Hotel abandonado no Plano Piloto torna-se refúgio de usuários de drogas

Localizado em um dos cartões-postais da cidade, o prédio está destruído. O mau cheiro impregna a região

hotelDestino de turistas e executivos que visitam Brasília, a Área Central — um dos cartões-postais da capital do país — está longe de agradar a quem circula diariamente por lá. Na Quadra 4 do Setor Hoteleiro Norte, um hotel abandonado virou refúgio de moradores de rua e usuário de drogas. Eles perambulam pelos entulhos o dia inteiro, intimidam quem passa por perto e vivem nos cômodos destruídos do lugar. E a situação não deve ser resolvida tão cedo. Representantes do Governo do Distrito Federal dizem não poder fazer muito, já que o terreno é particular. A incorporadora dona do espaço afirma que a responsabilidade da guarda e da manutenção é do dono anterior. No Sudoeste, a antiga administração também virou alvo dos usuários de drogas.

Ontem, o Correio esteve no antigo Torre Palace Hotel. Sem qualquer proteção ou isolamento, o prédio está completamente abandonado e destruído. No lugar onde funcionava um dos restaurantes, no térreo, agora só tem pedaços do teto e das paredes espalhados pelo chão. Não há nada que impeça a entrada. Às 10h30, um morador de rua entrou no edifício, urinou no chão, e saiu sem qualquer cerimônia. Assim como ele, muitos outros fazem as necessidades pessoais no espaço, o que deixa o cheiro no local insuportável. Os elevadores foram retirados, mas os invasores sobem pelas escadas e ocupam os antigos quartos. Lá de cima, arremessam objetos.

A invasão ao edifício começou em agosto do ano passado, quando o hotel foi desocupado. O terreno foi adquirido pela incorporadora Brookfield. A assessoria de imprensa da empresa informou que “conforme previsto em contrato, a posse e guarda do imóvel localizado no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília, ainda pertence à proprietária Torre Palace Hotel”. Nenhum representante dos antigos donos foi localizado pela reportagem.

Uma equipe de fiscalização da Agência de Fiscalização (Agefis) visitou a obra em outubro do ano passado para notificar os responsáveis. Entre as determinações da Agefis, estavam a demolição total do edifício e a apresentação do laudo com o cronograma das obras. Mas, segundo a assessoria de imprensa da agência, a equipe de fiscalização não teve acesso a detalhes da licença que permitissem identificar o proprietário.

A Polícia Militar informou que faz patrulhamento na região 24 horas por dia, mas só pode atuar em casos de flagrante, já que a área é particular. “No caso de uso e porte de drogas, a polícia detém o criminoso, mas o mesmo não permanece preso, em virtude da lei não penalizar mais o usuário com a restrição da liberdade. Resultado: a polícia prende por diversas vezes o mesmo usuário, causando com isso o retrabalho da polícia e a insatisfação da população”, disse uma nota da PM.

Responsável pelo trabalho com os moradores de rua, a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (SEDHS), antiga Sedest, explicou que acompanha o caso, oferece atividades na rua, acolhimento e orientações, mas não pode fazer a retirada compulsória dos moradores de rua. A administração de Brasília, por sua vez, garantiu que notificou os sócios do antigo hotel, além de ter comunicado vários órgãos do GDF sobre o abandono. “A situação atual do prédio é de abandono e não há licença para funcionamento, pois não deram continuidade ao andamento do processo”, afirmou nota da administração.

Correiobraziliense

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