Inventor goiano possui mais de 30 patentes registradas

As dificuldades domésticas é um dos motivos que fizeram o aposentado João Garrote a ter mais de 30 patentes registradas no INPI brasileiro. Desde criança, Garrote já tinha o tino aguçado para criar objetos para facilitar a sua vida e dos parentes.

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Garrote aproveitou as dificuldades do cotidiano para a inspiração de suas invenções

O procurador da União aposentado João da Silva Garrote, de 77 anos, tem dedicado grande parte de sua vida a desenvolver diversas invenções para solucionar problemas da vida doméstica, auxiliar na medicina e até mesmo na engenharia civil. Morador de Goiânia, ele conta que já recebeu o registro de patentes de 30 criações pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e aguarda a aprovação de outras cinco.

João, que nasceu em Itumbiara, no sul de Goiás, afirma que sempre teve grande criatividade e habilidade para inventar. Para o aposentado, “a necessidade é a mãe das invenções” e a falta de brinquedos o motivou criar os próprios carrinhos. “Comecei a ser inventor ainda criança. Eu construía meu próprios brinquedos na fazenda que morava, algumas arapucas também”, conta.

Já na vida adulta, ele segue se inspirando em situações cotidianas para inventar. “A minha esposa estava fazendo doce certa vez, estava fervendo, espirrou e queimou o rosto dela, aí eu inventei uma peça que você coloca no tacho, liga na tomada e ele mexe o doce sozinho até lá no fundo, sem a necessidade da pessoa ficar perto”, relata.

O aposentado obteve o conhecimento sobre motores e circuitos elétricos ainda jovem, em cursos de eletrotécnica realizados após se mudar com toda a família para a capital.

João não consegue escolher sua invenção favorita, pois afirma que cada uma tem sua importância, sua qualidade. Mas ele destaca uma que considera de grande ajuda na área da medicina veterinária: uma agulha na qual o fio fica dentro dela, facilitando na sutura do couro de animais.

“Quando eu era criança e fazia sandálias de couro de vaca, quando eu ia costurar com agulha, a linha fazia uma dobra muito grossa na base e era muito difícil de puxar e fazia um buraco muito grande no couro”, contou. Anos mais tarde, ao conversar com um veterinário, o profissional lhe relatou o mesmo problema quando ia fazer pontos em feridas de animais, pois criavam pequenos ferimentos no couro.

“Com essa agulha, o fio fica dentro dela, não cria nenhuma dobra, não fica grosso, proporciona maior eficiência e não provoca tanto sofrimento ao animal”, disse o inventor. Ele mesmo já aperfeiçoou a criação seis vezes, proporcionando uma maior qualidade a ela. Essa criação é uma das cinco que ainda aguardam a aprovação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Vocação

O aposentado garante que não se preocupa com recompensas financeiras pelo seus inventos. “Não é pelo dinheiro. Nós estamos nessa vida para ajudar ao próximo, as pessoas em geral em suas necessidades”.

Porém, sem o retorno monetário pelas criações, João também teve que se dedicar a outras atividades para garantir sua renda: “Eu fiz o curso de direito aos 40 anos. Foi o que me fez ter uma estabilidade financeira durante uma parte da minha vida. Mas minha vocação mesmo é criar coisas para ajudar nas necessidades dos outros”, disse.

Mesmo já tendo patenteado 30 invenções, o aposentado reclama da demora e falta de incentivo para os jovens inventores. “É um processo muito lento e demorado. Tem invenção minha que demorou dez anos para ser reconhecida. E você tem que pagar taxas, fazer exames no objeto. Tudo isso acaba desmotivando quem está começando”, apontou.

Patentes

Para um inventor ser considerado legalmente o responsável por uma descoberta ou criação, é necessário enfrentar um longo caminho. Primeiramente, é necessário comprovar que a ideia é inovadora, além de ter a possibilidade de ser reproduzida e comercializada em escala industrial. Além disso, o pesquisador tem que fazer uma busca mundial, para observar se já não há nenhuma criação parecida com a sua.

Após todo esse processo, a fila para se conseguir o registro é demorada. No Japão, todo processo burocrático dura, em média, um ano. Nos Estados Unidos para se conseguir um certificado de patente, é necessário esperar por dois anos aproximadamente. Já no Brasil, esse tempo médio chega a oito anos.

Com essa longa espera, muitos inventores abandonam os pedidos de patente, não pagando as taxas cobradas e não realizando os testes e exames exigidos, pois não há uma garantia de retorno financeiro para custear sua criação em larga escala no final do processo. Caso haja o abandono do pedido de propriedade, a ideia cai em domínio público e pode ser produzida e comercializada por qualquer pessoa.

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