Jogos de video games entram no universo dos adultos

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É cada vez mais comum o uso da linguagem dos games entre profissionais, estudantes e pesquisadores.

Mesmo no mundo completamente tecnológico como o de hoje ainda existe um grande preconceito por parte da população com os jogos eletrônicos. Embora em outros países a prática deste “passatempo” seja algo completamente normal, aqui no Brasil os “jogadores” são malvistos pela sociedade e taxados como crianças ou desocupados.

O que as pessoas não sabem é que existem profissionais ligados a essas áreas. Alguns jogos eletrônicos podem vir a formar novas profissões ou até mesmo incrementar o currículo dos futuros trabalhadores do mercado.

O engenheiro e professor de desenvolvimento de jogos Fernando Henrique Cunha de Menezes, 23 anos, explica que os games induzem os jogadores a seguirem um conjunto de regras e comandos. E na área profissional essas repetições podem gerar a afinidade do jogador com seu trabalho, o que pode aumentar o rendimento e a força de vontade do trabalhador. Fernando também explica que apesar de os jogos não proporcionarem melhor rendimento intelectual, os games de aventura estimulam a criatividade e a percepção: “Estes jogos estimulam a criatividade, incentivam a busca por objetos e desbravamento da aventura. É uma experiência parecida como a de que ler um livro, só que você participa e anda com o personagem na tela”, afirma.

O curso de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) aderiu ao uso de um simulação de voo chamado XPlane 10, onde o estudante pode visualizar na tela do computador a cabine virtual do avião que selecionar. O simulador ajusta todos os meios para que o jogador tenha a experiência de pilotar da maneira mais real possível, desde a quantidade de combustível, clima, problemas relacionados à aeronave e até mesmo o número de passageiros que ela comporta.

Segundo o coordenador do curso, o comandante Raul Francé Monteiro, 64 anos, a instituição começou o uso do programa de simulação há 14 anos e que ele serve para ensinar aos alunos os procedimentos padrões da aviação e os comandos e procedimentos necessários.

Os alunos Moisés Vasconcelos da Costa e Laíssa Silva Ribeiro, 20 anos, estão no 5º período e concordam com o comandante: “O simulador ajuda nos procedimentos, você chega no avião sabendo o que fazer”, afirma Laíssa. “O que vou levar comigo é a padronização”, fala Moisés. Os estudantes também explicam que os simuladores proporcionam diferenciais no currículo por dar acesso “jet training”, treinamento de avião a jato, e que ajuda na melhora do inglês técnico.

O professor de desenvolvimento de jogos cita outras profissões, como as voltadas para a medicina, em que os simuladores não só ajudam os profissionais como também entretém os que o usam por diversão, conscientizando-os sobre boa alimentação, cuidados com a saúde e os procedimentos médicos durante cirurgias. Um bom exemplo para demonstrar o ponto de vista do professor são alguns aplicativos que além de entreter o praticante com uma aventura, ainda dão informações e mostram curiosidades sobre certa doença, quando o objetivo da fase não é atingido.

“AJUDA”

Outros profissionais que começaram com a “ajuda” de um game foram os jogadores de pôquer João Bauer e Renan Franco, ambos com 28 anos. Eles explicam que se iniciaram em um site onde as pessoas cadastradas podem apostar tanto o dinheiro fictício, por diversão, quanto entrar em campeonatos reais com prêmios de mais de US$ 300 mil.

Bauer, que é atualmente o primeiro na lista do campeonato brasileiro de 2015, já foi coach de pessoas de todo o País e joga a grande maioria dos seus campeonatos on-line chegando a praticar 40 jogos simultaneamente.

Franco – que se inspirou em Bauer para começar sua carreira profissional – conta que já ganhou vários prêmios e que joga até 20 partidas simultaneamente, totalizando 70 jogos por dia.

Fernando afirma que os jogadores foram felizes na escolha dos simuladores de pôquer para conseguirem seguir com a profissão. Ele diz que não haveria jeito mais seguro de começar uma carreira além do que eles ainda conseguiram aprender a técnica antes de tentar partir para os jogos mais sérios.

O professor Fernando Henrique Cunha de Menezes ainda fala que é esse tipo de sentimento que compara com o de seus alunos em sala de aula: “Muitos chegam lá com vontade de fazer o seu próprio jogo, pois jogam video game. Outros dizem que cansaram de jogar e agora querem o seu próprio jogo. Não é um caminho fácil para ninguém ter o seu próprio jogo. Mas o principal a maioria tem: a força de vontade e amor pelo que faz”.

Brasileiro é convidado para ver “jogo” nos EUA

O goiano Henrique Rodrigues foi convidado pela empresa Crytal Dynamics para comparecer a E3 (Eletronic Entretaiment Exposition) e representa fãs portugueses e brasileiros na exposição do novo jogo de Tomb Raider. Henrique foi enviado a São Francisco, nos Estados Unidos, com todas as despesas pagas junto com outras dez pessoas para ver as demonstrações do novo jogo, que será lançado em novembro.

O estudante da Universidade Estadual de Goiás (UEG) conta que é fã do jogo desde os quatro anos: “Foi o primeiro que joguei, quando meu pai comprou um video game para mim”. O jovem que foi um dos fundadores do “Lara Croft Brasil” além de outros 80 fã-sites oficiais do jogo no mundo todo.

Como obrigação, Henrique teve de fazer um artigo para ser postado no blog oficial do jogo no Brasil, além de tirar dúvidas dos fãs e apresentar perguntas para a produção do jogo. Ele conta que teve a oportunidade de ver uma demonstração exclusiva, que nem mesmo as mais famosas revistas de video game viram. Para completar, o jovem pretende fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) baseado nas narrativas de jogos de video game tendo como inspiração o jogo Tomb Raider lançado em 2013.

Para aqueles que pensam o contrário, a profissão de jogador de video game existe, sim! Na Coreia do Sul, por exemplo, a profissão é aclamada por muitas pessoas, mesmo que ainda exista preconceito.

Os times são patrocinados por empresas, possuem equipamento de treino, “quartel general” e até mesmo um treinador. Os jogos são transmitidos em TV aberta e ao vivo da Coreia do Sul e chegam a ser tão aclamados quanto uma partida de futebol aqui do Brasil. Os mundiais de jogos como Dota 2 e League of Legends trazem equipes de todos os cantos do mundo, que incluem também times brasileiros, para competirem entre si em busca de uma premiação.

O campeonato The International Dota 2, que aconteceu no ano passado, reuniu as 16 melhores equipes do mundo que competiram por uma premiação total de mais de US$ 10 milhões. A premiação deste ano já passou a marca dos US$ 13 milhões. E como o prêmio é estipulado de acordo com o número de compras de um item da comunidade produtora do jogo esse número pode subir ainda mais.

Fórmula 1

A empresa Simuladores Profissionais, de São Paulo, reuniu técnicos, engenheiros, projetistas, desenhistas, mecânicos e pilotos para criar simuladores profissionais para corridas de Fórmula 1. O objetivo dos profissionais, que já são responsáveis pelo treinamento de alguns pilotos, é dar aos jogadores “a mais pura expressão do pilotar”.

Além de preparar os usuários do simulador para os tipos de carros e pistas, eles ainda afirmam que os simuladores (que funcionam com tecnologia 3D, três televisões de 42 polegadas e equipamentos de pilotagem profissional) ajudam a diminuir o custo dos treinos em pistas reais.

DM