Ganhadores do Nobel de Economia acreditam que Grécia deve dizer ‘não’ a acordo com credores

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Norte-americanos, Paul Krugman (2008) e Joseph Stiglitz (2001) argumentam razões para povo grego votar contra negociações em referendo no fim de semana

Os prêmios Nobel de Economia, os norte-americanos Paul Krugman e Joseph Stiglitz se expressaram nesta segunda-feira (29/06) a favor do “não” no referendo que a Grécia realizará em 5 de julho para decidir se o país aceitará a proposta de acordo apresentada pelos credores internacionais.

“Votaria não”, disse Krugman, muito crítico às receitas de ajuste fiscal aplicadas na Europa para sair da crise, em artigo publicado hoje no New York Times.

“Em primeiro lugar, sabemos que uma austeridade ainda mais dura é um beco sem saída, após cinco anos a Grécia está pior do que nunca. Segundo, muito e talvez o pior do temido caos pela saída da Grécia da zona do euro já aconteceu. Com os bancos fechados e a imposição dos controles de capital, não há muito mais prejuízo a acontecer”, indicou Krugman, de 62 anos.

O governo do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou ontem feriado bancário por seis e haveria controle aos saques nos bancos, diante das dificuldades financeiras do país.

O Nobel de Economia de 2008 e professor aposentado da Universidade de Princeton assinalou que a proposta dos credores internacionais, conhecidos como “troika” (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) pretendem “continuar indefinidamente as políticas dos últimos cinco anos”.

“Talvez, só talvez, a vontade de deixar o euro inspirará a repensar, embora provavelmente não. Mas inclusive assim, a desvalorização poderia estabelecer os fundamentos de uma recuperação final”, sustentou Krugman.

No mesmo sentido, embora com um pouco mais de cautela, se expressou Stiglitz, ex-economista-chefe do Banco Mundial (BM) e professor na Universidade de Columbia de Nova York.

“Um voto do sim significaria uma depressão quase sem fim. Um voto pelo ‘não’ abriria pelo menos a possibilidade de a Grécia, com sua forte tradição democrática, possa agarrar seu destino com suas próprias mãos”, apontou o Nobel de Economia de 2001.

Desta maneira, acrescentou Stiglitz, de 72 anos, “os gregos poderiam alcançar a oportunidade de moldar um futuro que, embora talvez não tão próspero como no passado, seja muito mais promissor do que a inconsciente tortura do presente”.

Na consulta que será realizada no próximo domingo, os gregos deverão optar entre apoiar ou rejeitar o projeto de acordo apresentado pelas instituições no Eurogrupo da última quinta-feira.

O governo grego mantém programado o referendo e sua recomendação de que a população diga “não” apesar das pressões da oposição e de associações empresariais, que acreditam que rejeitar o compromisso levará à Grécia a sair da zona do euro.

Por sua vez, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, transferiu hoje a responsabilidade da grave situação atual para a Grécia ao recomendar ao governo que “conte toda a verdade” e pediu aos gregos que digam sim à Europa no referendo.

Operamundi