Governo adia contrato para obra

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Divergências internar e falta de data para início dos trabalhos influenciaram decisão

Divergências entre grupos internos e a falta de uma data específica para o início da obra levaram o governador Marconi Perillo (PSDB) a cancelar a assinatura do contrato para implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT), marcada para a às 10 horas de ontem, no 10º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Ele quer detalhes sobre quanto tempo levará entre a assinatura do documento e o começo das obras. Serão necessárias diversas ações entre os dois atos, inclusive a desapropriação de 90 mil m² e a obtenção de garantias financeiras para o contrato. A desistência provocou clima de frustração nos representantes do setor empresarial e da Prefeitura de Goiânia que estavam presentes. Há inclusive a possibilidade de a obra não ser executada neste governo.

A questão financeira teve um novo capitulo na quinta-feira, quando foi lido na Assembleia Legislativa um projeto de lei do governo que retira recursos do VLT e repassa para o Fundo de Transportes, que banca as obras rodoviárias do Estado. Na justificativa do projeto, o governador explica que a proposta é da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), presidida por Jayme Rincón, um dos críticos internos da obra do VLT.

“A ausência dos recursos da Cide (imposto federal com repasse para os Estados) deixaria grande parte dos projetos das obras sem fontes de recursos”, justifica o governador, ao pedir a realocação dos recursos do imposto.

O secretário de Estado de Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, João Balestra, foi o escalado para falar em nome do governo sobre o cancelamento da assinatura do contrato. Ele disse que solicitou reunião com o governador para falar de pendências. “Solicitei uma reunião técnica administrativa com o governador porque precisamos fazer alguns ajustes em relação a este projeto. Ainda faltam detalhes do governo federal e do Estado para serem resolvidos.” Balestra não disse quais são os detalhes, mas garantiu ao POPULAR que não se trata do projeto em tramitação na Assembleia. “Não estou nem sabendo desta mensagem.”

Silêncio

O governo não se posicionou oficialmente sobre a quais “detalhes” Balestra se referia, e que fizeram o governador desistir do ato, depois de deixar lideranças como os presidentes da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Pedro Alves de Oliveira, e da Associação Comercial e Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Helenir Queiroz, esperando por mais de meia hora. Balestra disse que percebeu os detalhes aos quais se refere mas não revela “no andamento do processo”.

O governador teve outro evento na manhã de ontem, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira e não deu entrevista coletiva.

Em reservado, integrantes do governo admitem a influência da eleição deste ano nas ações do governador, que deverá ser candidato à reeleição pelo partido. O grupo favorável ao VLT defende o início da obra neste ano. Os contrários acreditam que os impactos negativos de uma obra na principal avenida da cidade superam os benefícios para a imagem do governado, especialmente durante uma possível campanha eleitoral.

Faltam estudos

O governador teria dito a interlocutores que quer saber o real impacto da obra na cidade, algo que não estaria detalhado no projeto apresentado até então. A presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Patrícia Veras, que esteve no evento representando a Prefeitura, disse que o estudo de impacto de trânsito da obra ainda não foi entregue.

Opopular