Juiz americano e fundos abutres colocam Argentina na corda

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argentinaHá séculos que os países lutam pela soberania, que tem faces econômicas e políticas. Ora por contar com cúmplices internos, ora pelas fragilidades apresentadas, ou até em decorrência de erros, irresponsabilidade ou mesmo corrupção de governos de países mais frágeis, grupos capitalistas ou países mais poderosos criam condições de dependência e então assaltam suas riquezas, materiais e morais, “tudo legalmente”. Simples assim, apesar dos defensores dessas práticas tentarem defendê-las, com base em contratos feitos.

É como um banco emprestar dinheiro contratando com um cliente qualquer que, não pago no prazo, cobrará juros de 30% ao mês. Vale porque é contratado?

O governo argentino, no momento pouco importa quais dos motivos alinhados, acumulou um débito e tenta pagá-lo a grupos internacionais, mantendo porém recursos para atividades básicas do Estado e credibilidade no mercado. Fez acordo com a maioria dos credores, mas alguns grupos, chamados muito apropriadamente de fundos abutres (compram créditos mais baratos para depois exigir pagamentos mais elevados dos credores), preferiram pedir  a um juiz em Nova York, ou seja, acharam um juiz em uma cidade americana que decidiu que o pagamento deve ser feito também para os abutres. A decisão inviabilizou o acordo e o mercado está considerando que a Argentina está em default, inadimplente.

Evidente que se a decisão fosse de um juiz panamenho, cubano, brasileiro, ou de algum país da África, causaria estranheza, talvez riso. Mas os EUA tem a força. O juiz manda. E assim chegamos a situação em que um juiz americano tem em suas mãos (garras?) a soberania da Argentina, está decidindo o destino de dezenas de milhões de pessoas. Enquanto o mundo for assim como é, a soberania dos países fragilizados é um tigre de papel. A dos poderosos pode mandar até pela boca de um único sujeito em que puseram uma toga.

GGN