a certeza sobre a veracidade demora um pouco mais. “O software nos auxilia a investigar melhor determinadas perguntas de acordo com a resposta dada pelo entrevistado. Mas se tratam de meros indicativos. A certeza mesmo só após 30 dias, com a confecção do laudo”, ressaltou.

Desaparecimento

guriO desaparecimento de Emivaldo foi percebido pela irmã dele, de 6 anos, que dormia no mesmo quarto. “Amanheceu o dia, eu não esperava ter essa noticia: ‘Mãe, o Emivaldo não está na cama’. Falei, se ele não estiver na cama, ou está no sofá deitado lá, ou está brincando com o cachorrinho. Fui ao quarto, procurei na sala, dentro dos guarda-roupas, procurei em tudo e não achei”, disse a mãe das crianças.

Na madrugada do dia em que o menino desapareceu, o padrasto de Emivaldo informou que encontrou a porta da residência semiaberta. “Topei a porta meio aberta, mas pensei que ela [a esposa] tinha esquecido na hora de dormir. Então, encostei e saí”, afirmou. A única coisa que a família sentiu falta após o desaparecimento foi de um dos controles que abrem o portão da casa.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e procurou pelo menino por três dias. Segundo a corporação, uma área de pelo menos cinco alqueires próximo a casa onde a criança morava com a família foi vistoriada, mas nada foi encontrado. A polícia também não encontrou nenhuma pista sobre o paradeiro do garoto.

No dia 6 de março passado, a mãe e o padrasto de Emivaldo prestaram novo depoimento. De acordo com o delegado, no dia do interrogatório, ele convocou os parentes para esclarecer algumas dúvidas que surgiram ao longo da investigação. Na porta da delegacia, Silmara brigou com os pais.

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