Família cobra a punição dos autores de homicídio de cozinheira de pamonharia

Marizete Machado, 53, levou cinco tiros e teve 40% do corpo queimado.

pamonnhariaA família da cozinheira Marizete de Fátima Machado, de 53 anos, que morreu após ser baleada e ter o corpo queimado, pede que os autores do crime sejam punidos. A ânsia por justiça também está nas dezenas de mensagens deixadas por amigos e clientes na porta do comércio onde a mulher trabalhava há 13 anos, no Setor Jardim América, em Goiânia.

“É muita dor, eu quero justiça, que eles paguem pelo que eles fizeram com minha tia, sequestraram, deram tiros nela e queimaram”, lamenta a sobrinha da vítima, Emê Cristina Machado

Marizete morreu na tarde de terça-feira (31), após dois dias internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). O corpo da cozinheira é velado na Igreja Evangélica Exército de Deus, no Setor Jardim América. O sepultamento está previsto para as 10h desta quarta-feira (1º) no Cemitério Jardim da Saudade.

O crime ocorreu na noite de domingo (29). Segundo a polícia, os suspeitos de atacar a cozinheira são os proprietários de uma pamonharia concorrente à que a vítima trabalhava. A motivação seria uma disputa por clientes. Após sair do trabalho, Marizete foi levada para um matagal em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia, onde foi baleada e queimada. Na ocasião, ela sobreviveu, conseguiu pedir ajuda e foi socorrida.

Comerciantes suspeitos
Horas após o crime, a comerciante de 55 anos foi presa. No depoimento que prestou à polícia, a suspeita negou ter participação com o caso e disse que estava em casa no momento em que Marizete foi ferida. Ela está detida em uma cela do 14º Distrito Policial de Goiânia.

Também é suspeito de cometer o crime o filho da comerciante, de 28 anos. No entanto, ele segue foragido. Na terça-feira, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do jovem. Segundo a corporação, ele já tem passagens por desacato, resistência à prisão e desobediência. O rapaz também responde por um crime, que não foi especificado, na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher.

O advogado que representa os comerciantes esteve no 7º Distrito Policial de Goiânia, onde o crime é investigado. “Orientei que ele entregue o jovem, já que ele será preso a qualquer momento. De qualquer forma, vamos intensificar nossas diligências para o cumprimento dessa prisão”, disse o delegado Manoel Borges, responsável pelo caso.

Com a morte da cozinheira, houve a mudança da tipificação do crime. “Agora tudo mudou e os suspeitos passarão a responder por homicídio duplamente qualificado, além dos crimes de sequestro e tortura. A morte da vítima, que ocorreu em consequência da violência sofrida, com certeza vai agravar a situação dos suspeitos”, destacou o delegado.

Investigação
O delegado já colheu o depoimento do patrão da vítima. Ele afirmou que tem a pamonharia há 18 anos e que há cerca de um ano a suspeita e o filho abriram um restaurante em frente ao dele. Segundo o comerciante, os concorrentes implicavam porque não conseguiam obter mais clientes, mesmo tendo produtos mais baratos.

A possível motivação do crime surpreendeu o delegado. “Isso, do ponto de vista jurídico e penal, é um agravante. Foi muito fútil tentar tirar a vida de uma pessoa porque vende pamonha mais gostosa do que a sua. Isso é reprovável sob todos os pontos de vista, social e penal. Vão responder criminalmente, a mãe e o filho”, afirma Borges.

O filho de Marizete, Douglas Vinícius Machado de Abreu, conversou com a mãe antes de ela morrer. A cozinheira reforçou a autoria do crime. “Ela me chamou, perguntou se eu estava bem, que era para eu tomar cuidado, que ele ia me matar e o dono da pamonharia. Dei um beijo nela toda machucada, ela falou que foi ele e a mãe dele”, contou.

Crime
De acordo com a polícia, a vítima foi rendida na noite de domingo, quando saía da pamonharia onde trabalha e seguia para a casa em que mora, no Setor Nova Suíça. Colocada em uma caminhonete, a mulher foi levada para um matagal em Abadia de Goiás, onde sofreu a tentativa de homicídio.

Um dos quatro tiros atingiu a cabeça da vítima. Em seguida, os suspeitos jogaram álcool e atearam fogo no corpo de Marizete, que teve ferimentos nos braços, pernas e peito. Mesmo ferida, ela caminhou cerca de 2 km e consegui pedir ajuda.

“[Ela estava] queimada, com muito sangue. Tinha tiro na cabeça, nas costas, para todo lado. Mas ela estava consciente e falou quem foi que atirou, falou tudo”, disse a comerciante Geralda Santos, a quem Marizete pediu ajuda.

G1

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