Jovem é indiciado por matar amigo de infância que estragou relógio

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Ele agiu com um comparsa, que é cantor de rap e está foragido, diz polícia.

morteO auxiliar de almoxarife Paulo César Nascimento, de 21 anos, foi indiciado por matar o amigo de infância Walter Ferreira Borges, de 19, em Goiânia. O crime ocorreu na noite de 23 de julho de 2013, no Bairro Floresta. Segundo a Polícia Civil, o motivo do homicídio foi o fato de a vítima estragar um relógio do suspeito durante um acidente de trânsito. No entanto, ao ser apresentado, na manhã desta sexta-feira (10), Paulo César negou ter matado Valter, pois disse que eles “eram grandes amigos”.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Valdemir Pereira, da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), Paulo César agiu com um comparsa, o cantor de rap Wellington Santos de Jesus, de 24 anos, que está foragido. A Justiça já expediu o mandado de prisão preventiva do rapaz, mas a polícia não tem informações da localização dele.

Pereira revelou que, dias antes do crime, Wellington ligou para Valter, que era serralheiro, e o ameaçou. Na ligação, ele disse à vítima: “Se você ficar falando mal de mim, você vai ver o que eu vou fazer com você”.

Valter contou aos pais sobre os problemas com a dupla. Mãe do serralheiro, Sirlei da Silva Borges relatou ao G1 que chamou Paulo César em sua casa para pagar o relógio que o filho estragou devido a um acidente de motocicleta, mas ele não quis o dinheiro. “Queria pagar outro relógio ou dar um igual, mas ele me disse que custou R$ 1 mil, que não precisava, que não dava nada”, contou a mulher.

No entanto, ao G1, o suspeito disse que o relógio “custou R$ 12 na feira” e que jamais mataria alguém por causa disso. “Minha mãe é empregada doméstica, meu pai é pedreiro, com que condições eu ia ter de comprar um relógio de mil reais”, disse o auxiliar de almoxarife em sua defesa.

Crime
De acordo com a investigação, no dia do crime a vítima caminhava pela Rua BF-21, acompanhada de um amigo. Na ocasião, eles foram alvejados por um jovem que estava na garupa de uma motocicleta.

Valter morreu no local. Já o amigo dele foi atingido na perna, socorrido e sobreviveu. Atualmente, ele tem 19 anos.

Para o delegado, não há dúvidas que o piloto do veículo era o cantor de rap e o garupa, Paulo César. Testemunhas relataram ao delegado que, minutos antes do crime, viram Wellington passando de carro região. Além disso, os dois suspeitos são amigos.

Conforme o delegado, os rapazes chegaram a ameaçar de morte testemunhas, caso depusessem contra os autores. “O Paulo César fala que não conhece, que nunca viu o Wellington, mas já provamos que ele não está falando a verdade. As provas testemunhais são evidentes de que eles cometeram o homicídio”, ressaltou Pereira.

Prisão
A prisão de Paulo César ocorreu no último dia 27 de março. Policiais militares o detiveram por porte ilegal de arma de fogo, um revólver calibre 38. Depois de registrado o flagrante, a Polícia Civil soube da prisão dele e o interrogou.

O delegado adiantou que vai pedir o exame de balística para comparar o projétil que atingiu Valter com o da arma apreendida com o suspeito. O calibre é o mesmo, mas ainda não há como afirmar que se trata do mesmo revólver.

Depois de três dias da prisão do suspeito, o delegado concluiu o inquérito e o remeteu à Justiça. Paulo César e Wellington foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil e pela tentativa de homicídio. “A frieza de Paulo César surpreende. É muita covardia, falta de consideração, ele pedia benção para a mãe da vítima”, diz o delegado.

De acordo com Pereira, o auxiliar de almoxarife já tinha duas passagens, sendo uma por roubo e outra por porte ilegal de arma de fogo. O cantor de rap também possui dois antecedentes criminais, mas o delegado não soube informar por quais infrações, pois o sistema da corporação estava fora do ar nesta manhã. A vítima não tinha passagens pela polícia.

Segundo a mãe de Valter, a “família acabou” após o crime, por isso, eles fizeram questão de acompanhar a apresentação do suspeito. “Meu filho mais velho já até tinha doado sangue para o Paulo César e ele teve coragem de fazer isso. Ele acabou, destruiu com a minha vida e a da minha família. Meu filho era querido e amado”, lamenta Sirlei.

G1