Grupo vai à polícia para cobrar cheques sem fundos de político

Segundo delegado, 22 cabos eleitorais ficaram sem pagamento, em Goiânia.

chequesCabos eleitorais de Junior do Riva (PHS), que concorreu ao cargo de deputado estadual nas últimas eleições, procuraram a Polícia Civil para denunciar a falta de parte do pagamento para a prestação dos serviços. No total, são 22 pessoas que dizem ter recebido apenas a primeira parcela do combinado com o político. “O primeiro cheque foi pago, mas quando fomos descontar o segundo, no início do mês de outubro, não tinha fundo”, afirmou ao G1 a assistente social Rita de Cássia Araújo, 47 anos, que atuou como coordenadora da equipe.

Segundo ela, os valores devidos variam de acordo com a função que a pessoa desempenhou, como distribuição de santinhos, visitas nas casas de eleitores e plotagem de carros. “Comigo mesmo a dívida é de R$ 3 mil, mas isso muda. Sei que, somando as os cabos eleitorais de Goiânia, os valores passam de R$ 19 mil”, afirmou.

Por telefone, Junior do Riva reconheceu as dívidas e disse que está vendendo alguns bens “para pagar os cabos eleitorais”. No entanto, ele não precisou prazos para que isso ocorra.

O político, que é vice-prefeito na cidade de Britânia, no noroeste de Goiás, recebeu 3.337 votos em outubro deste ano e não conseguiu ser eleito. “Ele era desconhecido aqui em Goiânia. Então, boa parte dos votos que obteve foi graças ao nosso trabalho. Temos que ser devidamente recompensados”, ressaltou a assistente social.

Rita diz que tentou descontar o segundo cheque por duas vezes, mas o banco informou que não havia dinheiro na conta. “Entrei em contato com o Junior logo da primeira tentativa e ele disse que iria pagar. Depois, fui de novo e nada. Aí ele alegou que estava vendendo alguns imóveis e que irá pagar. Mas como percebemos que ele está fugindo da dívida, decidimos procurar a polícia”, diz.

A mulher afirma que era responsável por contratar os cabos eleitorais. Como os pagamentos não foram concluídos, ela diz que ficou em uma situação complicada com o grupo. “Fui eu quem deu a cara na comunidade e, por isso, todos também cobram de mim. Mas não posso assumir a responsabilidade que é dele. Fizemos tudo certo, com contrato, então ele terá que quitar os pagamentos”.

Investigação
Um boletim de ocorrência foi registrado no 8º Distrito Policial de Goiânia no último dia 10. De acordo com o delegado Waldir Soares, responsável pelas investigações, seis pessoas foram ouvidas, até a manhã desta quarta-feira (12), e todas apresentaram os cheques sem fundos.

“Vamos fazer a oitiva de todas as vítimas e, depois de concluir a materialidade do crime, vamos intimar o político. Ele terá que explicar os motivos da falta de pagamento e poderá responder por estelionato, cuja pena é de até cinco anos de prisão”, explicou o delegado.

Waldir ressaltou, ainda, que pessoas de outras cidades do estado também teriam ficado sem parte do pagamento. “Aqui já temos as informações da dívida de R$ 19.400, mas em Goiás inteiro esses valores chegariam a R$ 300 mil. Vamos orientar essas pessoas a buscar a Justiça do Trabalho para receber esses pagamentos”.

O serralheiro Paulo Pereira da Silva, 41 anos, que também trabalhou como cabo eleitoral de Júnior do Riva, diz que se afastou do trabalho por três meses para atuar na campanha, mas ficou sem receber R$ 1.200. “Eu trabalhei muito, plotei meu carro, passei horas distribuindo panfletos. Agora ele está brincando com a gente, dizendo que vai pagar, mas não faz isso”, disse.

A artesã Luciana Gregório de Araújo, de 41 anos, que trabalha por conta própria e ficou afastada das funções durante o período de campanha, diz que também teve prejuízos. “Eu deixei de fazer meu serviço em casa para visitar a casa das pessoas e apresentar as propostas do Júnior do Riva. Bati muita perna e agora não recebi o que foi combinado. Tive prejuízo, pois parei de produzir e vender minhas peças”.

A artesã, que tenta receber o cheque de R$ 1 mil, reclama que o político “agiu de má fé”. “A gente confiou nele, tanto que desde outubro ficamos esperando ele pagar. Mas até agora nada e o jeito foi procurar nossos diretos”, concluiu.

G1

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