Especialistas recomendam exercício físico no combate à depressão de idosos

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Falta de tratamento adequado para a depressão na terceira idade pode desencadear problemas mais graves

A depressão sozinha não mata, mas quando aliada à falta de tratamento adequado pode ser fatal. Na juventude, a doença atrai mais atenção. Na velhice, passa despercebida. Intensificada pelo sentimento de improdutividade, ausência de atenção familiar ou convivência social e até mesmo o abandono, converge para o suicídio. Na capital federal, nos últimos cinco anos, esse tipo de morte cresceu 5% — no período, 63 pessoas acima de 65 anos tiraram a própria vida. Para frear o comportamento, segundo especialistas, o essencial é detectar fatores de risco precocemente. Além disso, é preciso buscar alternativas de interação interpessoal, por exemplo, os exercícios físicos.
A taxa de suicídio de idosos para cada 100 mil habitantes no DF passou de 0,39 para 0,41, entre 2011 e o ano passado — no intervalo, essa parcela da população demonstrou crescimento de 14,27%. Em números absolutos, houve um salto de 10 casos em 2011 para 16 em 2013. Em 2012, um total de 13 idosos tiraram a própria vida. Em 2014 e 2015, foram 12 a cada ano — a estatística alarmante pode ser maior que os 9,2% registrados. A situação, em grande parte, ainda é subnotificada, admite a Secretaria de Saúde.
Pedro Henrique Duarte Barbosa, psicólogo da geriatria do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), acompanha idosos com depressão de vários níveis, que, por vezes, refletem um sentimento suicida. Não falar sobre o assunto é um dificultador. Na terceira idade, indicativos de desequilíbrios psiquiátricos, de acordo com Pedro, são associados erroneamente às características do envelhecimento. “Quantas vezes escutamos ‘Isso é coisa de velho’? Mas humor rebaixado ou atitudes como parar de tomar medicação, de se alimentar ou beber água são alertas de pode estar ocorrendo um transtorno mental”, explica.
Perder a capacidade física, a morte de parentes, a incapacidade de se recolocar no mercado de trabalho, entre outras “frustrações”, se acumulam e podem desencadear uma grave tendência suicida. “Cada um, ao longo da vida, desenvolve a tarefa de lidar com frustração e perdas. O histórico é importante. Quando uma pessoa jovem tem depressão, por exemplo, o risco de reincidência é maior. Por isso, abordar a história de vida é importante em prevenção, diagnóstico e tratamento”, ressalta Pedro. “O ambiente pode oferecer elementos que curam, favoreçam e restabeleçam a saúde ou elementos de desajustes e pontos de estresse. Os idosos tendem a se isolar, mas o fundamental é integrar o idoso na convivência familiar, manter proximidade e conversar. Deixá-lo vendo TV o dia todo, por exemplo, é ruim. Isso deprime”, completa Pedro.
Nada de abandono
O personal trainer Acácio Tolentino da Silva Júnior atende 20 idosos entre 60 e 95 anos. Segundo o especialista, o abandono sempre aparece no discurso da faixa etária. “Há mais 10 anos, as famílias eram mais presentes. Hoje, há um distanciamento muito grande entre os familiares e os idosos. Eles estão sobrevivendo, não convivendo”, conta. Ele ressalta que o essencial é resgatar a funcionalidade e a independência. “Normalmente, é uma dor de solidão, não uma dor física. O idoso não precisa ficar dependente das pessoas”, acrescenta.
Para manter distante os sintomas da depressão, a psiquiatra aposentada Ausonia Castilho de Freitas, 63 anos, pratica exercícios físicos três vezes por semana. “O sedentarismo e o isolamento contribuem para o entristecimento do idoso. Muitas vezes, a pessoa não sai de casa ou os filhos são ocupados demais para passearem e cuidarem, por isso, a malhação é importante. Brincamos, nos divertimos e fazemos novas amizades”, detalha a moradora de Taguatinga Sul, que há seis anos mantém a rotina esportiva.