Frentista, que será pai, não demonstra arrependimento por morte de jovem

frentistaA frieza demonstrada por Wemerson dos Santos Feitosa, 26 anos, quando efetuou os dois disparos que resultaram na morte de Lucas da Luz Alves, 15, foi repetida na delegacia, durante o depoimento. Conforme detalhou Júlio César de Oliveira, chefe da 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), em nenhum momento, o frenstista se mostrou arrependido. Ao cometer o crime, Wemerson nem ao menos pensou na possibilidade de não ver o filho nascer. Ele é casado, e a mulher está grávida de um menino. Somente depois do assassinato, na cela, conversando com os outros presos, ele revelou o medo de não estar presente na hora do parto. “Foi a única demonstração de afeto dada por ele. Fora isso, em todo o momento, ele foi frio”, lembra o titular da 31ª DP. O suspeito não tinha passagens pela polícia.

O frentista, que mora em Formosa (GO), a cerca de 40km de Planaltina, trabalhava há três meses no posto de gasolina, de acordo com o delegado. Em depoimento, os colegas de trabalho afirmaram que, até então, Wemerson não tinha apresentado qualquer comportamento agressivo. Ninguém tinha conhecimento que o suspeito andava armado. À Polícia Civil, ele simplesmente alegou que adquiriu o revólver calibre 38 por questão de segurança — pelo fato de seu turno ser de madrugada e de precisar trafegar entre as duas cidades.

A arma foi comprada pelo valor de R$ 2.200, quando Wemerson ainda trabalhava de segurança em uma boate de Sobradinho. “Ele não revelou onde adquiriu o revólver. A numeração estava raspada, o que dificulta um pouco, inicialmente, descobrirmos a origem”, disse o delegado. O frentista estaria com essa arma guardada nos armários dos funcionários.

Entenda o caso
A tragédia ocorreu na quarta-feira, às 21h, quando o grupo, com cerca de 40 pessoas, chegou ao segundo posto que seria alvo dos protestos, na Avenida Independência, em frente à Quadra 1 do Jardim Roriz. Emerson Pereira da Silva, 26, dirigia o Palio branco abastecido com o valor errado. Ele contou que a discussão se acalorou quando outros manifestantes foram até a bomba. “Eu pedi a ele para colocar R$ 0,50, mas ele acabou colocando R$ 50. Todos que estavam no posto foram até onde estávamos, inclusive o garoto. O frentista pegou a minha chave e disse que não devolveria enquanto eu não passasse o dinheiro.” Sem a quantia em mãos, todos os participantes fizeram uma “vaquinha” para arrecadar o valor. “Ele (o frentista) saiu de perto da gente. Enquanto isso, combinamos com o fiscal do posto de alguém me acompanhar até em casa para eu pegar o restante do dinheiro”, lembrou Emerson.

Quando todos pensavam que a situação já tinha sido resolvida, Wemerson voltou para a bomba e teve início uma nova discussão, desta vez com outros manifestantes. Na confusão, o frentista e o garoto iniciaram um bate-boca. Nesse momento, o funcionário ameaçou atirar no adolescente. “Ele falou que resolvia os problemas no tiro. O menino revidou e o frentista fez uma nova ameaça”, contou Emerson. Nesse momento, o acusado atirou no adolescente. “Não tinha motivo algum para ele fazer isso, estava tudo resolvido. Ninguém imaginava que o funcionário poderia estar armado.” Emerson foi o terceiro motorista a abastecer e não conhecia Lucas da Luz.

Correiobraziliense

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