Letra ‘P’ não existe no alfabeto árabe, portanto Palestina não existe, diz deputada israelense

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Palestina é pronunciada ‘Falastin’ em árabe; parlamentar foi alvo de chacota por parte de ativistas e até mesmo de outros israelenses após declaração

Durante discurso no Parlamento israelense na quarta-feira (10/02), a parlamentar Anat Berko, do partido conservador Likud — o mesmo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu —, disse que a Palestina não existe, visto que não existe a letra “P” no alfabeto árabe.

Segundo ela, o termo “Palestina” é emprestado dos romanos. Por causa da falta do “P”, o nome escrito e pronunciado é “Falastin”. O árabe contemporâneo, contudo, possui uma letra “P” que foi adicionada para palavras estrangeiras.

“Quero voltar à História. Qual exatamente é nosso lugar aqui em relação a Jerusalém, à Palestina”, disse Berko durante debate no Parlamento convocado pelo partido União Sionista sobre a solução de dois Estados. “Como já dizemos, não há ao menos um ‘P’ em árabe, então esse termo emprestado também deve ser examinado”, afirmou.

Membros da oposição no Parlamento israelense ridicularizaram o comentário de Berko. “Você é idiota?”, “Você não tem cérebro?”, questionaram membros do partido de esquerda Meretz.

Um jornalista israelense chegou a brincar na Israel Radio que então não existe pizza nos EUA, visto que não existe uma letra em inglês que faça o som “tza”, como existe em hebraico.

Usuários do Twitter também fizeram diversas piadas com a declaração da parlamentar. Eles lembraram, inclusive, que não existe a letra “J” no alfabeto hebraico, de modo que os judeus também não existiriam.

“Se a Palestina e os palestinos não existem porque não existe a letra ‘P’ em árabe, então eu acho que os judeus não existem porque não existe a letra ‘J’ em hebraico”, disse o usuário Omar Al Ghazzawi na rede social.

A ativista e blogueira palestina Abir Kopty concordou ironicamente com a análise linguística de Berko: “Realmente, nos somos ‘balestinos’ e não ‘palestinos’”, disse ela em sua conta do Twitter.

“Esse é o argumento mais fofo que eu já ouvi de um membro da coalizão de Netanyahu para justificar o apartheid”, disse um conselheiro da Organização para a Libertação da Palestina.

De acordo com um porta-voz do primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, a afirmação foi uma tentativa  de “desumanizar os palestinos”.

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