Garoto obeso, de Itumbiara, tenta seguir tratamento em casa

 

A endocrinopediatra Claudete Carmo alertou que o tratamento no spa é apenas uma etapa inicial, que deve ser seguida por uma reeducação alimentar de todos os envolvidos.

Após 90 dias, menino O menino, que vive com a família em Itumbiara, no sul de Goiás, deu entrada na clínica no dia 9 de abril, quando pesava 122 kg. Depois de três meses de tratamento, ele perdeu 22 kg. Apesar disso, a criança ainda precisa emagrecer mais e tenta continuar em casa os mesmo hábitos que aprendeu quando estava internado.

Além de brincar com bola e carrinho, o garoto tem a alimentação regulada pela família. O pai, Manoel dos Santos lista os alimentos saudáveis que o filho pode comer. “Leite desnatado, peito de frango, pão integral, proteína de soja, fruta, verdura, queijo”, enumera.

Atualmente, o menino está com 100 kg e segundo especialistas, ainda teria que perder a metade disso para ficar com o peso normal para uma criança de sua idade. Por isso o pai ainda luta para que ele consiga mais um tempo no spa.

“Até agora ninguém se manifestou. Semana passada fui lá na prefeitura de Itumbiara e mandaram ir no Ministério Público. Ele ainda tem umas consultas e exames para fazer. Quero ver se ele ganha mais uns dois meses lá”, afirma.

Procurado pela reportagem, o secretário de Saúde de Itumbiara não foi encontrado para falar sobre o assunto.

O primeiro mês de tratamento foi bancado pela própria clínica, que se sensibilizou com a história do menino. Já os dois seguintes, foram pagos pela administração municipal. Um período de 30 dias no spa custa cerca de R$ 12 mil.

Pouco antes de finalizar o tratamento, segundo os pais, o menino começou a ficar estressado e, por isso, foi liberado para passar um período em casa. Sem a certeza de que o tratamento seria estendido, os pais decidiram manter a criança em Itumbiara.

Ajuda
A assistência social do município, responsável pelo caso do garoto, informou que a Fundação Solidariedade (Funsol), vai disponibilizar profissionais como nutricionistas e psicólogas para continuar acompanhando ele e a família.

Ainda de acordo com o órgão, na próxima semana, um relatório será enviado ao juiz da Infância e da Juventude da cidade para que ele avalie a situação e decida sobre a necessidade ou não de um novo período no spa.

Hipotireoidismo
O menino foi diagnosticado com hipotireoidismo, que afeta a produção de hormônios. Mesmo sendo medicado, o garoto continuava engordando. Por isso, os pais e o Conselho Tutelar fizeram um acordo e o garoto e a mãe passaram a morar em um abrigo no Centro de Referência em Assistência Social (Cras) de Itumbiara, onde a criança tinha a alimentação controlada.

Na tentativa de acelerar a perda de peso, a família buscava a vaga em um spa na capital. “Ele fica só na alimentação que ele está. Aí não tem uma atividade física. Tem que ter uma atividade para emagrecer mais rápido, interagir, queimar mais caloria”, disse o pai do menino.

A endocrinopediatra Claudete Carmo da Silva, que acompanhava o menino, alertou que o tratamento no spa é apenas uma etapa inicial, que deve ser seguida por uma reeducação alimentar de todos os envolvidos.

“Talvez a gente precisasse abordar mais a família, fazer essa reeducação alimentar e proporcionar esses alimentos. Que ela tivesse acesso a um fisioterapeuta que pudesse aumentar a atividade física. Essa criança está cada vez mais limitada”, afirma.

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