Laudo emperra investigação sobre morte de jovem e padrasto em GO

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lorraneMais de sete meses após a morte da estudante de enfermagem Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, e do padrasto dela, o garimpeiro Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, em Pirenópolis, o inquérito do caso ainda não foi concluído. Eles foram encontrados mortos abraçados e amarrados a uma árvore no dia 17 de dezembro do ano passado. Segundo o delegado responsável pelo caso, Bruno Costa e Silva, não há previsão para a conclusão da investigação.

“Enquanto não tivermos esse laudo, não podemos concluir o inquérito”, diz. Segundo o delegado, o exame está sob responsabilidade da Polícia Técnico-Científica em Anápolis. A gerente do 10º Núcleo Regional de Polícia Técnico-Científica de Anápolis, Regina Célia Gomes Menezes, informou ao G1 que o perito responsável pelo laudo está de licença médica.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) afirmou que o “trabalho de perícia técnico-científica segue sendo realizado” e que “trata-se de um levantamento pericial complexo”. Ainda segundo a secretaria, os primeiros exames mostraram a necessidade de exames complementares que já estão sendo realizados. A nota não informa quando foram iniciados e qual o prazo para a conclusão dos referidos exames.

Crime
Loanne e Joaquim foram encontrados mortos no dia 17 de dezembro, no Morro do Frota, ponto turístico de Pirenópolis, a 67 km de Anápolis. De acordo com a Polícia Civil, o padrasto e a enteada morreram abraçados, estando Joaquim com o pé acorrentado e Loanne amarrada com uma corda a uma árvore.

A principal linha de investigação da polícia é de que os dois tenham sido mortos após uma explosão de dinamite provocada por Joaquim.“Corrente, corda, barraca e colchão [objetos achados na cena do crime], era tudo propriedade de Joaquim. A dinamite era da pedreira onde ele trabalhava”, afirma o delegado.

Ao G1, a mãe da estudante e mulher do garimpeiro, Sandra Rodrigues da Silva, disse que tenta aceitar a tese da polícia de que o marido planejou o crime. “Éramos felizes e nunca pensei que minha família iria ficar no meio de uma tragédia assim. Convivi oito anos com ele [Joaquim] e nunca pensei que ele pudesse ser capaz de cometer um crime. Por isso, penso que outra pessoa possa ter feito isso com os dois, mas infelizmente tudo aponta para ele mesmo”, lamentou.

A mulher também contou que, três dias antes do homicídio, viu os objetos usados no crime dentro do carro e indicou ao marido, após ser perguntada por ele, onde estava uma banana de dinamite que ele guardava em casa. “Eu me sinto culpada”, disse.

Ciúmes
Segundo amigos e familiares relataram à polícia, Joaquim nutria grande ciúme pela enteada. Além disso, resultados de exames grafotécnicos (que analisam a escrita) confirmaram que o garimpeiro foi o autor de uma carta com ameaças de morte recebida pela jovem.

Cerca de um mês antes das mortes, o garimpeiro contratou um seguro de vida no valor de R$ 30 mil, no qual seu filho biológico aparece como beneficiário. Segundo o então delegado do caso, Rodrigo Jayme, uma testemunha contou que Joaquim teria pedido informações no banco se a apólice cobriria casos de suicídio. “Esse é mais um elemento que leva a crer que ele pode ter forjado a cena do crime para parecer que foi vítima e não autor”, afirmou na época.

O rapaz que seria o beneficiário do seguro relatou em depoimento que estranhava o amor que o pai sentia por Loanne. Já a outra filha biológica do garimpeiro afirmou que acreditava mesmo que o pai tenha planejado o assassinato da estudante.

G1