Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Rachadinha

Ex-cunhada denuncia Bolsonaro por esquema de ficar com salário dos funcionários de seu gabinete na Câmara Federal

Redação
5 de julho de 2021
Rio de Janeiro - O presidente da República, Jair Bolsonaro, recebe o motorista Robson Oliveira, que estava preso na Rússia, no aeroporto do Galeão. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Advogado que representa o presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, negou ilegalidades e disse que existe uma antecipação da campanha eleitoral de 2022.

Gravações de áudios obtidas pelo portal UOL indicam o envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o esquema de rachadinhas (desvio de salários de assessores), durante o período em que foi deputado federal. Em um dos áudios, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, revela detalhes do esquema.

"O André [Siqueira Valle, irmão da Andrea,] deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: 'Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'", disse a ex-cunhada do presidente de acordo com as gravações que a mídia teve acesso.

Andrea e André são irmãos de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher de Jair Bolsonaro. Andrea foi a primeira de uma lista de 18 parentes da segunda mulher do presidente que foram nomeados em um dos três gabinetes da família Bolsonaro (Jair, Carlos e Flávio) no período de 1998 a 2018.

Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro, fazendo campanha para o então candidato à presidência do Brasil em Resende, no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 2018

Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro, fazendo campanha para o então candidato à presidência do Brasil em Resende, no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 2018 - foto: reprodução Folha

Jair Bolsonaro é 01

Outra conversa que o UOL teve acesso foi entre Márcia Aguiar e Nathália Queiroz, respectivamente esposa e filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e que teria atuado no recolhimento de salários no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na troca de mensagens que teria ocorrido em outubro de 2019, as duas chamam Jair Bolsonaro de 01.

Márcia afirma que o presidente "não vai deixar" Queiroz voltar a atuar como antes. Na época, o Ministério Público já investigava o possível esquema de rachadinha no gabinete de Flávio. Nathalia afirma para a madrasta que Queiroz é "burro" por continuar fazendo as articulações.

"É chato também, concordo. É que ainda não caiu a ficha dele que agora voltar para a política, voltar para o que ele fazia, esquece. Bota anos para ele voltar. Até porque o 01, o Jair, não vai deixar. Tá entendendo? Não pelo Flávio, mas enfim não caiu essa ficha não. Fazer o quê? Eu tenho que estar do lado dele", diz Márcia em um dos áudios.

Procurado pelo UOL, o advogado Frederick Wassef, que representa o presidente, negou ilegalidades e disse que existe uma antecipação da campanha eleitoral de 2022. Wassef afirmou ainda que os fatos narrados por Andrea "inverídicos, inexistentes, jamais existiu qualquer esquema de rachadinha no gabinete do deputado Jair Bolsonaro ou de qualquer de seus filhos".

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