Família põe flores em ponto de ônibus onde garota foi morta por motociclista

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floresFamiliares e vizinhos da estudante Ana Lídia Gomes, 14 anos, morta a tiros por um motociclista em um ponto de ônibus do Setor Conjunto Morada Nova, em Goiânia, no último dia 2, prestaram uma homenagem à garota colocando flores e velas no local do crime.  O caso é um dos 15 homicídios de mulheres que ocorreram de forma semelhante este ano e são investigados por uma força-tarefa da Polícia Civil. A polícia não crê na existência de um “serial killer”, mas também não descarta a possibilidade.

De acordo com o analista de sistemas Leonardo Dias Gomes, tio da menina, o ato é uma forma de não deixar o caso cair no esquecimento e também de cobrar mais empenho da polícia na apuração dos homicídios. “Queremos respostas. Não só nós, mas também a família de todas as outras vítimas. Nossa polícia é competente, mas tem que trabalhar mais, ir atrás”, disse ele ao G1.

Segundo Leonardo, o ponto foi ornamentado na sexta-feira (8), antes da missa de sétimo dia, e também no sábado (9), quando cerca de 2 mil pessoas, entre parentes e amigos das vítimas se uniram em um protesto pedindo paz e justiça.

Amigo da família e vizinho do ponto de ônibus onde o crime ocorreu, o administrador João Bosco Giani afirmou que além de comprar alguns vasos, também fez questão de regar as flores que estavam no local.

Ele lembra que seu filho foi um dos últimos a ver Ana Lídia ainda com vida. “Ele [filho] chegou em casa e chegou a comentar comigo que era perigoso uma menina daquela idade estar sozinha no ponto de ônibus. Cinco minutos depois, ouvimos os disparos. Ele saiu correndo e viu ela baleada”, recorda.

João Bosco diz que o filho não conseguiu ver a motocicleta, mas que visualizou um caminhão indo atrás do suspeito. No último domingo (10), em entrevista ao Fantástico, sem se identificar, o motorista do veículo contou que viu o exato momento em que a vítima foi baleada.

“Eu ouvi dois disparos e olhei imediatamente pelos retrovisores, mas não conseguia visualizar. Mas aí percebi a menina caindo e o rapaz colocando a arma dentro da camiseta. Eu persegui o suspeito por uns 300 metros, falando ao celular com a polícia”, relatou o caminhoneiro.

Presos
Um homem foi preso na quinta-feira (7) suspeito de envolvimento em dois dos casos investigados. A polícia não revelou quais os crimes em que o homem detido teria agido nem a sua identidade, mas afirmou se tratar de um jovem que já havia cumprindo pena por outros crimes.

Na casa dele, foram apreendidas uma moto e vestimentas pretas, além de alguns capacetes, um deles, também de cor escura. Questionado sobre onde o jovem estaria detido, o delegado Deusny Aparecido revelou apenas que ele está em “uma das celas da capital”.

No sábado (9), outro homem, de 27 anos, foi preso em São Luís de Montes Belos, a 120 km de Goiânia. A detenção ocorreu por conta de assaltos praticados a comércio, mas, por enquanto, a polícia não descarta ou confirma a participação dele nos crimes. O que já foi revelado é que um dia antes da morte da garota, ele praticou um assalto em uma panificadora da região e fugiu em uma moto.

Força-tarefa
A força-tarefa da Polícia Civil investigava 18 casos ocorridos neste ano em Goiânia, mas em entrevista coletiva realizada na sexta-feira (8) o delegado descartou um dos crimes, pois, segundo a polícia, se tratava de uma falsa denúncia sobre uma tentativa de homicídio contra uma mulher.

“Sentamos junto com a investigação e concluímos que essa tentativa sequer aconteceu. Isso fez a polícia perder muito tempo e dinheiro em busca de um fato falso, prejudicando de sobremaneira nossa apuração. Agora, trabalhamos com 17 casos”, afirma Deusny Aparecido.

Entre os casos que continuam sendo apurados estão as mortes de 15 mulheres, a de um homem, além da tentativa de homicídio de uma vítima do sexo feminino.

Participam do grupo de investigação 16 delegados, sendo os nove da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), três que atuam em outras delegacias e mais três do interior do estado. Além deles, 30 agentes e dez escrivães também integram o grupo.

Série de assassinatos
O primeiro crime da série de assassinatos ocorreu em 18 de janeiro, quando Bárbara Luiza Ribeiro Costa, de 14 anos, foi executada por homens em uma motocicleta, no Setor Lorena Park, na capital. Na época, a polícia informou que eles roubaram o celular da vítima e fugiram.

A vítima mais recente foi a estudante Ana Lídia Gomes, de 14 anos, morta no dia 2 deste mês por um motociclista em um ponto de ônibus do Setor Conjunto Morada Nova. Por causa das semelhanças dos crimes, o homicídio de Ana Lídia aumentou a desconfiança da população de que um assassino em série está agindo em Goiânia.

Segundo informações da Polícia Civil, os crimes tiveram dinâmica semelhante. Porém, de acordo com o delegado titular da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), Murilo Polati, as investigações apontam que as motocicletas usadas são de marcas e cilindradas diferentes, além das descrições físicas dos suspeitos não serem as mesmas.

O delegado explica que algumas das investigações indicam crimes passionais e outras apontam envolvimento das vítimas com consumo e tráfico de drogas. Entretanto, ele não dá detalhes para não comprometer os inquéritos.

Desde maio, quando surgiu a possibilidade de que exista um “serial killer” na capital, após uma mensagem de voz compartilhada pelo aplicativo de celular Whatsapp, a Polícia Civil tratava o caso como um boato. No último dia 3 deste mês, a corporação voltou a afirmar que não crê na possibilidade de que um assassino em série esteja agindo em Goiânia, mas admitiu, pela primeira vez, que não descarta a hipótese.

G1