O Palácio do Planalto avalia que a eventual indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) deve encontrar um cenário favorável no Senado. Segundo levantamento interno, o governo calcula que Messias teria condições de conquistar cerca de 50 votos em plenário. A informação foi divulgada pelo blog de Gustavo Uribe, da CNN Brasil.
O número projetado é superior aos 47 votos obtidos por Flávio Dino em 2023, quando foi aprovado para o STF, e equivale à mesma margem conquistada em 2015 pelo atual presidente da Corte, Edson Fachin. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha pessoalmente as articulações e deve oficializar sua escolha antes da viagem oficial à Malásia, prevista para a próxima terça-feira (21). Durante a visita, há a possibilidade de Lula se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar do saldo positivo nas projeções, há pontos de resistência na base aliada. Partidos como PSD e União Brasil, que preferem o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda não se mostram alinhados à indicação de Messias. O governo, entretanto, acredita ser possível reduzir as objeções, principalmente com o compromisso de Lula em considerar Pacheco para uma futura vaga na Corte, caso seja reeleito em 2026.
Na oposição, o Planalto aposta em votos de parlamentares do Podemos e do Republicanos. O perfil de Messias, que tem trânsito junto à bancada evangélica, é visto como um trunfo para atrair apoios desses partidos, considerados estratégicos para garantir maioria sólida.
A expectativa é de que, uma vez formalizada a indicação, a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado seja marcada para novembro. O calendário é considerado crucial para que a votação ocorra ainda este ano, consolidando mais uma nomeação de Lula ao Supremo.