Estudo confirma eficácia das estatinas para prevenir problemas cardíacos

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Apesar de uso amplo, havia debate acadêmico sobre eficácia do método.

Os tratamentos com estatinas para reduzir o colesterol diminuem o risco de acidentes cardiovasculares e apresentam efeitos colaterais adversos apenas em um número limitado de casos – de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira (9).

Desde que o tratamento foi lançado, há três décadas, dezenas de milhões de pessoas no mundo com colesterol alto – mas sem ter necessariamente problemas cardíacos preexistentes – tomam estatinas de modo regular. Trata-se de um dos medicamentos mais vendidos pela indústria farmacêutica.

Nos últimos anos, porém, apareceram vozes acadêmicas discordantes. Publicado pela revista médica britânica “The Lancet”, o estudo se propôs a resolver esse debate, concluindo que os benefícios das estatinas são subestimados e que seus efeitos adversos são exagerados.

“Nossos resultados mostram que a quantidade de pessoas que evita acidentes vasculares cardíacos, ou cerebrais, graças a terapias com estatinas, é muitíssimo maior do que aqueles que sofrem efeitos colaterais”, explicou Rory Collins, da Universidade de Oxford, que revisou um grande número de estudos existentes junto com outros pesquisadores.

Concretamente, cada redução de 2 mmol/l da taxa de colesterol graças a estatinas administradas durante ao menos cinco anos a 10 mil pacientes evita acidentes cardiovasculares em cerca de mil pessoas (10%) que tiveram episódios cardíacos anteriores (infartos) e a cerca de 500 que apresentam apenas fatores de risco (fumantes, sedentários, histórico familiar, etc.).

Efeitos colaterais
Já os efeitos colaterais de miopatias com dores e fraqueza muscular apareceram somente em um caso entre 10 mil pacientes que tomam 40 mg de atorvastatina por dia. O risco de diabetes ocorreu em entre 10 e 20 casos.

O estudo oferece ainda respostas a dúvidas sobre outros efeitos colaterais, alimentadas pelos mitos relacionados às estatinas, entre os quais está a disfunção erétil para os homens.

A pesquisa é categórica ao concluir que essas associações – entre as quais também estão perda de memória, catarata, problemas renais, ou hepáticos, transtorno do sono, agressividade e comportamento suicida – não foram sustentadas pelos estudos de observação, que “não refletiram um efeito causal com a terapia com estatinas”.

Um mercado gigantesco
A controvérsia sobre o caráter nocivo, ou a ineficácia, dos tratamentos preventivos com estatinas aumentou em alguns países recentemente, incluindo a Grã-Bretanha, onde 200 mil pacientes deixaram de tomá-las nos últimos anos, ou na França, onde representam um mercado de cerca de dois bilhões de euros anuais.

“As afirmações enganosas sobre a segurança e a eficácia dos tratamentos com estatinas representam um custo importante para a Saúde Pública”, adverte o editor da “The Lancet”, Richard Horton, em um comentário que acompanha o estudo.

Vários especialistas independentes elogiaram o artigo.

“As estatinas têm sido injustamente demonizadas”, afirma Tim Chico, especialista da Universidade de Sheffield.

Segundo David Webb, da Universidade de Edimburgo, “é provável que se tenha perdido muitas vidas, devido ao ponto de vista difundido de que as estatinas são perigosas, ou ineficazes”.

“Esse estudo completo realizado por um grupo de acadêmicos internacionais de primeiro nível, com provas robustas e não tendenciosas de ensaios aleatórios e revisões sistemáticas, confirma que as estatinas são eficazes e que seus benefícios aparecem, inclusive, em tratamentos preventivos”, acrescenta.