Justiça autoriza exumação de mulher morta após aplicação no bumbum

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Objetivo é fazer exame para saber se produto usado foi hidrogel, diz defesa.

exumacaoO Tribunal de Justiça de Goiás autorizou a exumação do corpo da ajudante de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, 39 anos. Ela morreu após fazer uma aplicação para aumentar o bumbum realizada pela falsa biomédia Raquel Policena, 27, em Goiânia. A determinação chegou ao Instituto Médico Legal (IML) na quinta-feira (11), porém, a data do procedimento ainda não foi marcada.

Segundo informou ao G1 o advogado da família de Maria José Brandão, o pedido da exumação foi feito pela delegada Myrian Vidal, após o inquérito ter sido concluído e encaminhado ao Ministério Público (MP-GO), indiciando Raquel Policena homicídio. O objetivo do procedimento é fazer um novo exame para constatar se a vítima recebeu uma aplicação de hidrogel ou de outro produto.

“Foi necessário porque o laudo que deveria ter sido conclusivo, não foi. Alegaram que o material extraído na autópsia não foi suficiente para chegar a uma conclusão”, afirma o advogado Rômulo Sebba.

O G1 entrou em contato com a delegada Myrian Vidal na manhã desta sexta-feira (12), mas ela afirmou que não irá se pronunciar sobre o caso.

Para o advogado Rômulo Sebba, o exame ainda é importante para definir se o produto causou a morte de Maria José. Entretanto, ele acredita que, independente do resultado, as provas já obtidas contra a falsa biomédica Raquel Policena devem ser suficientes para condená-la. “Mesmo assim, ela vai responder porque o procedimento desencadeou um problema de saúde que ela poderia ter. A diferença vai ficar apenas na tipificação do homicídio”, opina.

De acordo com o IML, ainda não há uma previsão de quando a exumação irá ocorrer porque a data terá de ser agendada com o cemitério Parque Memorial, onde está o corpo, além de depender das condições climáticas no local. Segundo o IML, não é possível determinar no momento se será necessário levar o corpo à sede do órgão ou se os exames poderão ser feitos ainda no cemitério.

Homicídio
Raquel Policena e o namorado, o professor de idiomas Fábio Justiniano Ribeiro, de 33, foram indiciados por homicídio doloso com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), exercício ilegal da profissão, lesão corporal e distribuição de produtos farmacêuticos sem procedência.  A falsa biomédica chegou a ficar dez dias detida na capital, mas foi solta no último dia 24 e aguarda o trâmite do processo em liberdade.

Segundo a delegada informou ao encerrar o inquérito, existem “indícios fortes” que comprovam que o óbito de Maria José foi provocado pelo procedimento. “Existem indícios de que a morte da Maria José está ligada à aplicação de hidrogel, que provocou a embolia pulmonar. Diversas outras vítimas da Raquel apresentam os mesmos sintomas relatados pela vítima”, explicou Vidal.

O homicídio foi considerado doloso, pois, segundo a responsável pelo caso, o casal assumiu o risco da morte de Maria José ao não aconselhar que ela procurasse um médico rapidamente ao começar a se sentir mal.

Além de Maria José, Raquel é apontada como responsável por aplicar produtos para aumentar o bumbum em mais de 30 clientes. Segundo as mulheres que procuraram a Polícia Civil, ela dizia que o produto aplicado era hidrogel. Entretanto, um laudo pedido por uma das clientes a uma clínica particular constatou que ela tem silicone no bumbum. Segundo a mulher, o documento será encaminhado à polícia.

Morte
Maria José morreu no dia 25 de outubro, um dia depois de fazer a segunda aplicação de hidrogel no bumbum, em uma clínica de Goiânia. Após se sentir mal, ela foi internada no Hospital Jardim América, em Goiânia, e morreu na madrugada seguinte, com suspeita de embolia pulmonar.

Em áudios conseguidos com exclusividade pela TV Anhanguera, Maria relatou à Raquel que sentia dor no peito e falta de ar. É possível notar que a paciente estava ofegante e fraca, mas a responsável pela aplicação descartou riscos e orientou a vítima a comer “uma coisinha salgada”. Momentos depois, Maria José encaminhou uma mensagem escrita dizendo: “Tenho medo de AVC [Acidente Vascular Cerebral]. Minha mãe morreu cedo disso”.

Nesse momento, Raquel deu uma risada e descartou a possibilidade de paciente sofrer do problema. “AVC não dá falta de ar não. AVC é no cérebro, não dá falta de ar. Pode ficar tranquila. Você fuma? Alguma coisa assim? Você costuma praticar atividade física? Pode ficar tranquila que tem a ver com a tensão, não tem nada”, disse.

G1