Exército proíbe fake news, exige máscara e vacina, contrariando Bolsonaro

Da Redação
07/01/2022 - 12:12
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Exército proíbe fake news, exige máscara e vacina, contrariando Bolsonaro

Novas diretrizes do comando do Exército para o combate à covid-19, divulgadas na quinta-feira (6), contrariam o negacionismo palaciano que orienta subordinados e aliados de Jair Bolsonaro. Entre as normas divulgadas pela Força, destaca-se a proibição aos militares de espalhar fake news sobre a pandemia. Além disso, documento assinado pelo comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, proíbe a reapresentação para o trabalho presencial sem comprovante de vacinação.

O texto também recomenda distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos como medidas não farmacológicas de combate ao coronavírus. Outra diretriz é que o retorno às atividades presenciais não deve ocorrer antes de um período de 15 dias depois da vacinação contra a covid-19. Oliveira esclarece, ainda, que esse retorno se deve ao avanço da vacinação.

Entre as normas, eventos religiosos devem ter sua “pertinência” analisada antes de realizados. Missões internacionais ainda não iniciadas, assim como seminários, palestras e cerimônias que causem aglomerações, passarão por reavaliação. Durante a pandemia, foram e ainda são frequentes as aglomerações provocadas por Bolsonaro, como em suas “motociatas”.

Sobre as fake news, as normas preveem que “não deverá haver difusão de mensagens em redes sociais sem confirmação da fonte e da veracidade da informação”. Os militares “deverão orientar os seus familiares e outras pessoas que compartilham do seu convívio para que tenham a mesma conduta”. O comunicado diz ainda: “Casos omissos decorrentes da aplicação desta diretriz serão resolvidos pelo comandante, chefes ou diretores das organizações militares, subsidiado pelas áreas técnicas competentes”. Porém, o documento não define claramente eventuais punições.

Governo aliado do vírus

O chefe do governo brasileiro é um contumaz aliado do SARS-Cov-2, como definiram os principais senadores da CPI da Covid no ano passado. Recentemente, em 13 de dezembro, Bolsonaro recebeu um grupo de sanfoneiros e afirmou: “Aqui é proibido máscara”. Ele fez questão de transmitir o trecho em sua página oficial no Facebook.

Médicos que foram membros do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP) pediram hoje ao Conselho Federal de Medicina (CFM) a abertura de processo ético-profissional contra o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, principalmente por ajudar a difundir a falsa informação de que a vacinação de crianças não tinha segurança comprovada.

Em sua página no Twitter, a advogada Eloísa Machado, professora de Direito na Fundação Getulio Vargas (SP), defende que famílias de crianças privadas de vacinação após autorização da Anvisa têm direito a indenização. “Estão sofrendo danos direta e exclusivamente atribuíveis a condutas ilícitas de Queiroga e Bolsonaro. Na minha opinião, todas têm direito à indenização”, escreveu.

Bolsonaro reitera crimes

Enquanto isso, Bolsonaro reitera impunemente a prática crimes denunciados pela CPI da Covid. Nesta quinta, ele voltou a atacar a vacinação, especificamente relativa a jovens e crianças. “Você vai vacinar o teu filho contra algo que o jovem por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele morrer é quase zero? O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina?”, questionou.

A CPI da Covid atribuiu nove crimes de Bolsonaro durante a pandemia: crime contra a humanidade, crime de responsabilidade, prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado de morte, infração a medidas sanitárias preventivas, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime e falsificação de documentos particulares