Jovem que matou avó e três irmãos com enxada é condenado a 31 anos

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Júri condenou réu, mas reconheceu que ele estava sob efeito de drogas.

Acusado de matar a avó e três irmãos com golpes de enxada, o jovem Rogério Lopes dos Santos, de 22 anos, foi condenado a 31 anos e dez meses de prisão em júri popular realizado nesta terça-feira (17), em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Cabe recurso da decisão, mas a defesa já informou que não irá recorrer.

A sentença foi proferida pela juíza Lara Gonzaga Siqueira, da 4ª Vara Criminal de Anápolis. A pena inclui a punição pelos homicídios qualificados, bem como por ocultação de cadáver.

O crime ocorreu por volta das 5h30 do dia 18 de fevereiro de 2013. O jovem jogou os corpos da avó, Valdelina Pereira dos Santos, de 75 anos, e dos irmãos Rosana Lopes da Silva, de 12, Romário Lopes da Silva, de 15, e de Roger Lopes da Silva, de 9, na fossa da casa da família. O irmão mais novo foi encontrado com vida, encaminhado ao Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), onde ficou seis meses internado, mas não resistiu aos ferimentos.

O júri reconheceu as qualificadoras de emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Apesar de ter sido condenado a 31 anos de prisão em regime fechado, ele pode ficar menos tempo preso.

Segundo a Lei 11.474/07, evocada pela defesa, réus primários, como é o caso dele, podem cumprir apenas dois quintos desta pena – neste caso, cerca de 12 anos – e, em seguida, passar para o regime semiaberto.

Júri
Todas as nove testemunhas de defesa e acusação foram dispensadas por ambas as partes, uma vez que já haviam sido ouvidas na fase de instrução do processo. Entre eles estavam policiais, parentes das vítimas e vizinhos da família.

A primeira oitiva a ser realizada foi a do réu, na qual ele se limitou a dizer que não se lembrava de nada. Foram realizados os debates orais por parte da defesa, feita pelo advogado Gilmar Alves dos Santos, e da acusação, feita pela promotora Adriana Marques Tiago. Em seguida, os sete jurados votaram, em sigilo, pela condenação de Rogério.

Segundo o advogado do jovem, ele tinha condições de cometer o crime, mas não tinha consciência do que estava fazendo por causa das drogas que havia consumido, ou seja, alegou semi-imputabilidade, que foi reconhecida pelos jurados.

“O laudo médico mostrava que ele estava sob o efeito de drogas e álcool no momento do crime. Quando ele foi preso, disse a um dos agentes que achava que estava matando cobras, mas não confirmou isso em depoimento”, disse o Santos.

Crime
Um dos feridos, Roger Lopes da Silva, de 10 anos, sobreviveu aos golpes e chegou a ficar seis meses internado em busca de tratamento em Goiânia. Porém, ele não conseguiu resistir e morreu em casa enquanto dormia.

O jovem foi preso logo após o crime. De acordo com a polícia, ele foi localizado em um matagal próximo à casa, no Setor Novo Paraíso. A perícia constatou que os golpes foram todos na cabeça das vítimas, que foram mortas enquanto dormiam.

Rogério prestou depoimento na Delegacia de Homicídios da cidade logo após ser detido e, segundo a delegada Marisleide Santos, ele confessou o crime. “Ele confirma que quando chegou em casa já tinha ingerido bebida alcoólica e também usado maconha e crack. Teve uma alucinação, ficou agitado, foi ao quintal e pegou a enxada”, explicou a delegada na época.

G1