Kiev pune separatistas por realizar eleições e corta repasse de verbas para leste da Ucrânia

Premiê ucraniano disse que transferência serviria para ‘apoiar terrorismo russo’; gás e luz serão mantidos mas Lugansk e Donetsk podem perder ‘status especial’

635506248724504959wO primeiro-ministro da Ucrânia, Arseny Yatseniuk, disse nesta quarta-feira (05/11) que Kiev não vai mais repassar verbas para as regiões separatistas no leste do país, por considerar que Lugansk e Donestsk violaram o tratado de paz firmado em Minsk em setembro. Para Kiev, a realização das eleições legislativas no último domingo (02/11) — reconhecidas apenas pela Rússia — representa descumprimento do acordo.

Após a declaração do premiê, sinalizando também que o status especial da região pode ser retirado, líderes separatistas disseram que vão deixar de cumprir o acordo de cessar-fogo firmado com o governo.

Kiev continuará a fornecer gás e eletricidade às regiões separatistas, mas “enquanto os territórios de Donetsk e Lugansk forem controlados por impostores, o orçamento central não enviará financiamento para lá”, disse Yatseniuk em uma reunião do governo.

O premiê esclareceu que Kiev deslocará normalmente os cerca de 34 bilhões de grívnias (US$ 2,5 bilhões) destinados à região para o ano de 2015, mas os fundos só serão desembolsados quando a Ucrânia voltar a controlar os territórios.

“Hoje, pagar fundos para esses territórios significa que o dinheiro não chegará às pessoas, mas será roubado por mafiosos russos e essencialmente apoiará o terrorismo russo”, acusou Yatseniuk.

Diante das declarações e da sinalização dada pelo presidente Petro Poroshenko de que o governo ucraniano pedirá ao Parlamento que cancele a lei que confere status especial à região, os líderes separatistas afirmaram que os acordos de paz firmados em setembro não serão mais cumpridos.

As partes trocam acusações sobre a violação do tratado assinado em 5 de setembro em Minsk (Belarus), que estabeleceu um cessar-fogo e a concessão, por parte de Kiev, de um “status especial” para as regiões no leste do país, conferindo autonomia para a área pelo período de três anos. A lei previa a realização de eleições locais em 7 de dezembro para escolher representantes perante Kiev e concedia anistia para os militantes pró-Rússia.

Para Kiev, os separatistas não cumpriram com o estabelecido quando resolveram realizar eleições sem autorização e reconhecimento de Kiev. Na votação ocorrida no último domingo (02/11), os líderes do movimento separatista pró-Rússia Alexander Zakharchenko e Igor Plotnitski foram escolhidos como chefes das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, respectivamente. O governo ucraniano, bem como a União Europeia e a Alemanha, não reconheceu a votação — somente Moscou aceitou o pleito.

Conflitos

Nesta quarta-feira (05/11), enfrentamentos foram registrados perto do aeroporto de Donetsk. Observadores que verificam a aplicação do acordo de paz concordaram em realizar uma reunião para discutir o fim das hostilidades no entorno do aeroporto, como informou um militar ucraniano.

Em comunicado conjunto, líderes separatistas de Donetsk e Lugansk afirmaram que “estão preparados para trabalhar em uma nova versão do tratado” de paz.

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