Indicados por Bolsonaro desistem de assumir cargos na Petrobras

Da Redação
05/04/2022 - 06:47
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Indicados por Bolsonaro desistem de assumir cargos na Petrobras

Os nomes deles não passaram no “teste” de governança da estatal para a presidência e para o conselho de administração. Fichas de Pires e Landim assustaram a CGU

Os dois nomes indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para assumir a presidência e o conselho de administração da Petrobras, Adriano Pires e Rodoldo Landim, respectivamente, desistiram de assumir os cargos, depois que foi divulgado que os nomes deles não haviam passado no “teste” de governança da empresa, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo.

Os petroleiros comemoram a desistência. Eles avaliam que a governança da Petrobras foi suficiente para impedir nomeações que possam complicar os rumos da empresa.

Segundo a  jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o governo federal recebeu relatórios da diretoria de conformidade da Petrobras com os históricos de Pires e Landim, que assustaram até mesmo o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, além dos técnicos da Corregedoria Geral da União (CGU).

Os documentos apontaram que nenhum dos dois teria aprovação fácil no comitê interno que ia avaliar, no dia 13 de abril, se eles tinham ou não condições de ocupar os postos para os quais foram indicados, segundo a  jornalista.

Adriano Pires

Indicado para a presidência da Petrobras, Adriano Pires, que desistiu de assumir o comando da empresa nesta segunda-feira (14), depois de o governo Bolsonaro receber informações de que o nome dele tem uma empresa fantamas com capital social de R$ 1,2 milhão, chamada Tapd Nit Consultoria Empresarial, sediada em um luxuoso prédio residencial, em uma das áreas mais nobres da cidade de Niterói (RJ), conforme reportagem exclusiva do Brasil de Fato.

A escolha de Pires causou estranheza nos técnicos Ministério da Economia por, como disseram, ter conflito de interesses. Pires é ligado ao empresário Carlos Suarez, dono de distribuidoras de gás, e Rubens Ometto, da Cosan.

Rodolfo Landim

Já Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, afirmou, em nota publicada na madrugada deste domingo (3) no site do clube, que decidiu abrir mão da indicação à presidência do conselho de administração da Petrobras para priorizar o clube.

“Apesar do tamanho e da importância da Petrobras para o nosso país, e da enorme honra para mim em exercer este cargo, gostaria de informar que resolvi abrir mão desta indicação”,  diz trecho da nota.

Segundo Landim, que trabalhou na Petrobras por 26 anos e saiu em 2006 para integrar o grupo empresarial de Eike Batista, o motivo da decisão seria a dificuldade de exercer ambas as funções “com a excelência desejada e à altura que a Petrobras e o Flamengo [que perdeu o título do Campeonato Carioca para o  Fluminense no sábado, dia 2] merecem”.

Se fosse aprovado, Landim substituiria o almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que pediu para deixar o cargo alegando razões pessoais.

Já Pires seria o substituto do general Joaquim Luna, demitido por Bolsonaro.

Lula havia criticado escolha de lobista

Para o ex-presidente Lula, ao indicar o engenheiro e consultor de petróleo e gás Adriano Pires à presidência da Petrobras, o governo indicou um “lobista de petroleiras internacionais” incapaz de reverter a escalada de preços dos derivados do petróleo por não se opor à política de Política de Preços Internacionais da Petrobras, a PPI.

“[Eu li] que ele faz parte de um grupo seleto de personalidades brasileiras que não aceita o discurso de que o petróleo é nosso. E essa gente que não sabe governar ao invés de ter criatividade para fazer coisas que não existem, eles querem vender o que têm. Ou seja, vamos vender o que temos e quando acabar tudo vamos ver o que fazer”, disse Lula no Rio de Janeiro, na semana passada, durante um encontro com representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP). O evento reuniu petroleiros, representantes do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) e do Dieese e discutiu justamente a política de preços da Petrobras e o futuro da estatal, que vem sofrendo um processo de desmonte desde o golpe de 2016.