Herança da Copa: Seleção ainda caminha com as pernas de Neymar

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Um ano depois do Mundial no Brasil, Seleção inicia a Copa América ainda muito dependente de seu principal jogador: “Não jogo sozinho”, diz o craque do Barça

Um ano se passou, mas o cenário não mudou. E aquilo que a Copa do Mundo escancarou também se desenha na Copa América do Chile. Bastou um jogo, logo na estreia, para ficar evidente outra vez: por mais que outros jogadores brilhem em alguns momentos, a seleção brasileira caminha com as pernas de Neymar.

O jogo contra o Peru, neste domingo, em Temuco, mostrou isso. Com um gol e uma assistência para Douglas Costa, o camisa 10 foi determinante na vitória por 2 a 1. Neymar carregava o time de Luiz Felipe Scolari nas costas e faz o mesmo com a equipe de Dunga.

– Encaro da melhor maneira possível, bem tranquilo. Estou aqui para ajudar os meus companheiros, não para ser o cara de uma Seleção só. Não jogo sozinho, tem meus companheiros e são 11 dentro de campo tentando fazer o Brasil vencer – disse o capitão, após ter sido eleito o craque da partida.

O discurso de Neymar também não mudou. Até se machucar nas quartas de final da Copa, contra a Colômbia, repetia a cada entrevista que não joga sozinho. Mas o que se via e o que se vê hoje no campo prova o contrário. Diante do Peru, o camisa 10 não fazia um segundo tempo brilhante, mas reapareceu nos acréscimos para dar linda assistência a Douglas Costa.

– O Neymar é decisivo, jogou três decisões na Espanha e teve desgaste enorme. Vem para a competição com muita determinação, quer vencer e resolver como fez no Barcelona. Ele foi decisivo, mas o Daniel Alves também foi, o Miranda em momentos cruciais, o Douglas Costa foi decisivo. Teve uma contribuição da equipe – frisou Dunga, que, assim como Felipão, rema contra a maré e tenta minimizar o peso sobre os ombros do seu principal jogador.

O zagueiro David Luiz segue caminho parecido com o dos treinadores. Após a partida contra os peruanos, reconheceu a qualidade de Neymar, mas fez um afago no grupo.

– Não (vê dependência). Confio nos outros atletas, têm muita qualidade e podem fazer diferença. Isso foi mostrado nos dois amistosos que fizemos antes da estreia. Jogamos melhor contra o México, sem o Neymar, do que contra Honduras, com o Neymar. Depende de como você vê. Estou feliz por ter o Neymar na minha equipe, mas os outros jogadores também. Tudo isso é devido a qualidade dele. É um jogador diferente, quando consegue encaixar o jogo dele, é melhor para nós – afirmou o defensor.

Enquanto Dunga e David Luiz fazem rodeios, o atacante Roberto Firmino é direto.

– Neymar é Neymar. Sem ele é difícil. Com ele, é outra coisa. Se torna mais fácil jogar ao lado dele por ele ser o Neymar. Vem ajudando nossa equipe.

Números evidenciam a importância de Neymar

Neymar não perde uma partida coma a camisa da Seleção há quase dois anos (ou 24 jogos – 22 vitórias e dois empates). Sua última derrota ocorreu em 14 de agosto de 2013. Foi para a Suíça, por 1 a 0. Mas e na Copa? Neymar não estava presente nas duas únicas derrotas do Brasil em 2014. Além do 7 a 1 para a Alemanha, ficou fora da derrota por 3 a 0 para a Holanda na disputa do terceiro lugar.

Não chega a ser gritante, mas o aproveitamento do Brasil com Neymar em campo é melhor. Desde que começou a ser convocado, em 2010, disputou 64 partidas. Foram 45 vitórias, 12 empates e sete derrotas, um aproveitamento de 89%. Sem o camisa 10, o desempenho é de 66,6%. Foram nove jogos, seis vitórias e três derrotas.

A Seleção está com três pontos no Grupo C da Copa América e volta a jogar na quarta-feira, contra a Colômbia, no estádio Monumental de Santiago. A partida será às 21h (de Brasília).

GloboEsporte.com