Israel admite ter bombardeado escola da ONU, mas nega responsabilidade por 16 mortes

israelO Exército de Israel admitiu neste domingo (27/07) ter disparado um tiro de morteiro contra uma escola da ONU na Faixa de Gaza, na última quinta-feira (24/07) onde pelo menos 17 pessoas morreram, segundo o Ministério de Saúde de Gaza. No entanto, as Forças de Defesa de Tel  Aviv alegam que não havia pessoas no local no momento da ofensiva.

De acordo com o porta-voz do Exército, Peter Lerner, à AFP, o tiro no alojamento das Nações Unidas foi em resposta a disparos de morteiro e foguetes antitanque lançados por militantes palestinos contra as tropas israelenses, a partir dos arredores da escola da ONU.

“Rejeitamos as afirmações de vários responsáveis, realizadas logo após o incidente, de que a morte de pessoas no perímetro da escola foi causada por uma atividade operacional do Exército israelense”, justifica Lerner à agência francesa, acrescentando que o tiro “só atingiu o pátio, que naquele momento estava completamente vazio”.

O bombardeio de quinta representou a quarta vez que uma instalação da ONU foi atingida desde que foi lançada, há 20 dias, a ofensiva israelense, batizada de Operação Margem Protetora, que já deixou no total mais de mil mortos, segundo as fontes palestinas de saúde. Contudo, foi a primeira vez que um ataque desse tipo registra vítimas fatais.

Na ocasião, o Exército israelense emitiu um comunicado assegurando que estava “revisando” o incidente, e havia ressaltado que o ataque poderia ter sido causado por um foguete lançado de Gaza, território controlado pelo Hamas e cujo braço armado combate Israel.

A escola atingida era gerida pela agência da ONU que cuida especialmente do caso palestino, a UNRWA. Segundo funcionários das Nações Unidas, o órgão tinha o protocolo de sempre informar Israel com as coordenadas de suas instalações, para evitar bombardeios.

Fim da trégua humanitária

Após mais uma tentativa de cessar-fogo humanitário, as hostilidades continuaram neste domingo na Faixa de Gaza. Apesar de o Hamas ter prometido aderir a uma trégua de 24 horas, o Exército israelense alega que foram registrados disparos de até 25 foguetes em zonas do sul de Israel. Tel Aviv, então, decidiu suspender o acordo e deu continuidade às ofensivas.

Para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, os combatentes do Hamas “violaram seu próprio cessar-fogo” ao prosseguir com o lançamento de foguetes contra Israel.

Telefonema de Obama

O presidente norte-americano, Barack Obama, telefonou hoje para Netanyahu, pedindo um “cessar-fogo humanitário imediato e incondicional” em Gaza, onde os mortos já passam de mil pessoas, em sua maioria, civis.

Apesar de Obama ter reconhecido o direito de Israel a se defender dos ataques do Hamas, o chefe de Estado também ressaltou que se deve permitir aos palestinos “levar vidas normais e solucionar as necessidades de desenvolvimento econômico a longo prazo” em Gaza.

“O presidente destacou a opinião dos Estados Unidos que com o tempo qualquer solução duradoura do conflito palestino-israelense deve garantir o desarmamento de grupos terroristas e a desmilitarização de Gaza”, informou a Casa Branca, segundo a Efe.

Nesta noite, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, responsável por mediar junto com o Egito um cessar-fogo permanente entre Israel e Gaza, voltou a Washington depois de passar uma semana no Oriente Médio em uma tentativa frustrada de alcançar uma trégua no conflito, que já dura 20 dias.

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