EUA, Rússia e China devem resistir a aumento da vigilância e erosão dos direitos públicos, diz Snowden

snowdemEm entrevista à TV NBC nesta quarta-feira (28/05), o ex-funcionário da NSA (Agência Nacional de Segurança, na sigla em inglês) Edward Snowden disse esperar que “Rússia, Estados Unidos e muitos outros países resistam a esse constante aumento de vigilância, à constante erosão e desgaste dos direitos públicos”. A conversa foi a primeira com uma emissora norte-americana desde que ele revelou o esquema de espionagem realizado pelo governo dos EUA em 2013.

Snowden esclareceu que por meio do telefone celular dos cidadãos, a NSA, o serviço russo ou chinês de inteligência, bem como qualquer serviço de inteligência no mundo que tenha um “financiamento significativo” e uma “equipe de pesquisa tecnológica de verdade”, pode se apoderar de um telefone celular “no momento em que ele se conecta à rede, tirar fotos e coletar informações dele” e mesmo que não haja nada de errado, estas atividades podem ser “mal interpretadas” e utilizadas para prejudicar as pessoas.

Antes da entrevista, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que Snowden é “covarde” e “traidor” e o chamou a voltar para os Estados Unidos e enfrentar a Justiça do país. Sobre isso, o ex-analista afirmou que não teria um julgamento justo nos EUA e que não está na Rússia porque quer, mas “para servir ao meu país” e que somente por isso deixou sua família e sua vida confortável.

O analista também negou ter qualquer relação com o governo russo. “Eu não pretendia ficar na Rússia. Eu tinha um voo reservado para Cuba, rumo à América Latina”, mas o “governo dos Estados Unidos decidiu revogar meu passaporte e me prender no aeroporto de Moscou”, então quando “as pessoas me perguntam ‘por que você está na Rússia?’ eu respondo: ‘por favor, pergunte ao Departamento de Estado’”.

Da mesma forma, Snowden negou ter fornecido qualquer informação privilegiada ao governo russo. “Eu nunca conheci o presidente [Vladimir Putin]. Eu não estou sendo bancado pelo governo. Não sou espião” e esclareceu que, para proteger os dados, não levou nenhum documento com ele enquanto viajava. O ex-analista também negou que os jornalistas para quem entregou o material tenham liberado qualquer informação militar presente no material.

Denúncias foram necessárias
“A Constituição dos Estados Unidos foi violada em massa. Agora, se isso não tivesse acontecido, se o governo não tivesse ido longe demais e exagerado, não estaríamos em uma situação em que denunciantes são necessários”, afirmou.

Antes de tornar as informações públicas, no entanto, Snowden garante que perguntou à NSA sobre a legalidade das práticas de vigilância e a resposta foi “em termos burocráticos, que eu parasse de fazer perguntas”.

“Eu posso ter perdido minha capacidade de viajar, mas eu ganhei a capacidade de dormir a noite, colocar minha cabeça no travesseiro e me sentir confortável porque eu tenho feito a coisa certa, mesmo quando isso é a coisa mais difícil. E eu estou confortável com isso”, afirmou.

Questionado se ele se considera patriota, Snowden respondeu prontamente: “Eu sou”. “Eu acho que patriota é uma palavra que (…) se desvalorizou hoje em dia. Mas ser um patriota não significa priorizar o serviço ao governo acima de tudo. Ser um patriota significa saber quando proteger seu país, saber quando proteger sua Constituição, quando proteger os seus compatriotas das violações e invasões de adversários. E esses adversários não precisam ser de outros países. Podem ser políticas ruins [ou] erros do governo e (…) coisas que nunca deveriam ter sido tentadas – ou que deram errado”.

Operamundi

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